Plano também precisa focar endividamento

Nesta segunda-feira (7), o Governo Federal lançou o Plano Agrícola e Pecuário 2010/2011. Foram apresentadas evoluções consistentes e substanciais em relação aos anos anteriores, as quais tornam os atores governamentais envolvidos no processo dignos de honrarias. "Com o endividamento acumulado, nós, cafeicultores, fomos rebaixados ao grupo de maior risco dos agentes financeiros e perdemos o acesso a esses recursos", afirma Gilson Ximenes, presidente do Conselho Nacional do Café.

Publicado por: CaféPoint

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* Gilson Ximenes

Nesta segunda-feira (7), o Governo Federal lançou o Plano Agrícola e Pecuário 2010/2011. Foram apresentadas evoluções consistentes e substanciais em relação aos anos anteriores, as quais tornam os atores governamentais envolvidos no processo dignos de honrarias, principalmente no que diz respeito ao staff dos Ministérios da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário e da Fazenda.

Em relação à cafeicultura, foram reafirmados os recursos que o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) disponibilizará à atual safra, na ordem de R$ 2,08 bilhões, sendo R$ 522 milhões para colheita, R$ 940 milhões à estocagem, R$ 313 milhões para custeio e outros R$ 313 milhões para FAC. Também foi anunciada a manutenção dos preços mínimos de R$ 261,69 para o café arábica tipo 6 e R$ 156,57 para o robusta tipo 7.

Além disso, deverão ser aplicados R$ 15 milhões do Funcafé sob a forma de descentralização de crédito, de maneira que a Embrapa possa cumprir a programação em andamento e também contratar novos projetos, e outros R$ 15 milhões para investimento em publicidade no País (R$ 10 milhões) e promoção dos Cafés do Brasil no exterior (R$ 5 milhões).

O Governo também apresentou um programa para geração de renda ao produtor, que deve melhorar a comercialização da safra, via liberação de crédito, ao longo de todo o ano. Entretanto, o Conselho Nacional do Café (CNC) recorda que esse, provavelmente, não deverá contribuir com o cafeicultor brasileiro, uma vez que o acesso ao crédito está comprometido em função do endividamento que acumulou ao longo da última década, período em que negociou suas sacas a preços inferiores aos custos de produção.

Queremos, sim, renda em nossa atividade, até porque sem ela não há como se sustentar. Em verdade, até houve, pois os financiamentos deram sobrevida ao produtor de café do Brasil nos últimos anos. Porém, com o endividamento acumulado, nós, cafeicultores, fomos rebaixados ao grupo de maior risco dos agentes financeiros e perdemos o acesso a esses recursos, o que, atualmente, sem uma política específica para solucionar o passivo financeiro, aliada à uma de geração de renda, infelizmente nos expulsará de qualquer atividade agropecuária em nosso País.

* O cafeicultor Gilson Ximenes preside pela quinta vez o Conselho Nacional do Café. Mineiro de Três Pontas, comandou a entidade entre 1995 e 2001, por três mandatos consecutivos, e no recém-concluído biênio 2007/2008. Primeiro diretor do Departamento Nacional do Café, durante a gestão do ministro da Indústria e Comércio, Andrade Vieira, ele também desempenha, atualmente, a função de diretor financeiro da Unicoop (União Cooperativa Agropecuarista Sul de Minas), em Três Pontas (MG). Entre outras funções, Ximenes já presidiu a Cocatrel (Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Três Pontas) e a própria Unicoop, ambas associadas ao CNC.

As informações são do CNC.
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