Peru: mais de um milhão e meio de sacas de café se perderão esse ano

O presidente da Junta Nacional de Café (JNC) do Peru, Anner Román Neira, denunciou que as perdas de café devido à ferrugem superam as expectativas previstas durante o primeiro trimestre desse ano, pois se perderão cerca de 2 milhões de quintais de café - ou 1,53 milhão de sacas de 60 quilos -, equivalente a 25% da colheita de 2013.

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O presidente da Junta Nacional de Café (JNC) do Peru, Anner Román Neira, denunciou que as perdas de café devido à ferrugem superam as expectativas previstas durante o primeiro trimestre desse ano, pois se perderão cerca de 2 milhões de quintais de café – ou 1,53 milhão de sacas de 60 quilos -, equivalente a 25% da colheita de 2013.

O cafeicultor disse que a situação é mais grave para cerca de 10 mil produtores em diversas regiões do país que perderam toda sua produção de café e que estão esperando a entrega dos insumos previstos no plano de contingência de US$ 35 milhões para fertilizar oportunamente as plantações que podem ser salvas. Atualmente, estão na etapa de aquisição dos insumos.

Román disse que a região mais afetada é o vale do rio Apurímac e Ene (VRAE), em que 70% da produção de café – que é de cerca de 13.500 hectares – está afetada pela ferrugem, uma vez que as plantações são velhas e há muitos anos que não são fertilizadas pela falta de recursos econômicos. Os produtores dessa região estão preocupados, porque o plano de recuperação não funciona de forma adequada, pois somente contempla produtores dos distritos de Pichari e Kimbiri, sendo excluídos os produtores da margem esquerda, que correspondem à região de Ayacucho, que não tem esse benefício.

O cafeicultor também expressou seu descontentamento, porque as pessoas do Serviço Nacional de Sanidade Agrária (Senasa) recentemente contratadas não têm experiência na atividade cafeeira e estão visitando áreas afetadas sem a coordenação com organizações que os representam, nem com as entidades do Ministério da Agricultura. “Preocupa-nos, porque passa uma mensagem de desordem e coloca em risco a implementação adequada do programa de emergência, assim como a distribuição dos insumos e fertilizantes”, disse ele.

Román disse que, de acordo com o cronograma estabelecido, até o final desse mês deverá terminar a aquisição de insumos para começar a distribuição em julho. “O que foi feito até agora não garante que cheguemos a tempo”.

O decreto de emergência de café por causa da ferrugem tem uma duração de 60 dias, o que se cumprirá no começo de julho, de forma que a JNC demanda que o Governo avalie a ampliação da emergência até o fim do ano, para poder canalizar os US$ 35 milhões já aprovados.

Além disso, a junta pede que o Governo designe maiores fundos para o programa de contingência, assim como para implementar o plano de renovação de plantações de café, a sim de que, a partir de agosto, tenha sementes disponíveis para que a produção de 2014 não seja afetada.

Nesse sentido, Román pediu que as autoridades aprovem o fundo proposto lela JNC para a renovação das plantações, com um investimento inicial de US$ 212 milhões para empréstimos – a juros de no máximo 5% - aos produtores, com o objetivo de que se possam começar a substituir as plantações que já não dão frutos, assim como impulsionar a produção agroflorestal.

“Se não se empreender um plano integral que incluía um processo de renovação, as perdas do próximo ano serão maiores e os cafeicultores terão que abandonar as fazendas para buscar outras atividades que permitam sustentar suas famílias”.

A reportagem é do Inforegion.pe, traduzida e adaptada pelo CaféPoint.
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