Paulo H. Leme comenta sobre a crise da cafeicultura

O leitor do CaféPoint Paulo Henrique Leme, consultor em marketing estratégico no agronegócio, de Bragança Paulista/SP, enviou um comentário ao artigo "<U>Nem preto nem branco: cinza</U>". Acesse e leia a carta na íntegra.

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O leitor do CaféPoint Paulo Henrique Leme, consultor em marketing estratégico no agronegócio, de Bragança Paulista/SP, enviou um comentário ao artigo "Nem preto nem branco: cinza". Abaixo leia a carta na íntegra.

"Prezada Professora Sylvia Saes,

Parabéns pela clareza do artigo. Realmente os pontos levantados pelos Senhores Luiz Hafers e Marcelo Viera são cruciais para o futuro da cafeicultura brasileira.

Por outro lado, vale ressaltar que esta é uma situação longa o suficiente para vermos que alguns cafeicultores médios já conseguiram obter êxito em sair deste "cheque". O sucesso deles está no que chamamos de "gerenciamento" ou "gestão" de sua empresa rural. Os vencedores buscaram saídas, como por exemplo, os nichos de mercado propiciados pelas inúmeras certificações nacionais e internacionais; a integração vertical, torrando seus melhores lotes e partindo para o varejo; ou então, aqueles que detinham capital, buscaram tornar-se grandes. É claro que não é mágica, é trabalho duro, e em muitos casos, com muita união.

Por sua vez, você tem toda razão ao questionar a eficácia de se pagar para retirar os ineficientes, pois quem pode garantir que não voltarão ao café no primeiro momento de bonança. Este com certeza é outro grande problema a ser resolvido.

Realmente, teremos muitos desafios para 2010, e como o pessoal andou elencando seus desafios, eu também tomo a liberdade de elencar os meus "3D":

1. Gerenciamento, para aumentar eficiência produtiva;

2. Marketing, para abrir novos mercados;

3. Diálogo, para unir o setor.

Um forte abraço e parabéns novamente!

Paulo Henrique Leme (PH)
Consultor em Marketing estratégico no agronegócio
P&A Marketing Internacional"

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Alemar Braga Rena
ALEMAR BRAGA RENA

VIÇOSA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 18/02/2010



Henrique:

Tudo o que você disse agora é corretíssimo, e jovem é mesmo outra coisa. Realmente toda atividade biológica é sigmoidal, até a dos impérios. Além do mais, plantas carregadas e de pequeno porte tornam a colheita mais barata, especialmente na montanha, onde quase toda ela é manual. O adensamento é outro caminho fundamental. Estamos de acordo em tudo!

Mas, já disse isso aqui; tenho 70% das lavouras com mais de 25 anos, ainda produzindo mais 35 sacos/ha, com custos operacionais de cerca de R$ 200. Os 25% de lavouras de 4 anos, com 6000 plantas/ha dão uma surra, é verdade! Há alguns testes por aqui com 30 mil plantas por há, com média das três primeiras safras acima de 200 sacos/ha. Mas o custo de implantação é altíssimo e tem que chover bem, ou ter irrigação. Estamos pensando em renovar; temos que fazê-lo. Mas ainda estamos estudando os custos/benefícios.

Agora atente para um detalhe. A gritaria é que os pequenos e médios estão na UTI. A maioria vive do café. Um pé de café bem formado, até os 30 meses, quando se tem a primeira safra, fica, na melhor das hipóteses, por R$ 3,00. Será que eles não viriam a óbito antes da primeira colheita? Agravante: não há financiamento pra isso; mesmo que houvesse, os 6,75% de juros do Banco do Brasil é uma falácia, e no final das contas, depois de todos os encargos, sobem para 12%. E o banco não empresta pra quem está na pior!

Se a lavoura "velha" foi bem implantada, o clima e o solo ajudam, não seria melhor recuperá-la com boa assistência técnica? Pelo menos até que os preços venham ajudar? São questões difíceis de responder, não é?

Agora, aquele que não vive do café, ou está capitalizado, não tem o que pensar. É manter lavouras novas. Só acho que os 15 anos podem ser um pouquinho esticados, com mais tecnologia!

