Panorama de mercado: o dólar no centro das atenções

De acordo com especialistas, a cotação do café nas Bolsas Internacionais vem caindo com força, acompanhando o recuo dos preços do petróleo, mas é improvável que as cotações das commodities apresentem recuo significativo a ponto de reverter a situação atual das exportações. A espera de uma grande safra para o período 2008/09 tem sido um importante fator baixista para as cotações do grão, mas leilões de Pepro devem trazer mais restrição da oferta de café. O dólar pode chegar a R$ 1,50.

Publicado por: CaféPoint

Publicado em: - 7 minutos de leitura

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Segundo o Escritório Carvalhaes, a cotação do café nas Bolsas Internacionais vem caindo com força, no rastro do recuo dos preços do petróleo. Desde o dia 1º de julho, na Bolsa de Nova York, o preço do café, nos contratos para entrega em setembro próximo, já recuou 1.800 pontos, jogando o cafeicultor brasileiro em uma situação difícil e desanimadora. Enfrentando uma colheita caríssima, com o salário mínimo na faixa dos US$ 260 e os custos dos insumos em alta galopante, o produtor de café arábica parece ter chegado a uma situação limite.

As regras para o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro) deste ano ainda estão sendo discutidas com as lideranças do setor, que sugeriram ao governo federal mudanças visando uma transparência maior do programa, com leilões exclusivos para cada região produtora e acesso do mesmo a todos os cafeicultores, que devem ser os beneficiários exclusivos do subsídio previsto.

"Os leilões de Pepro, prometidos para setembro pelo governo, podem trazer mais restrição da oferta de café". A afirmação é do diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Nathan Herszkowicz. Segundo ele, isso pode ocorrer porque o cafeicultor tende a reduzir as vendas, à espera de melhores preços que o possibilitem receber o prêmio dos leilões.

"Os fundamentos de mercado apontam para um equilíbrio entre produção e consumo mundial. Com estoques baixos, é uma questão de tempo para que os preços reajam refletindo o quadro de equilíbrio entre produção e consumo mundial. Os leilões de opções no maior produtor, maior exportador e segundo maior consumidor de café do mundo vão dar sustentação às cotações, permitindo que nossos cafeicultores se remunerem adequadamente", publicou Carvalhaes.

Até o dia 24, os embarques de julho estavam em 1.071.017 sacas de café arábica e 192.913 sacas de café conillon, somando 1.263.930 sacas de café verde, contra 1.151.205 sacas no mesmo dia de junho, com aumento de 9,8%.

A bolsa de Nova Iorque - ICE Futures, até o fechamento da última sexta-feira, 25 de julho, registrou 0,33% de desvalorização para a posição Setembro/08, em uma semana. Em relação ao dia 25 do mês anterior, o acumulado chega a -8,68%. Quando comparado com o início do ano, a posição está 1,22% depreciada. No dia 25 de janeiro, contratos de café previstos para setembro registravam 139,00 cents/lb (comparados com os 137,30 de hoje). Na época, o dólar estava cotado a R$ 1,79, e o valor do contrato em reais era de R$ 329,21/sc.

Tabela 1. Comparativos das principais Bolsas de café

Figura 1

De acordo com a Safras & Mercado, o Brasil encerrou a temporada 2007/08 (julho/07 a junho/08) com exportações totais de café no acumulado de 27,245 milhões de sacas de 60 quilos, tendo queda de 7% no comparativo com a temporada fechada de 2006/07, que foi de 29,351 milhões de sacas. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A receita com os embarques no acumulado 2007/08 no Brasil foi de US$ 4,103 bilhões, apresentando aumento de 11% na comparação com igual período de 2006/07 (US$ 3,703 bilhões). Em junho de 2008, os embarques totais foram de 1,933 milhões de sacas, com queda de 10% sobre junho de 2007 (2,151 milhões de sacas). A receita total em junho foi de US$ 313,0 milhões, com aumento de 11% sobre junho de 2007 (US$ 283,2 milhões).

Segundo informações da Gazeta Mercantil, o governo parece ter se rendido ao fato de que o movimento de valorização do real frente ao dólar é mais forte do que supunha, depois de ter anunciado algumas iniciativas que se mostraram inócuas para segurar o câmbio e ajudar o exportador brasileiro. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, afirmou que não pensa em tomar mais medidas para conter o movimento. "Não faremos nada em relação ao dólar", disse ao sair de evento promovido pelo Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças (Ibef).

De acordo com o ministro, a despeito da melhora na classificação de risco do País (lê-se: grau de investimento) e do ciclo de alta da taxa básica de juros, a Selic, até o momento, não foi observado aumento significativo no ingresso de dólares, que fossem o motivo claro para elevar a cotação do real. Além disso, afirmou, as exportações estão indo muito bem.

