Pepro: Cooxupé põe em dúvida nova edição do prêmio

A Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé) avalia que as mudanças no programa de subvenção ao café (Pepro - Prêmio Equalizador pago ao produtor) deste ano podem travar o mercado físico no Brasil e ainda põe em dúvida a capacidade de o mecanismo impulsionar os preços, como ocorreu no ano passado, segundo Lúcio Dias, superintendente comercial da maior cooperativa cafeeira do mundo.

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A Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé) avalia que as mudanças no programa de subvenção ao café (Pepro - Prêmio Equalizador pago ao produtor) deste ano podem travar o mercado físico no Brasil e ainda põe em dúvida a capacidade de o mecanismo impulsionar os preços, como ocorreu no ano passado, segundo Lúcio Dias, superintendente comercial da maior cooperativa cafeeira do mundo.

Para Dias, o cafeicultor tende a segurar vendas enquanto as cotações no físico não atingirem o valor mínimo estipulado pelas novas regras para o pagamento do prêmio. "O mercado vai travar nas quatro rodas. Já estava muito travado. Com essa notícia, acho que não vai ter fluxo de café enquanto o mercado não pagar os preços acima do nível (para viabilizar o pagamento do Pepro), enquanto o produtor não tiver certeza de como vai funcionar o leilão", declarou Dias.

O produtor só recebe o prêmio se vender o seu produto pela diferença entre o preço de referência (R$ 300 por saca) e o Pepro fixado no leilão, cujo valor inicial será de R$ 25 por saca - o leilão é realizado com lances decrescentes. "Se você tivesse mil sacas de café para vender, com a possibilidade de vender a R$ 275 e ganhar um prêmio do governo de R$ 25 por saca, e o mercado estiver a R$ 270, você venderia?", perguntou o superintendente.

Por hipótese, considerando a cotação atual (base Indicador Cepea/Esalq) de R$ 265 por saca, o produtor realmente não conseguiria exercer o seu direito de ganhar o prêmio, pois dificilmente venderia o produto no nível mínimo de preço para o Pepro (de R$ 275). Na quinta-feira, o Conselho Deliberativo da Política do Café (CDPC) estabeleceu um prêmio inicial para o leilão menor do que aquele que valeu para as operações do ano passado, de R$ 40 por saca.

Na avaliação da Cooxupé, o preço de referência deveria ter sido elevado para R$ 315. "Queríamos trabalhar com um valor de referência um pouco acima porque estamos vendo que a safra de café este ano tem se demonstrado um pouco abaixo do que diziam as previsões de mercado", disse ele, observando que os custos, além de uma safra menor ante as expectativas, estão mais altos.

Apesar de algumas restrições às novas regras, o superintendente da Cooxupé, afirmou que o setor produtivo não pedirá mudanças nos pontos principais do programa definido pelo CDPC, reivindicando apenas algumas adequações. Uma portaria interministerial, com o aval dos ministérios da Agricultura, Fazenda e Planejamento, deverá regulamentar as novas regras, e o primeiro leilão de Pepro deverá ser realizado no início de outubro.

Levando em conta o Pepro e o mercado, Dias avalia que os preços podem não receber o impulso verificado no ano passado, por ocasião da implantação do programa. "O Pepro do ano passado teve o objetivo de fazer o preço melhorar, mas esse aí vai ficar meio perdido, não sei se vai ser um bom programa." As informações são da Reuters.
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luiz gustavo reis chaves
LUIZ GUSTAVO REIS CHAVES

TRÊS PONTAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 09/09/2008

Acho que esta disputa entre as Cooperativas e o Governo, que está gerando um atraso na definição sobre o Pepro, está prejudicando em muito o Cafeicultor, sendo certo que a maioria não terá nenhuma saca de café para negociar se este impasse continuar.

Sou da opinião que o Governo deve atender às solicitações das Cooperativas, pois elas conhecem a realidade do setor cafeeiro.