A semana passada apresentou-se turbulenta em todos os mercados. O de café foi um dos que mais sofreu. Mal defendido, os preços do café cedem a cada semana, sempre com a mesma explicação: “a expectativa de uma ampla oferta de cafés do Brasil”. Os números usados pelo mercado não batem com os divulgados pela CONAB e Ministério da Agricultura (que não se pronuncia sobre a inacreditável divergência entre seus números de safra e os do mercado) e nada mais entra nas análises dos operadores.
Aumento do consumo interno e bom desempenho das exportações (deveremos terminar o ano safra, no final deste mês de junho, com o terceiro melhor volume de café exportado em nossa história. Entre consumo interno e exportação neste período desaparecerão mais de 50 milhões de sacas de café), alta do dólar, aumento da inflação, do preço dos insumos, do custo de mão de obra, a melhoria de qualidade de nossos cafés, as certificações, os fortes problemas com ferrugem nos cafezais da América Central e do México, um dos menores estoques de café da história nos países consumidores de café, o contínuo aumento do consumo mundial de café, nada disso interessa aos analistas, apenas “a expectativa de uma ampla oferta de cafés do Brasil”. Se o problema é realmente este, não está difícil do Ministério da Agricultura defender a renda do cafeicultor brasileiro e a receita cambial do País.
O CEPEA informou na semana que o diferencial de preços entre o café arábica tipo 6 bebida dura para melhor e tipo 7 bebida rio chegou no final de maio último a apenas R$ 15,74 reais por saca. Como comparativo em janeiro de 2011 essa diferença era de quase 180 reais. Esse estreitamento se deve, principalmente, à grande pressão sobre o tipo 6, muito usado na exportação, que desvalorizou 14,5% desde o primeiro dia útil de 2013, enquanto as cotações do tipo 7 bebida rio, recuaram bem menos, apenas 4,1% no mesmo período. A força do consumo interno brasileiro, o segundo maior do mundo e que só utiliza cafés produzidos no Brasil, deu sustentação ao tipo 7 bebida rio, estreitando os diferenciais.
A matéria é do Escritório Carvalhaes, resumida pelo CaféPoint.
Panorama do café da semana por Escritório Carvalhes
Segundo análise do Escritório Carvalhaes, analistas se interessam apenas pela "expectativa de uma ampla oferta de cafés do Brasil". Se o problema é realmente este, não está difícil do Ministério da Agricultura defender a renda do cafeicultor brasileiro e a receita cambial do País.
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