Paulo Henrique Leme: precisamos trabalhar com estratégia e inteligência

Em entrevista ao CaféPoint, Paulo Henrique Leme (PH), consultor em marketing estratégico no agronegócio pela P&A Marketing Internacional, falou sobre sua participação durante a Conferência Mundial do Café (WCC) na Guatemala, além de comentar sobre a sustentabilidade da produção brasileira de café frente aos demais países produtores. "De nada adianta preservar o social e ambiental se o produtor não estiver ganhando dinheiro para poder se manter na atividade e manter a sustentabilidade ambiental e social", afirma PH.

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Paulo Henrique Leme (PH) é consultor em marketing estratégico no agronegócio pela P&A Marketing Internacional. PH esteve presente na Conferência Mundial do Café (WCC) na Guatemala, entre os dias 26 e 28 de fevereiro, onde estiveram presentes representantes de diferentes países e de todos os setores da cadeia do café como: produtores, representantes políticos das principais associações produtoras de café, membros de países consumidores, empresas produtoras. " Foi interessante poder conversar com representantes de todo o mundo", afirmou ele.

Ouça abaixo a entrevista na íntegra.











Figura 1


Confira os destaques da entrevista.

"Foi muito bem colocada a escolha do tema, mostrando a sustentabilidade em seus três pilares: econômica, social e ambiental."

"O que se percebeu, principalmente depois da grande crise de preços, é a maior atenção voltada para sustentabilidade econômica. As pessoas começaram perceber que de nada adianta preservar o social e ambiental se o produtor não estiver ganhando dinheiro para poder se manter na atividade e manter a sustentabilidade ambiental e social."

"É muito melhor para o mundo que os produtores de café tenham uma condição econômica boa para que não migrem para cidade, provocando inchaço das cidades e consequentemente problemas sociais graves."

"A comparação de o Brasil ser mais sustentável que outros países é relativa, pois o País se encontra em um estágio de desenvolvimento muito mais avançado que a África, por exemplo. O que temos no Brasil são leis mais rígidas que a maioria dos países produtores de café, e nós temos que seguir essas leis."

"Existe um grande abismo entre a cafeicultura brasileira e a cafeicultura no resto do mundo. No Brasil, consideramos pequenos produtores, aqueles abaixo de 20 ha. Quando comentei isso com o pessoal na Guatemala eles deram risada pois as áreas deles variam de 2 a 5 ha, sendo grande produtor o que possui 5 ha."

"O Brasil precisa mostrar ao mundo as diferenças da produção do seu café."

"Durante a Conferência Mundial o Brasil foi bem representado na área institucional pelo secretário de agronenergia Manoel Bertone, que mostrou quão importante o Brasil foi e é para cafeicultura mundial, quanto que o Brasil já cedeu para cafeicultura mundial, o papel do País para o estoque mundial de café, entre outros."

"Na área técnica a participação do Brasil foi boa, mas na área de marketing o País não estava representado."

"Acho que faltou mais ousadia para o Brasil mostrar seus cafés lá. As vezes perdemos a oportunidade de mostrar principalmente a diversidade dos nossos cafés."

"Precisávamos investir um pouco mais em marketing para mostrar o tanto que nosso café é diferenciado."

"Existem muitos problemas em comum entre os países produtores de café, principalmente na área de manejo, formação de estoques, comunicação entre produtores e valorização do trabalho dos produtores e de seus funcionários."

"Precisamos pensar em como podemos trabalhar para melhorar esse sistema de colheita que afeta diretamente na qualificação e disponibilidade de mão-de-obra."

"Somos um grande supermercado do café. Temos qualidades diferentes e podemos produzir diversos tipos de cafés."

"Temos que divulgar os cafés brasileiros, trazendo compradores internacionais para conhecer o Brasil, valorizar os aspectos de cada região, trabalhar em conjunto com a participação em feiras internacionais, entre outros."

"O café no Brasil é considerado uma commoditie, com preços abaixo de outros produtos. Nós temos cafés raros e isso tem que ser mostrado para os demais países."

"Não é simplesmente colocando o café brasileiro na bolsa de Nova York que o preço no Brasil vai melhorar. Precisamos trabalhar com inteligência e estratégia na formação de estoques, saída de estoques, para que não falte café para os industriais e exportadores."

