Pepro: Cooxupé tem dificuldade nas negociações

Além de ouvir a classe produtora, o Mapa pretende analisar as propostas encaminhadas pelo setor industrial, representado pela Abic e a classe exportadora, encabeçada pelo Cecafé. "Infelizmente, as propostas levantadas por esses órgãos não apontam soluções para a realização da segunda edição do Pepro, mas dificultam a participação das cooperativas no processo", destacou Carlos Paulino, presidente da Cooxupé.

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"Se as cooperativas de café não participarem do Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor), de que forma os pequenos produtores receberão os benefícios?". Com esta indagação, o presidente da Cooxupé (Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé Ltda), Carlos Paulino da Costa, destaca o fato de ser imprescindível a participação das cooperativas de café neste programa social do governo federal.

A exemplo de 2007, o Pepro será novamente lançado este ano para melhorar a renda do produtor agrícola. "Representamos uma cooperativa formada por 11.000 associados. Eles são, na grande maioria, pequenos produtores, os que mais sentem os impactos do aumento dos custos de produção, e devem ser beneficiados pelo programa", ressalta Carlos Paulino. Ele destaca o fato de o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) ter sugerido, às cooperativas, que apresentassem soluções visando aperfeiçoar a primeira edição do Pepro, em 2007.

"Foi com esta finalidade que nos reunimos, nesta quarta-feira, com presidentes de cooperativas e representantes da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Nossas propostas, elaboradas ontem, foram encaminhadas ao Ministério da Agricultura", disse Carlos Paulino. O encontro aconteceu em São Paulo, na sede do Conselho Nacional do Café (CNC).

Esta não foi a primeira vez que as cooperativas se mobilizaram para traçar tópicos a serem apresentados ao governo federal. Técnicos de várias cooperativas se reuniram na Cooxupé, na terça-feira, 29, com este propósito; em 24 de julho, cooperativas integrantes do CNC reuniram-se com o secretário-executivo do MAPA, Silas Brasileiro, para estabelecer metas para a segunda edição do Pepro. Antes disso, em 21 de julho, representantes de cooperativas já haviam se encontrado na Cooparaíso, em São Sebastião do Paraíso, com a mesma finalidade. Quando se reuniu com o setor produtivo, o secretário Silas Brasileiro destacou que o objetivo do programa é justamente incentivar a participação de mais produtores.

Além de ouvir a classe produtora, o Mapa pretende analisar as propostas encaminhadas pelo setor industrial, representado pela Abic - Associação Brasileira da Indústria de Café - e a classe exportadora, encabeçada pelo Cecafé - Conselho dos Exportadores de Café do País.

"Infelizmente, as propostas levantadas por esses órgãos não apontam soluções para a realização da segunda edição do Pepro, mas dificultam a participação das cooperativas no processo", destacou Carlos Paulino. "Se as cooperativas ficarem de fora, de que maneira o pequeno produtor terá acesso a esse programa de cunho social?", complementa.

O superintendente comercial para café da Cooxupé, Lúcio de Araújo Dias concorda, citando dados do CNC: "os que participaram do Pepro, em 2007, tiveram condições de estocar o café e aguardaram o melhor momento para comercializar a sua produção. Com isso, a renda da cafeicultura brasileira melhorou em mais de R$ 1 bilhão".

Na opinião do presidente Carlos Paulino e do superintendente Lúcio Dias, os reflexos dessa geração de renda nas comunidades que se beneficiam do setor cafeeiro, são indiscutíveis". Eles concluem: "não é mais sensato trabalharmos na realização de iniciativas que favoreçam toda a cadeia do café, ao invés de ficarmos discutindo endividamento depois? Então, por que deixarmos a classe produtora de fora desse programa de cunho social?".
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ANTONIO AUGUSTO REIS
ANTONIO AUGUSTO REIS

VARGINHA - MINAS GERAIS

EM 01/08/2008

Prezados senhores participantes das rodadas de negociações sobre o PEPRO (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor)

Em primeiro lugar, causa-me estranheza que o MAPA além de ouvir a classe produtora, pretende analisar e acatar também as propostas encaminhadas pelo setor industrial, representado pela Abic - Associação Brasileira da Indústria de Café - e a classe exportadora, encabeçada pelo Cecafé - Conselho dos Exportadores de Café do País. Se as sugestões forem para aliviar um pouco as dificuldades financeiras dos produtores, rendo as minhas homenagens e retiro a minha estranheza. Se for para prejudicar, o meu repúdio (não estão preocupados com as nossas dificuldades).

O PEPRO nesse caso não existe para atender outros segmentos da cadeia. Existe para atender o segmento que produz e que sente diretamente os impactos do aumento galopante dos custos de produção. Portando o alvo do beneficiamento do programa é exclusivamente da classe produtora, de mais ninguém.

Acredito que o máximo que acontece com os demais segmentos é ter um pouco mais de dificuldade na comercialização dos nossos produtos quando o preço sobe. Já nós, produtores, estamos carregando um passivo enorme de dívidas, sem vislumbrar melhorias na renda que a cada dia complica mais.

A venda do nosso produto está cada vez mais distante do custo atual. Para se produzir uma saca de café hoje gasta-se R$ 320,00, com uma produtividade de 30 sacas por hectare (maior que a média brasileira que é de 20 sacas, onde o custo é ainda maior).

Não podemos tolerar interferências que venham prejudicar o andamento das negociações na aplicação do PEPRO. O mesmo é uma ótima ajuda do governo aos produtores e carecemos da sua disponibilização o mais rápido possível.

Para que o PEPRO funcione bem, o mesmo deve ser associado sempre a uma pré-comercialização com valor próximo aos atuais preços de mercado, para se conseguir o resultado num menor espaço de tempo (e não com valores abaixo de R$ 200,00/saca pré-comercializada).

Quanto à forma, entendo que pelo menos 90% do total disponibilizado, devem ser geridos sem burocracia através das nossas cooperativas e associações de produtores (onde provavelmente estão congregados mais 95% de todos produtores de café do país). O grande objetivo da medida é dar sobrevida ao produtor e não dificultar como querem alguns segmentos...

As cooperativas e associações são as nossas forças. Quero chamar atenção dos produtores nesse particular. Precisamos participar e envolver mais com assuntos do nosso interesse. Participe !

Como o instrumento hoje é bem mais conhecido da classe produtora, a adesão também com certeza, será bem maior pelos pequenos produtores, atendendo assim, o caráter social do instrumento.