O agrônomo da cooperativa Cocamar, César Júnio Maia, que acompanha a situação de 2,2 mil hectares de café na região de São Jorge, Altônia, Pérola e Iporã, afirmou que as perdas acima de 30% são comuns. "Esse cálculo é feito em cima de previsões que já consideravam que este seria um ano de baixa, por causa da bienualidade. A produção de muitas áreas vai ficar em 6 sacas por hectare." A média estadual é de 18 sacas/ha. Ao todo, a Cocamar abrange 7 mil hectares de café.
Na última semana voltou a chover na região, mas já é tarde para praticamente todos os cafezais. Maia afirmou que a irrigação se tornou uma questão de sobrevivência para a cultura, por que os preços não sustentam lavouras pouco produtivas. Em sua avaliação, "os resultados compensam os investimentos mesmo num ano de chuva normal, com incremento de até 50% na produção". O produtor pode comprovar a diferença comparando áreas vizinhas irrigadas e não-irrigadas, relata.
Mas, para adotar qualquer sistema de irrigação, é necessário um planejamento de longo prazo e dinheiro no bolso, constatou Fachina. Ele já pediu orçamento a uma empresa especializada, mas se assustou com a previsão de que gastaria R$ 35 mil para irrigar 1,2 hectare, menos da metade de sua área. "Precisaria R$ 24 mil só para um poço artesiano. É um dinheiro muito alto para mim." Por enquanto, continuará no sistema tradicional. Neste ano teve de acionar o Proagro, que deve cobrir menos da metade das despesas de produção.
Descendo o mapa do Paraná, na região mais próxima a Rolândia, as perdas foram menores. Na área de 15 mil hectares de café da Corol, a produção ficará próxima do normal, disse o diretor-presidente da cooperativa, Eliseu de Paula. "O deficit hídrico atual teve pouca influência no enchimento dos grãos, mas prejudicou os pés de café e deve afetar a rentabilidade futura", observou.
O dirigente analisou que, para o produtor que alcança 50 sacas de café por hectare - média concreta nas áreas irrigadas -, a cotação de R$ 250 por saca é compensadora. A tendência é de investimento em qualidade, ou seja, na produção de grãos maiores e em café menos ácido, observa. Só assim o produtor alcança preços ainda maiores.

O leitor do CaféPoint, Luiz Simoni, enviou esta foto de seu cafezal, na região de Umuarama, onde a falta de umidade no solo foi extrema.
As informações são da Gazeta do Povo/PR, resumidas e adaptadas pela Equipe CaféPoint.
