Peru busca liderança na produção de cafés especiais

A produção de café do Peru, maior exportador de café orgânico do mundo, está crescendo na medida em que produtores focam a qualidade, desenvolvem nichos de mercado e encontram meios para driblar as barreiras que possam bloquear o crescimento. A produção de cafés especiais, como o orgânico, fairtrade, e outros, está aumentando. Hoje, respondem por 30% das exportações.

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A produção de café do Peru, maior exportador de café orgânico do mundo, está crescendo na medida em que produtores focam a qualidade, desenvolvem nichos de mercado e encontram meios para driblar as barreiras que possam bloquear o crescimento. Depois de iniciar sua plantação há quatro anos, Oscar Chavez transformou seu projeto orgânico em um negócio viável. "O cultivo de café é muito rentável. É melhor do que plantar bananas ou yucca. Os preços são bons, especialmente para o café orgânico", disse Chavez.

Por anos, o governo do Peru encorajou produtores a plantar café ao invés de coca, o ingrediente natural da cocaína. Apesar de o cultivo de coca ainda estar crescendo no Peru - o segundo maior produtor mundial - esse crescimento é menor do que o do café. A estabilidade dos preços a níveis altos a razoáveis está elevando as exportações, que somam 95% da produção peruana.

Neste ano, Peru espera enviar ao exterior cerca de 5,8 milhões de sacas de 46 kg de café, de acordo com o grupo nacional de produtores. Isso representaria 15% de aumento em relação a 2006. A produção de cafés especiais, como o orgânico, fairtrade, genuíno, e até mesmo, aqueles cultivados com maneiras de proteger a vida de pássaros, está aumentando. Hoje, eles respondem por 30% das exportações, mas há dez anos, eram praticamente insignificantes.

Café orgânico, em particular, é um bom negócio no Peru, um país com uma curta história em relação à produção de alta tecnologia e cultivo em larga escala, disse Paul Rice, presidente e chefe executivo da TransFair USA, uma organização que certifica produtos fairtrade. Grande parte dos produtores não pode arcar com os custos dos fertilizantes químicos, então, cultivam orgânicos, que têm um lucro maior do que o café convencional e possui um menor custo.

Igualmente, pequenos produtores tendem a trabalhar em áreas pequenas, com limitado uso de tecnologia, o que significa ao café colheita manual e secagem ao sol. "Não foi um grande obstáculo tornar o cultivo orgânico certificado", disse Rice.

Apesar do fato de uma pequena parcela de agricultores não terem economias de escala, seus cafés são ideais para alguns mercados especializados. Apreciadores de café nos EUA e Europa, que compram grande quantidade de café peruano, dizem que grãos cultivados a 1000 metros acima do mar são especialmente de boa qualidade. O Peru cultiva a maior parte do seu café nos Andes, em elevadas altitudes.

"Em termos de volume, nós não podemos competir com países como Brasil e Colômbia. Então, temos de encontrar vantagens competitivas", disse César Rivas, presidente do grupo nacional de produtores e da La florida, cooperativa que foca cafés orgânicos e fairtrade. Apesar do elevado crescimento, líderes da cooperativa disseram que os produtores encaram com facilidade desafios como, por exemplo, conseguir mercados à sua produção e pagar por fertilizantes naturais para aumentar os lucros.

Os custos de transporte são altos no Peru, onde as estradas são estreitas, com muito vento e, freqüentemente, danificadas por enxurradas. Em outros lugares, estradas não existem. Chavez levou sacas de café para a cooperativa nas costas antes de construírem a estrada que liga a plantação à rua pública. Ele diz que está planejando continuar com o café. "Eu amo café. Gostaria de iniciar minhas próprias exportações", disse. As informações são da Reuters, com tradução de Centro de Inteligência do Café.
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