O projeto é o pontapé inicial para se obter a indicação geográfica do café de Pinhal. Será necessário organizar os produtores, fazer pesquisa de campo, entre outras ações, visando concluir o documento do pedido de indicação geográfica junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Paulo Henrique Leme cita que está para sair a indicação geográfica do café do norte do Paraná junto ao INPI. Todo o processo já dura dois anos. "O importante não é só obter a marca, mas ter a união dos produtores para valorizar o produto e colocá-lo no mercado com diferencial de preço. Embora o café de Pinhal tenha boa participação em concursos de qualidade e seja reconhecido, ele ainda não é valorizado como deveria. Com a valorização, o produtor passa a ganhar mais e ajuda a movimentar a economia da cidade, podendo contar com mais cafeterias, atrair visitantes, valorizar imóveis e propriedades rurais".
A iniciativa do projeto Café é da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento através da Câmara Setorial do Café, formada por representantes de associações e cooperativas de café do estado de São Paulo, com apoio do Ministério da Agricultura, da Coordenadoria de Desenvolvimento dos Agronegócios (Codeagro), da Prefeitura de Pinhal, da Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Pinhal (Coopinhal), do Sindicato Rural, da Associação Comercial e das quatro associações dos produtores rurais: Areia Branca, Areião, Santa Luzia e Três Fazendas. A intenção é "uma iniciativa pioneira no estado, já que não existe nenhuma indicação geográfica de qualquer produto paulista registrada no INPI. A única indicação geográfica de café no Brasil é o do cerrado mineiro, que abrange a região do Triângulo Mineiro", explica Paulo Leme.
Ele lembra que os produtores de lá tiveram de se unir para fortalecer a visão de mercado do café do cerrado, que é premiado e valorizado pela sua qualidade. "Isso não foi um trabalho que surgiu da noite para o dia, foi de anos e a indicação geográfica ajudou nesse sentido".
Antes, o café do cerrado era vendido abaixo do preço de mercado e, hoje, é comercializado a R$ 20, R$ 30 a mais do que outras regiões do país. O café do cerrado, cuja certificação foi obtida em 2005, é conhecido até no Japão, diz o consultor. "A indicação geográfica não faz milagre, mas ajuda a unir produtores na criação de uma marca para valorizar o seu café".
Segundo ele, há outros produtos com indicação geográfica registrada no INPI, como o vinho do Vale dos Vinhedos no Rio Grande do Sul, o couro do Vale dos Sinos no Rio Grande do Sul, a uva de mesa e a manga do Vale do São Francisco, a cachaça de Parati e a carne do pampa gaúcho. "Só temos seis indicações geográficas num país extenso como o Brasil, enquanto, na Europa, isso é uma modalidade muito comum, como o conhaque, o champanhe e queijos, por exemplo, que possuem indicações geográficas".
Paulo Leme ressalta que a indicação geográfica é importante não por ser uma marca de uma empresa, algo individual, mas de uma coletividade, que representa todos os produtores de uma determinada região. "A indicação geográfica agrega pessoas em torno do objetivo de fortalecimento de seu próprio produto, é uma estratégia de marketing".
Na prática, os produtores terão de participar das reuniões, fornecer informações sobre como produzem seu café, definir padrões de qualidade do produto, qual a marca a ser registrada, como auditar as fazendas que estão participando do projeto. "Eles têm de ter voz ativa para ajudar a fazer esse projeto conosco".
O ex-diretor municipal de Agricultura e produtor rural Henrique Gallucci diz que o projeto está apenas começando e o objetivo é agregar o maior número de produtores possível em torno dele.
Cafés do Brasil
A marca Cafés do Brasil, registrada no ano 2000 no INPI pela Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), é utilizada para identificar em todo o mundo os cafés de origem brasileira. O logotipo Cafés do Brasil pode ser utilizado, segundo a Abic, pelo governo brasileiro, empresários e exportadores em seus produtos, contanto que sua aplicação siga as instruções contidas no manual de uso da marca.

Garantia de origem
A aposta na garantia de origem pode ser determinante para recuperar parte das perdas que as commodities tiveram nos últimos meses. Produtores e consultorias especializadas no setor estimam que uma produção controlada pode agregar entre 3% e 10% na receita final dos produtos agropecuários. Além disso, a certificação da produção favorece o processo de fidelização do comprador, com a garantia de procedência e respeito às normas de produção, ambientais e trabalhistas, podendo atrair novos negócios em um mundo que consome cada vez mais baseado em critérios rígidos.
A reportagem é do jornal A Cidade (Espírito Santo do Pinhal), resumida e adaptada pela Equipe CaféPoint.