Não sabia que o seu Dias vinha dos Carvalho Dias. Ainda bem que você confirmou o que eu disse! Fui professor do barulhento e grande Gustavinho (que Deus o tenha!) e do Jorge, além de conhecer os vários outros agrônomos da família, formados na UFV e na ESALQ.

Foi um prazer argumentar com você.

Saudações

Rena
Henrique de Souza Dias
HENRIQUE DE SOUZA DIAS

SERRA DO SALITRE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 14/02/2010

Prezado Rena

O café de mais de 15 anos certamente produz, com muita técnica e capital de giro, mas não a custos comparativamente melhores.
Também conheço as lavouras antigas ( não velhas ) produtivas ( nem tanto ) até com mais de 120 anos, de meus parentes de Poços, os Carvalho Dias. Ali temos as exceções à regra, onde conta o microclima,o solo , a variedade Bourbon ( e o capricho ).

Mas o fato mais comum, em tôdas as regiões do país, é o abandono de lavouras velhas, o café nômade, deixando um rastro de riqueza efêmera. Basta ver o que aconteceu no Vale do Paraíba, em São Paulo e no Norte do Paraná. O Sul de Minas, que já tinha café, renasceu com lavouras novas, após a geada de 1975, que já estão ficando velhas e pouco produtivas. É só ver a reclamação do pessoal. A curva de produtidade é senoidal, você sabe disso. Ainda não vi nenhum ensaio de lavouras com mais de 10 anos. Há alguns do IAC, muito antigos, e sem comparação com os cafezais de hoje.Se você tiver, gostaria de ver. Também quero saber onde está o êrro.

Insisto que a renovação é essencial para enfrentar ,com custos menores e altíssima produtividade, as injustiças do mercado.
Já tive lavouras adensadas que produziram mais de 200 sacos limpos por hectare !


Um abração

Henrique
Alemar Braga Rena
ALEMAR BRAGA RENA

VIÇOSA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 10/02/2010

Estimado Henrique de Souza Dias:

Esperei que alguém contestasse suas afirmações, mas vejo que ninguém teve coragem, ou interesse. Daí o atrazo, agora, de minhas "certezas", se é que isto existe!

É verdade que o tempo e as podas, pricipalmente as "recepas", muito drásticas, causam degenerescência progressiva do sistema radicular, deixando as plantas mais sensíveis às variações de clima, solo (físicas ou químicas), pragas/doenças e "super-cargas". A pesquisa tem demonstrado isso à exaustão. A parte aérea, que depende do "cerebro" raízes, não mais responde aos tratos culturais, como antes. Chico Anísio cansou de dizer que "jovem é outra coisa"! E é verdade.

Mas, daí dizer que o cafeeiro depois de 15 anos é improdutivo, e deve ser substituído, implica algo errado no manejo da cultura. Você não é o único que pensa assim. Especialmente para aqueles que estão satisfeitos com 35 sacos beneficiados por hectare, que não esgota a planta bem cuidada, e realmente representa o limiar onde a satisfação com a cafeicultura começa, principalmente quando os preços médios estão acima de R$ 300 a saca. Estou cansado de ver lavouras, seja no Triângulo Mineiro, Zona da Mata Mineira, Sul de Minas, São Paulo, Espírito Santo, Paraná, e mesmo no certão seco da Bahia, com mais de 30 anos e produzindo bem obrigado, às vezes com mais de 40 sacos/ha. E sem irrigação!

Ví, há uns trinta anos, em Poços de Caldas, uma lavoura de Bourbon com cerca de 80 anos de idade, dos Carvalho Dias, produzindo compensadoramente. Logo o Bourbon, tão sensível ao clima, adubações e doenças!

Onde está o erro? Com certeza não está na idade da planta ou na poda! Aliás, a poda, como tecnologia padrão, no Brasil tem apenas cerca de 30 anos. Mas, no resto do mundo é secular. Mesmo as pessoas não sendo "gênio" por lá.

Saudações

Rena




Paulo Henrique Leme
PAULO HENRIQUE LEME

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 09/02/2010

Caro Willem,

Obrigado pelos comentários. Você tem razão, extinguir os rótulos de familiar, médio e grande é algo que precisa ser encarado pelo agronegócio como um todo, não apenas no café. Estes rótulos perdem o sentido quando olhamos a propriedade rural como um negócio rural.

