Segundo o professor da Unesp, Dr. Douglas H. B. Maccagnan, que abordou o tema no Curso do GIEU, a postura das cigarras se dá no terço superior da planta, em galhos de 1,4 a 3,5 mm de espessura. Como ainda não há ovicidas para estes insetos no mercado, o controle da praga deve ser realizado em outras etapas de suas vidas. No entanto, as tais "galerias" que as ninfas constroem prensando barro no solo formam uma região praticamente blindada e outros métodos de controle não dão certo por conta disso, pois além delas estarem embaixo da terra, possuem esta proteção "extra".
"Quanto tempo poderiam as cigarras ficarem no solo até que venham à superfície para se acasalarem?", questionou o professor, que acredita que o longo período de desenvolvimento das ninfas pode estar associado ao tipo de alimentação ingerida, pobre em açúcar. A resposta? "No mínimo 3 anos", desconfia. Depois de ter correlacionado a época em que as cigarras vêm à superfície do solo com a quantidade de chuva recebida no período e não ter encontrado nenhuma evidência de que a umidade favoreça o ato, o professor sugere que as cigarras saem do solo em função de variação no fotoperíodo. "Alguma mudança química na planta, resultado da alteração do fotoperíodo, pode ser percebida pelas cigarras, que sabem que está na hora de subir", arrisca.
Em sua recente tese de doutorado, Douglas ajudou a desenvolver armadilhas sonoras que atraem as cigarras. Estas, por sua vez, tomam um banho de inseticida quando chegam perto da armadilha. "A ideia da pesquisa veio da insatisfação com o controle químico. Apesar de esta ser a forma mais eficiente de se combater a praga (com inseticidas sistêmicos aplicados no solo ou no caule da planta), esta alternativa traz impacto ambiental e um custo onerado à produção, já que são necessários até R$ 600 ha/ano para um controle efetivo. Além disso, não é uma prática compatível com a agricultura orgânica. Por isso mesmo, nosso próximo passo envolve estudos com fungos, nematoides ou parasitoides que podem auxiliar no controle biológico das cigarras", finalizou.
A importância econômica das cigarras se dá pela sucção da seiva da raiz, que pode causar clorose nas folhas da extremidade dos ramos e queda prematura de folhas, flores e frutos. Além disso, algumas espécies quando adultas podem ser vetores de doenças do cafeeiro, principalmente da Xylella fastidiosa (CVC). Segundo Matiello et al., as plantas de café atacadas apresentam fraqueza na parte aérea, com amarelecimento e deficiências nutricionais nas folhas, ramos secos e baixa produção. Fazendo com o enxadão pequenas covas no solo, junto às raízes grossas, pode-se verificar a presença de ninfas de vários tamanhos, de coloração clara, muitas delas "agarradas" às raízes, sendo comum observar mais de 300 ninfas por planta, em alguns casos mais de 1000. As espécies maiores causam danos sensíveis a partir de 20-30 ninfas por planta.

Demonstração da quantidade de indivíduos da espécie Quesada gigas capturados pela armadilha em 30 minutos de funcionamento. Esta é a espécie que traz maior dano ao cafeeiro.