Pesquisadores alertam para Mancha Aureolada
No início de janeiro, pesquisadores do Instituto Biológico (IB) - Flávia Patrício, Irene Almeida e Luís Beriam, com a parceria dos pesquisadores do Instituto Agronômico (IAC), Luiz Carlos Fazuoli e Masako Braghini, lançaram um comunicado técnico sobre a incidência da mancha aureolada e as formas de controle. O alerta é justificado devido ao ataque severo aos cafezais, sendo a doença constatada recentemente em diversas regiões, principalmente do Estado de São Paulo, do Cerrado e do Sul de Minas Gerais.
Publicado por: CaféPoint
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Com as chuvas, a mancha aureolada, importante doença do cafeeiro causada pela bactéria Pseudomonas syringae pv. Garcae, voltou a atacar os cafezais, especialmente os situados em locais de elevada altitude, sujeitos à constante incidência de ventos. De acordo com os pesquisadores, as lavouras mais atacadas são aquelas em formação ou que sofreram alguma poda. A bactéria deve ter permanecido nos ramos e em algumas folhas do cafeeiro e, com o retorno das chuvas, voltou a causar os sintomas severos observados nas lavouras.
Na avaliação dos pesquisadores, é provável que os sintomas estejam relacionados com a redução da temperatura, especialmente à noite, e da elevação da umidade relativa, que favorecem a penetração da bactéria nas brotações mais jovens, mais suscetíveis. A ocorrência da doença nas lavouras com carga pendente pode comprometer parte da produção, pois a bactéria pode penetrar nas inflorescências, afetando as rosetas e os frutos novos. De acordo com o documento, a doença é mais importante em lavouras novas, com até três a quatro anos de idade. Nos últimos anos, a doença tem ocorrido com gravidade, causando, inclusive, a morte de plantas com até um ano de idade.
Sintomas
A doença é caracterizada por lesões foliares de coloração parda, que podem ou não ser acompanhadas por um halo amarelado, seca de ramos e lesões nas rosetas, inflorescências e frutos novos, provocando, posteriormente, a desfolha dos ramos. No final do período das águas, a doença se restringe aos ramos, sendo esta uma estratégia de sobrevivência da bactéria. A mancha aureolada também incide sobre mudas em viveiros, causando lesões nas folhas e seca de hastes e ramos.
Um problema observado no campo é que a mancha aureolada, com frequencia, tem sido confundida com a mancha de phoma, causada por Phoma tarda, ou mesmo com distúrbios nutricionais ou climáticos.
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Manejo da doença
A orientação é iniciar pela utilização de mudas sadias. Os viveiros devem ser instalados em locais adequados e protegidos contra ventos frios. A irrigação do viveiro deve ser monitorada, evitando-se vazamentos nos aspersores. Mudas com sintomas devem se isoladas das demais, para que a doença não se propague para as plântulas sadias. Caso a doença seja detectada no viveiro, todas as mudas devem ser protegidas com aplicações de fungicidas cúpricos (hidróxido de cobre) e/ou de antibiótico (como a casugamicina na dose de 300 mL/100 L de água), a cada 15 dias.
Sugere-se ainda que o produtor faça uma seleção rigorosa das mudas a serem levadas ao campo, evitando o plantio de mudas com sintomas. Atenção também deve ser dada ao planejamento de plantio em locais sujeitos aos ventos frios, o que requer planejamento e avaliação da necessidade de quebra-ventos. Dentre as opções de quebra-ventos temporários sugerem-se o milho, a crotalária e o feijão guandu. Como espécies permanentes podem ser utilizadas grevíleas, bananeiras, abacate, cedrinho, eucalipto, entre outras.
Os pesquisadores ressaltam que poucos estudos avaliaram a resistência de cultivares de cafeeiro a essa doença. As cultivares do grupo Mundo Novo mostram-se bastante suscetíveis à mancha aureolada; as cultivares do grupo Catuaí são moderadamente suscetíveis e do grupo Icatu tem resistência parcial.
Medidas emergenciais
Aplicações de fungicidas cúpricos devem ser iniciadas imediatamente e repetidas a cada 20-30 dias, em lavouras que apresentam sintomas. Formulações com o hidróxido de cobre estão registradas para o controle dessa bacteriose em café. Sugere-se que sejam aplicadas na maior dose de registro e, se possível, com a adição de óleo mineral ou adesivo, para aumentar a fixação do cobre nas folhas, especialmente considerando a elevada incidência de chuvas nesta época do ano. Em estudos realizados, o oxicloreto de cobre, na dose de 4,0 kg/ha, foi o cúprico que forneceu o melhor controle da bactéria. Entretanto, há diversos cúpricos registrados para a cultura do café.
Os pesquisadores recomendam que o importante é garantir uma quantidade adequada de cobre nas folhas e ramos. O mesmo pode ser adotado para as misturas de produtos. Também é fundamental a regulagem dos equipamentos para que a calda aplicada seja bem distribuída na planta, tanto nos ramos produtivos, como naqueles com folhas mais jovens, especialmente da parte superior da planta, a mais afetada pela mancha aureolada.
As informações são do Polo de Excelência do Café, adaptadas pela Equipe CaféPoint.
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EM 23/01/2012
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