Talvez, o rótulo mais correto seja produtor eficiente versus produtor ineficiente. Neste caso, não importa o porte, pois temos exemplos bem sucedidos de produtores familiares extremamente eficientes e outros tantos exemplos de grandes produtores com alto nível de ineficiência.

Infelizmente, qualquer tipo de política artificial de aumento do valor de produtos do agronegócio cobra um preço alto no futuro, pois mantém o ineficiente no mercado, aumenta a produção e, consequentemente, deprime os preços. Realmente, é uma encruzilhada cruel.

Fica uma questão: como evitar a quebradeira geral dos produtores de café do Brasil, o que causaria um desastre social no campo? Boa pergunta.

A resposta para esta pergunta e a estratégia para sairmos desta encruzilhada pode estar na criação de um programa de diversificação da lavoura cafeeira, introduzindo culturas parceiras ao café, culturas substitutas, linhas de financiamento, apoio da pesquisa e extensão, etc. Isto aliado a um forte programa de gerenciamento da lavoura cafeeira, que manterá os eficientes no mercado e ensinará os ineficientes o caminho do sucesso.

Eu sei, é muito mais complicado do que pagar para erradicar o café, porém, no médio e longo prazo, os resultados serão excelentes pata toda a economia local e para a própria cafeicultura.

Um forte abraço,

Paulo Henrique Leme
P&A Marketing Internacional
Willem Guilherme de Araújo
WILLEM GUILHERME DE ARAÚJO

GUAXUPÉ - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 05/02/2010

Concordo com o colega Paulo Henrique Leme e acrescento que hoje no mundo, devido a globalização dos negócios, não temos mais lugar para o ineficiente, o improdutivo. Não vivemos mais o tempo da bonança do crédito fácil e dos preços supercifiais que refletiam somente os interesses politicos. Infelizmente a festa acabou e não avisaram os produtores brasileiros que se viram na rua, de uma hora para outra, sem crédito, sem assistência e a mercê de um mercado externo mais competitivo que se estruturou durante os ultimos 30 anos, enquanto em nosso país viviamos o Milagre Economico. O bolo cresceu, foi bem repartido, só que os produtores brasileiros não comeram sequer um pedaço. Assim, não basta prorrogar a dívida dos cafeicultores ou estaqbelecer um saca de café a 200 dólares. Se não ocorrer uma mudança radical na forma como encaramos a agricultura, acabando com os rótulos de produtor médio, agricultor familiar, produtor grande e sim olharmos como membros de uma unica cadeia, não teremos uma solução definitiva para a cafeiultura brasileira. E é claro, a produtividade conta sim, não podemos subsidiar lavouras que produzem 10 sacas por hectare, é inconcebivel uma situação desta. Devemos privilegiar aqueles que produzem com eficiencia e criar alternativas para que aqueles que tem dividas vencidas ou não conseguem mais ser competitivos saiam da atividade cafeeira e tenham uma nossa atividade, preferencialmente no meio rural.
Pétrus Nunes Saponara
PÉTRUS NUNES SAPONARA

POÇOS DE CALDAS - MINAS GERAIS

EM 04/02/2010

Ditadura para tirar o Lula

Duzentos e cinquenta dólares a saca

Durar até que isso aconteça.
Henrique de Souza Dias
HENRIQUE DE SOUZA DIAS

SERRA DO SALITRE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 04/02/2010

O mais importante para a cafeicultura é a PRODUTIVIDADE. E o que os nossos analistas esquecem é que a produtividade do café é inversamente proporcional à idade das plantas".

À medida que as plantas envelhecem e param de lançar novos ramos plagiotrópicos - os horizontais e que produzem - deixam de produzir com volume. É comum observar lavouras lindas ,escuras,muito bem adubadas mas com uma produtividade mediocre. Só no ponteiro e duas ou três rosetas na ponta dos ramos horizontais. Podas e desbastes resolvem o problema por curto prazo.Existem exceções de alguns " gênios" da poda.
A moderna lavoura de café dura no máximo, sem dar prejuízo, de 12 a 14 anos.
Os felizes de hoje que têm lavouras novas, serão os endividados de amanhã. Infelizmente as varidades de hoje são muito precoces e pouco longevas.
Como sempre existem novos plantios a oferta total não cai e os preços não sobem.