"Precisamos aproveitar a oportunidade da falta de suaves e lavados no mercado internacional para posicionar o nosso cereja descascado no mercado."

"O CaféPoint é uma fonte de conexão muito grande, onde conseguimos nos conectar com o mundo do café."
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Luiz Fernando Vilela de Andrade
LUIZ FERNANDO VILELA DE ANDRADE

JOAQUIM TÁVORA - PARANÁ - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 26/03/2010

Penso o seguinte:

Temos a maior produção mundial
Temos os cafés da melhor qualidade
Só que somos bobos:
Não sabemos vender
Não sabemos fazer marketing de café
e ficamos ai com cara de bobões

Uma saca de café tendo qualidade vale mais ou menos R$ 24.000,00 a R$28.000,00, ou seja 160 xicaras por Kg a R$2,00 a xícara.

Os valores são o que menos importa pois sabemos que tem industrias ou expressos que são vendidos a bem mais que isso.

Deveriamos fazer o seguinte:
Premiar o café por qualidade; fazer provas segas de café ; e criar pelo menos uma equipe no ministerio da agricultura que pelo menos brigasse pelo café, já que com a extinção do IBC até hoje ninguem se preocupa com isso, e o pior, até vendem café abaixo do preço no mercado internacional. Grandes brasileiros são esses.

Ai fica a pergunta:
Quem ganha dinheiro com isso já que o produtor que é o maior interessado em ter o seu trabalho valorizado até hoje só perde dinheiro e se abusar perde até a propriedade?

Uma lição:
Somos os maiores produtores de café a nivel mundial e também somos os maiores palhaços pois produzimos com qualidade e quantidade e entregamos o ouro para o bandido.

Parabens brasileiros
Henrique de Souza Dias
HENRIQUE DE SOUZA DIAS

SERRA DO SALITRE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 25/03/2010

O fato é que estamos vendendo nossos cafés arábicas ,que são iguais e muitas vezes superiores aos dos concorrentes, por pelo menos 150 dólares a menos.
Quem fica com a diferença? Falar em marketing...Nós exportamos café há mais de 180, sei lá, 200 anos., e para o mesmo pessoal.Todo mundo está cansado de saber o que são os cafés do Brasil,ora bolas! Existe alguma mão misteriosa que nos rouba descaradamente.Nós produtores brasileiros não ficamos nem com 1 % do que vale o café na xícara.Façam: as contas um saco de café rende mais 5.000 xícaras ( 5.000 !!!) que são vendidas po 2 dólares ou mais,lembrando que vendemos 50% dos arábicas no mundo.(SINCAL)
Nós somos é roubados! E alguém tem de achar uma saída para isso.
Paulo Henrique Leme
PAULO HENRIQUE LEME

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 25/03/2010

Caro Celso,

Realmente, nada do que disse é revolucionário, mas faz tempo que falamos isso não?

Vemos portas gigantes se abrirem, e no fim das contas, resolvemos nossos problemas dentro da porteira, esquecendo que a estratégia comercial é parte fundamental do sucesso de nosso agronegócio.

Obrigado pelo comentário.

Um abraço,

PH
P&A Marketing Internacional
Paulo Henrique Leme
PAULO HENRIQUE LEME

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 25/03/2010

Caro Adilson,

Muito obrigado por seus comentários. Vamos por partes. Na minha opinião, a responsabilidade do marketing dos cafés do Brasil é de todos, do produtor ao exportador. Falta coordenação entre todos os elos, pois ficamos nos preocupando, cada um de nós com nossos próprios problemas: dívida do produtor, baixa remuneração do torrado e moído, impostos de exportação, taxação do solúvel, etc... Vivemos sim de ações isoladas, que são bem feitas, mas por serem isoladas não tem o efeito global que precisamos.

Quanto a presença do nosso café na bolsa de NY, acho que isso é importante sim, pois cria um piso internacional para nossos cafés. Isso não vai revolucionar o mercado do dia para a noite, mas é importante.

