Pepro: exportador acusa desvio em verba de café

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) acusa as cooperativas de terem favorecido os grandes produtores na redistribuição do dinheiro entre os associados. O Conselho foi à Justiça e ao TCU (Tribunal de Contas da União) pedindo a anulação dos leilões, mas não conseguiu liminar. Em abril, o maior produtor mundial de café, João Faria da Silva, forneceu ao Cecafé a prova de que as cooperativas ultrapassaram o limite de repasse, R$ 12 mil por leilão, por produtor estabelecido no edital.

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O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) acusa as cooperativas de terem favorecido os grandes produtores na redistribuição do dinheiro entre os associados. O Cecafé foi à Justiça e ao TCU (Tribunal de Contas da União) pedindo a anulação dos leilões, mas não conseguiu liminar. Em abril, o maior produtor mundial de café, João Faria da Silva, forneceu ao conselho a prova de que as cooperativas ultrapassaram o limite de repasse, R$ 12 mil por leilão, por produtor estabelecido no edital.

Associado à Cooxupé (Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé, a maior da América Latina), Faria recebeu R$ 138,3 mil de subsídio pelo primeiro leilão, por intermédio da cooperativa, e R$ 109,39 mil pelo segundo leilão, num total de R$ 247,6 mil. Embolsou 20 vezes o limite permitido. Com os recibos fornecidos pelo empresário, o Cecafé entrou com novo recurso no TCU, que determinou ao Ministério da Agricultura e à Conab que lhe entreguem a lista dos contemplados, por CPF. A Conab pediu prazo até o fim de outubro (data-limite para as cooperativas prestarem contas da destinação do dinheiro).

Cerca de 60% dos subsídios foram para quatro cooperativas localizadas em Minas Gerais: Cooxupé (R$ 45,9 milhões), Cooperativa Regional dos Cafeicultores de São Sebastião do Paraíso (R$ 20,5 milhões), Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Três Pontas (R$ 18,3 milhões) e Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Varginha (R$ 18,6 milhões).

As cooperativas mineiras tiveram seu poder político ampliado com a nomeação do ex-deputado federal e cafeicultor Silas Brasileiro (PMDB-MG) para o cargo de secretário-executivo do ministério. Ele integrou a Frente Parlamentar do Café com o deputado Carlos Melles (DEM-MG), presidente da Cooperativa de São Sebastião do Paraíso.

O presidente do Cecafé, João Antônio Lian, disse que o programa de subsídio foi empurrado pela "goela abaixo" dos exportadores e das associações das indústrias por Silas Brasileiro. "Não somos contra o subsídio, mas contra a falta de transparência na distribuição", disse ele. Segundo Lian, após a nomeação de Silas, em maio do ano passado, o diálogo entre o ministério e os exportadores cessou. O setor teve que recorrer ao ex-governador Orestes Quércia para levar o assunto ao ministro Reinold Stephanes.

"O ministro demostrou desconhecer o problema e disse que havia delegado o assunto ao secretário-executivo, por supor que ele representava todo o setor", prosseguiu. Em junho último, o Cecafé enviou carta ao ministro Stephanes listando os supostos indícios de irregularidades por parte das cooperativas.

As acusações estão centradas nas cooperativas Cooxupé, Cooparaíso e Cocatrel, todas de Minas Gerais, as maiores beneficiárias nos leilões. Em relação à Cooparaíso, que é presidida por Melles, o Cecafé a acusa de repassar apenas parte do benefício aos produtores. Segundo os exportadores, a Cooparaíso só redistribuiu R$ 8,4 milhões (recebeu R$ 20,5 milhões) a 2.083 produtores. Cada um teria recebido valor menor do que os R$ 40 por saca determinado no edital.

A Cocatrel, de Três Pontas/MG, teria repassado o subsídio com base na produção de 2006, quando o edital se referia à safra de 2007/2008. Sobre a Cooxupé, diz a carta dos exportadores ao ministro: "aplicou critérios exclusivos e discricionários quando da distribuição da subvenção econômica, como se estivesse à frente de recursos próprios".

A motivação para as acusações dos exportadores é econômica. O dinheiro dos subsídios fortalece as cooperativas política e economicamente. Elas respondem por cerca de 40% da produção e têm crescido a uma média de 5% ao ano, segundo informação da Cooparaíso. A matéria, de Elvira Lobato, foi publicada na Folha de São Paulo, adaptada e resumida pela Equipe CaféPoint.
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Rodrigo Reis de Azevedo
RODRIGO REIS DE AZEVEDO

CARMO DO RIO CLARO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 27/08/2008

A Cooxupé distribuiu todo o valor arrematado do Pepro aos seus cooperados. Teve cooperado que recebeu R$ 1.000 e cooperado que recebeu R$ 200.000, o que não diferenciou o cooperativismo, pois, os direitos foram iguais, de acordo com a quantidade de sacas depositads na cooperativa.

Devemos lembrar que a cooperativa, embora na sua maioria seja composta de pequenos produtores que produzem até 300 sacas, também é composta de grandes produtores que, pelo estatudo, têm o mesmo direito do pequeno.

Vale lembrar o que o colega Onivaldo de Campinas disse: ele é pequeno produtor e nem sequer ficou sabendo do Pepro. A Cooxupé pagou todos seus cooperados, desde o menor ao maior, nas devidas proporções.

O que precisamos ter em mente é que sem as cooperativas nós não chegaremos a lugar algum!
Onivaldo
ONIVALDO

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 25/08/2008

Em minha região, somos todos pequenos produtores cooperados, nao recebemos nenhum aviso do Pepro. Tem como saber se nosso CPF foi usado pela Cooperativa para favorecer os grandes produtores?
Cláudio José da  Fonseca Borges
CLÁUDIO JOSÉ DA FONSECA BORGES

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 25/08/2008

Isso é cooperativismo ou coorporativismo?