Embora os preços tenham melhorado, há muito pouco café para colher, sobretudo no centro e sul do país, ainda que em Cajamarca e Amazonas tenha havido uma recuperação na produção.
O presidente da Junta Nacional de Café (JNC), Anner Roman Neira, informou que, segundo os dados das organizações sociais, esse ano a produção chegaria a apenas 3,68 milhões de sacas de 60 quilos, das quais se exportariam 3,45 milhões de sacas, o que significaria que as receitas poderiam alcançar US$ 800 milhões. Ele disse que, em 2011, o Peru teve exportações recordes, que implicaram em receitas de US$ 1,593 bilhão.
“A crise pela qual está atravessando a cafeicultura se deve à queda na colheita, pelos efeitos da ferrugem, e à falta de créditos para a renovação dos cafezais”. A assembleia nacional de associados estabeleceu uma agenda de gestões para desenvolver no Parlamento e no Poder Executivo, segundo ele.
Foto: Guilherme Gomes/ Café Editora
Além disso, ele disse que esse problema fez com que milhares de produtores tenham abandonado suas fazendas para buscar obter rendas em outras atividades nas cidades e, em muitos casos, para trabalhar no cultivo da folha de coca.
Os casos mais alarmantes estão no Valle de los ríos Apurímac, Ene e Mantaro (VRAEM), assim como no Alto Huallaga, Sandia (Puno) e La Convención (Cusco).
O ex-presidente da Cooperativa Agrária Cafeeira La Divisoria, Ignacio Bravo Condezo, disse que devido à baixa produção, muitos dos 650 sócios dessa organização, localizada em Tingo María, abandonaram os cafezais e migraram, já que não têm como sustentar suas famílias. Ele disse que, esse ano, a produção de seus sócios não chegará sequer a 7,6 mil sacas, o que significa menos de 50% de sua produção de 2013, que foi de 16,1 mil sacas.
Ele disse que um grande número de produtores não conseguiu a reprogramação de seus créditos com o Agrobanco, apesar de ter exposto esse problema, pois os funcionários dessa instituição os condicionam a uma amortização e, ao estar inadimplentes, não podem ter acesso a outros empréstimos. “Isso tem trazido o ressurgimento da coca, abandono dos cafezais e abandono escolar, porque não há para que as crianças estudarem”.
Em Sandia, ocorre algo parecido. O ex-presidente da Cooperativa Agrária Cafeeira Charuyo, Sixto Flores, disse que esse ano, a colheita de café na região não chegará sequer a 23 mil sacas, apesar de há dez anos a produção ter chegado a 123 mil sacas.
Os dirigentes da VRAEM advertiram a JNC que, nesse ano, a colheita chegará a 23 mil sacas de 60 quilos em 6 mil hectares, quando se produzia 69 mil sacas em 8 mil hectares. Em Selva Central, não foram atendidas 75% das solicitações das cooperativas para reprogramação de créditos e fundos para renovação de cafezais, vivendo-se atualmente uma situação de ansiedade social.
Há controvérsias
Já a estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), vai na contramão do que diz o Presidente JNC. segundo os norte americados, a safra no Peru deverá ter crescimento. Confira os dados da USDA.
A reportagem é do http://www.inforegion.pe.