Para Miguel Jorge, com exceção do preço do petróleo, que é muito influenciado pela especulação, é improvável que as cotações das commodities apresentem recuo significativo a ponto de reverter a situação atual das exportações. "Pode haver pequena queda (do preço) ou se manter no patamar atual, pois as pessoas na Índia e na China vão continuar comendo", afirmou, complementando que o Brasil tem agricultura mais eficiente e competitiva do mundo e poucos podem concorrer. "Por isso, muitos países não nos deixam entrar".

De acordo com o economista e diretor executivo da NGO Corretora de Câmbio, Sidnei Nehme, há preocupação entre economistas de que a baixa do dólar, que na sua opinião tem chances reais de chegar a R$ 1,50, pode proporcionar uma queda substancial na balança comercial brasileira, principalmente se commodities e dólar estiverem ambos em queda, como aconteceu na última semana.

Em entrevista ao InfoMoney, o economista ressaltou ainda a independência existente entre o dólar interno do dólar externo. Por mais que o dólar externo dê sinais de recuperação frente a outras moedas internacionais, essa tendência não será verificada no mercado interno, que com sua alta taxa básica de juros, vem atraindo cada vez mais os investidores estrangeiros.

Gráfico 2. Cotação do dólar (R$)

Figura 2

Segundo o InfoMoney, poucos elementos tidos até pouco tempo como certos mantiveram sua regularidade e previsibilidade nos últimos meses, dada a intensificação da volatilidade nos mercados. O petróleo, até então em franca ascensão, acumula forte queda nos últimos dias. A Bolsa brasileira, vinda de trajetória de ganhos há nada menos que cinco anos, adentrou na última quinta-feira (24) ao chamado "bear market", penalizada por suas duas maiores blue chips, Petrobras e Vale.

"Em meio a tantas incertezas, a valorização do real frente ao dólar é quase algo imutável, muito embora o mercado cambial seja reconhecidamente um dos mais difíceis de se traçar projeções e um dos mais instáveis. E a despeito da crise do subprime, cujos efeitos se abatem não só sobre os EUA, mas bem como sobre o resto do mundo desde meados do ano passado, a trajetória da divisa brasileira somente ganha cada vez mais força", publicou o site.

No ano de 2006, o dólar comercial se viu decrescido em relação ao real em cerca de 7%. No ano passado, tal enfraquecimento foi da magnitude de 17%. E neste ano, contrariando as projeções de muitos analistas e economistas que acreditavam que o movimento declinante da moeda norte-americana encontraria um piso, a queda já soma mais de 11%. Ainda restam cinco meses para o final de 2008...

Segundo o InfoMoney, muitos são os motivos que estão influenciando a queda da divisa americana em todo o mundo, como o elevado déficit corrente norte-americano, que promove uma enxurrada de dólares no mercado internacional, e, conseqüentemente, o enfraquecimento da moeda, que desta forma, já vinha caindo antes da crise do subprime.

Com o juro básico dos EUA caindo, devido ao estouro da bolha imobiliária no país em julho do ano passado, muitos investidores passaram a investir em regiões que lhes propiciassem maiores retornos nas chamadas operações de arbitragem, como é o caso do Brasil, reforçando o movimento do dólar ao campo negativo.

Para Leonardo Miceli, da Tendência Consultorias, o que realmente pesa sobre a moeda norte-americana é o caráter da atual crise. Diferentemente dos outros períodos de turbulência por qual a economia e os mercados internacionais passaram nos anos 90, desta vez, as incertezas se concentram em torno dos EUA, e não acerca dos países emergentes.

Na projeção de Miceli, "o dólar deve continuar relativamente estável até o final do ano, uma vez que não há mais espaço para grandes oscilações. Seu piso e suporte encontram-se extremamente próximos, entre os R$ 1,55 e R$ 1,65". Desde o início do governo Lula, o real já acumula 124,2% de valorização frente ao dólar.

Conforme dados do Cepea, os preços internos do café estiveram em queda nos últimos dias. Na última quinta-feira, 24, o Indicador Cepea/Esalq do arábica bica corrida, tipo 6, bebida dura para melhor foi de R$ 242,95/sc, baixa de 1,15% em sete dias. A espera de uma grande safra para o período 2008/09 tem sido um importante fator para manter baixas as cotações do grão. Porém, segundo agentes de mercado consultados pelo Cepea, a realização dos leilões do Pepro deve favorecer os produtores, ampliando os valores recebidos.

Tabela 2. Principais Indicadores, Bolsas e cotação do Dólar

Figura 3


Julio Frare, Equipe CaféPoint
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