Indústria de torrefação de Manaus compra grãos de outros Estados. A queda da pequena produção de café no Amazonas na safra de 2010, que somou 3,9 mil toneladas, fez o preço do produto subir 30%. Para atender à demanda, a indústria de torrefação local compra o produto de outros Estados. De acordo com os dados do IBGE, na safra de 2008 e 2009 foram obtidas 5,6 mil toneladas.
Para o proprietário da indústria Café do Norte, Cícero Brasiliano, a compra do produto de outras regiões encarece o valor final em cerca de 30%. Segundo o empresário, além de não atender ao mercado, a produção local é de baixa qualidade e imprópria para a industrialização.
"Hoje vendemos cerca de 180 toneladas mensalmente para o Amazonas e ainda exportamos para outros Estados mais 50 toneladas, em média. O café consumido no Brasil atualmente tem qualidade inferior ao do exportado. Tomamos o resto do que o americano consome", disse.
Na avaliação do presidente da Federação da Agricultura do Estado do Amazonas (Faea), Muni Lourenço, atualmente, a produção de café no Estado vem se mantendo estável, em termos de quantidade produzida e número de produtores envolvidos na atividade. Segundo ele, o pouco acesso dos produtores a apoio para o financiamento de adubo (calcário) e aquisição de mudas têm sido o maior entrave do segmento.
Em termos comparativos, a produção de Rondônia, por exemplo, gira em torno de 150 mil toneladas por mês, e a do Pará, mais de 30 mil toneladas mensais.
O estudo 'Mercado e Dinâmica Espacial da Cadeia Produtiva do Café na Região Norte', de 2007, de autoria do Banco da Amazônia, fez um panorama da atividade e chegou à conclusão que a cadeia produtiva do café na Amazônia é embrionária.
"As unidades produtoras de café também cultivam outras culturas e criam animais. Atualmente, os preços configuram um ciclo de alta, porém os cafezais devem ser renovados com tecnologias modernas e materiais genéticos mais produtivos", avaliou a pesquisa.
Apuí se destaca
Mesmo em meio às dificuldades no setor, alguns municípios conseguem se destacar, como é o caso de Apuí (a 453 quilômetros ao sul de Manaus), que hoje concentra 55,8% da produção de todo o Amazonas, com 2.120 toneladas. Outros municípios que trabalham com a cultura do café são Manicoré (a 332 quilômetros a sudoeste de Manaus), que produz cerca de 390 toneladas, além de Lábrea (a 702 quilômetros a sudoeste), com 350 toneladas, Envira (a 1.208 quilômetros a sudoeste da capital), com 166 toneladas e Humaitá (a 590 quilômetros a sudoeste), com 144 toneladas.
De acordo com Muni Lourenço, a maior parte da produção é consumida na capital e uma fatia nos próprios municípios produtores, como Apuí, que possui uma marca própria. "Manaus concentra a demanda e outra pequena parte da nossa produção é vendida para o Estado de Rondônia", informou.
No Amazonas, há 1.594 cafeicultores que vivem da cultura. Na cadeia produtiva, o café sai dos municípios produtores para as indústrias em Manaus em grãos secos e peneirados. Em Manaus, ocorre a moagem e o envazamento a vácuo.
As informações são do Site D24AM - Amazonas, adaptadas pela Equipe CaféPoint.
Preço do café aumenta 30% com redução da safra no Amazonas
A queda da pequena produção de café no Amazonas na safra de 2010, que somou 3,9 mil toneladas, fez o preço do produto subir 30%. Para atender à demanda, a indústria de torrefação local compra o produto de outros Estados.
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