PR: florada densa é promessa de boa colheita de café
Os cafezais do noroeste paranaense, que até duas semanas atrás estavam secos e sem folhas, voltaram a ficar verdes e juntamente com as novas folhas chegou uma das melhores floradas dos últimos anos, o que a princípio é garantia de uma boa colheita a partir do final de março do próximo ano.
Publicado por: CaféPoint
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Os cafezais do noroeste paranaense, que até duas semanas atrás estavam secos e sem folhas, voltaram a ficar verdes e juntamente com as novas folhas chegou uma das melhores floradas dos últimos anos, o que a princípio é garantia de uma boa colheita a partir do final de março do próximo ano.
O inverno seco e quente, com uma estiagem de dois meses e meio, castigou as plantas, mas a chuva que chegou com a primavera trouxe flores e esperanças para os produtores, que estão confiantes que novas chuvas ocorrerão nos próximos dias para garantir o pegamento e, consequentemente, boa produção.
De acordo com o gerente do Departamento de Produção Agrícola da Cocamar, engenheiro agrônomo Leandro Teixeira, a estiagem prolongada de agosto e setembro não deverá ter reflexos negativos nos cafezais, já que as temperaturas amenas e as prováveis chuvas nos próximos dias são o que contam a partir do momento em que começa a floração. "O importante é que o cafezal tenha um bom equilíbrio nutricional para evitar o abortamento dos frutos", disse ele, deixando claro que "se o pegamento for ruim não terá sido pelo déficit de chuvas e sim por questões nutricionais".
O agrônomo da Cocamar lembra que a cafeicultura paranaense vem diminuindo sua área ano a ano devido à falta de estímulo dos produtores. "As dificuldades são muitas, os custos de produção continuam altos e em todos os anos o produtor tem dificuldades para encontrar mão de obra adequada, já que nesta região a cafeicultura continua 100% manual". Com isso, muitos proprietários rurais optam pelas culturas rotativas, especialmente soja e milho.
Maringá já foi um dos maiores produtores de café do mundo até o final da década de 60, mas hoje são raros os plantios, boa parte em áreas quebradas ou chácaras. No entanto, municípios vizinhos, como Mandaguari e Marialva ainda destinam áreas razoáveis à cultura. Nos municípios da região do Arenito Caiuá, como Paranavaí, Cianorte e Umuarama o café tem peso considerável na balança econômica. A cultura que já ocupou quase 100% da área agricultável da região, hoje se resume a pouco mais de 4 mil hectares, que produzem cerca de 6 mil toneladas por ano, o que resulta em 2 milhões de sacas de café depois de beneficiado.
Tudo branco na Estrada Bom Sucesso
Uma fazenda de 8 alqueires na Estrada Bom Sucesso, na região do Vale Azul, aos fundos de Sarandi, é um dos bastiões da resistência da cafeicultura na região. Ali, os engenheiros agrônomos Moacir Ferro e José Antonio Borghi mantêm uma das maiores plantações de café do Paraná, com cerca de 150 mil pés de variedades como Catuaí, Conilon, Mundo Novo e outras desenvolvidas pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) especialmente para as condições climáticas do noroeste paranaense.
A propriedade foi aberta na década de 40 pela família do pioneiro Silvino Dias (pai do senador Álvaro Dias) e plantada com café, mas na década de 70, com a crise que atingiu a cafeicultura, a opção foram a soja e o milho.
Quando adquirida por Borghi e Ferro, o café foi novamente a escolha, já que os dois agrônomos, amigos de infância criados em fazendas de café na Gleba Pinguim, ainda confiavam na força do café como alternativa em uma região que hoje está destinada à soja e o milho.
Além dos conhecimentos adquiridos na faculdade, os dois sócios contam com a experiência de Dadinho Luiz Cardoso, um homem de 65 anos que começou a ajudar o pai em lavouras quando tinha apenas 7 anos. É Dadinho quem fica na fazenda e juntamente com um filho e um genro faz o serviço do dia a dia, mas sempre contrata mão de obra de fora quando precisa realizar os tratos culturais.
Na fazenda da Estrada Bom Sucesso a colheita ainda é manual e emprega cerca de 50 trabalhadores, que são "proibidos de judiar das plantas". Depois da colheita, os eitos já envelhecidos passam pelo esqueletamento, um tipo de poda que consiste em cotar os ramos do cafeeiro a uma certa distância do tronco para que, na safra seguinte, a planta esteja revigorada, com mais galhos e produza mais. Segundo Moacir Ferro, esta técnica é comum na fazenda. "Parte do plantio não vai produzir na safra seguinte por estar esqueletada, mas assim mantemos o equilíbrio e a saúde do cafezal, garantindo sempre uma boa produção".
Dadinho, assim como os proprietários, estão confiante que a florada que começou na semana passada garantirá uma safra muito boa. "No ano passado, colhemos 430 sacas limpas, mas neste ano não foi bom, colhemos apenas 150. Desta vez tudo indica que voltaremos a ter uma das melhores colheitas dos últimos anos".
As informações são de O diario.com, adaptadas pela Equipe CaféPoint.
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