As Associações tem e terão um papel cada vez mais imortante como articuladoras dos interesses comuns de produtores de cada região. São as Associações que podem promover eventos conjuntos, receber delegações, organizar viagens e competições de qualidade, criar uma marca, obter uma indicação geográfica, etc. Começa aí uma pequena revolução regional, e o marketing nada mais é do que isso. Neste aspectos, temos bons exemplos no Brasil também.

Saber o preço de sua saca é o começo da organização profissional do produtor de café. Essa simples conta, como você bem disse, traz um poder organizacional muito grande ao cafeicultor. Sem esse dado, é impossível ganhar dinheiro.

Obrigado mais uma vez.

Um grande abraço,

Paulo Henrique Leme
P&A Marketing Internacional
Celso Luis Rodrigues Vegro
CELSO LUIS RODRIGUES VEGRO

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 25/03/2010

PH
Seu relato de impressões sobre o Simpósio da OIC mostra que em determinados assuntos o gigante ainda dorme em berço explêndido. Sorte de nossos concorrentes. Sem pretenções vangardistas creio que alguns dos desafios que você listou estão por muito tempo na agenda de nossas preocupações e demandando cada vez mais de nossa capacidade em gerar medidas fortalecedoras do agronegócios café.
Celso Vegro
Paulo Henrique Leme
PAULO HENRIQUE LEME

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 24/03/2010

Caro Diogo,

Sua observação é pertinente. Apesar da Conferência Mundial ser um evento muito mais político e institucional do que um evento para falar com compradores internacionais, como as feiras da SCAA, SCAE, etc., realmente sentimos falta da presença dos Cafés do Brasil e de sua diversidade de cafés no evento.

Na minha opinião, a responsabilidade é de todos, produtores, industriais, exportadores, traders... Afinal, quem iria ganhar com isso é toda a cadeia do café, não é verdade?

Enquanto aqui dentro um deixa para o outro, lá fora, o espaço deixado por nós, poder ser ocupado por outros.

Obrigado pelo comentário e um forte abraço,

Paulo Henrique Leme (PH)
P&A Marketing Internacional
Adilson de Paula Rezende
ADILSON DE PAULA REZENDE

LAVRAS - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 24/03/2010

Prezado colega de profissão,

Gostei muito dos aspectos aos quais você colocou em sua belíssima matéria,parabéns...

Vou aqui colocar mais um pouco de lenha de café para que o fogo não se apague,ok!

De quem seria a responsabilidade,ao seu ponto de vista,a(s)pessoa(s) responsável(eis) por divulgar nosso produto lá fora,se nem aqui dentro(Brasil) faz um trabalho de MARKETING? Porque devemos nos submeter aos outros (bolsa de Nova York) para colocarem preço em nosso café,se somos o MAIOR PRODUTOR DE CAFÉ DO MUNDO? Acho que deveríamos trabalhar para que a BM&F começasse a vender nosso café, assim Empresas poderiam comprar aqui no Brasil o seu produto. Acho que caberia as nossas Associaçõens o Papel de fazer o trabalho de MARKETING, pois são elas que "estariam"mais próximo dos nossos produtores que ainda pensam que produzir café é um mal negócio, sendo que se agregarmos valor ao nosso produto e formos competentes na produtividade, produzindo mais em menor área, utilizando uma maior tecnologia, conseguiriamos obter lucro em nossa atividade.

Qual é o produtor que realmente sabe o custo REAL de uma saca de café? eu sei quanto custa esta saca, portanto sei qual é o melhor momento de vender(travar).

Um grande abraço....
ADILSON-EPAMIG
Diogo Dias Teixeira de Macedo
DIOGO DIAS TEIXEIRA DE MACEDO

SÃO SEBASTIÃO DA GRAMA - SÃO PAULO

EM 23/03/2010

Olá PH,

Fico na pergunta novamente: De quem seria a responsabilidade pelo marketing internacional do: CaféS do Brasil? Como disse no peabirus, CaféS com "S" maiúsculo para mostrar a diversidade de tipo de café que o Brasil produz. A quem interessa saber disso? A nós produtores ou aos consumidores?

Como pode o maior produtor mundial não mostrar a cara em um evento como este ... todos os outros países produtores de significância tinham um estande, menos o Brasil!!!

É aí que está o erro ... um deixa para o outro ... que deixa para o outro ... e vamos ficando nisso.