Panorama de mercado: dólar sobe, caem commodities

O dólar continua se fortalecendo no mercado mundial e atingiu na última sexta-feira o seu maior valor em um ano, enquanto o petróleo recuou para seu menor preço em três meses, arrastando junto as demais commodities, inclusive as agrícolas. A queda foi generalizada, não levando em consideração as análises fundamentalistas, que caminham em sentido contrário. Além do café, caíram o açúcar, a soja, o milho e o trigo.

Publicado por: CaféPoint

Publicado em: - 4 minutos de leitura

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Segundo relatório do Escritório Carvalhaes, não houve nenhuma novidade capaz de apontar para mudanças nos fundamentos positivos do mercado de café na semana passada. As bolsas de futuro cederam e oscilaram bastante. O dólar continuou se fortalecendo no mercado mundial e atingiu na última sexta-feira (15) o seu maior valor em um ano, enquanto o petróleo recuou para seu menor preço em três meses, arrastando junto as demais commodities, inclusive as agrícolas.

De acordo com a The Economist, no mês passado o petróleo registrava alta de 73,7% em relação a mesmo período de 2007. No mesmo intervalo de tempo, o arábica havia valorizado apenas 6,99%, e o conilon, 8,86%. Portanto, teoricamente, o petróleo tende a "devolver" muito mais do que o café, mas a queda dos preços na semana passada foi generalizada, não levando em consideração as análises fundamentalistas, que caminham em sentido contrário. Além do café, caíram o açúcar, a soja e o milho.

"Cresce a cada dia o número de agrônomos e cafeicultores, das mais diversas regiões produtoras do Brasil, que relatam quebras de safra em relação ao estimado antes do início dos trabalhos de colheita. Os volumes previstos pela CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) vão se mostrando os mais realistas, não se confirmando o divulgado por algumas estimativas privadas, que apostavam em números mais altos", afirmou o relatório.

Para Guilherme Braga, diretor-executivo do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), as exportações neste segundo semestre devem ficar em torno de 15 milhões de sacas. De acordo com o jornal Valor Econômico, havia uma expectativa de que os embarques poderiam atingir até 17 milhões de sacas. Para o próximo semestre, os embarques poderão alcançar entre 12,5 milhões e 13 milhões de sacas, totalizando os 28 milhões de sacas para o ciclo 2008/09.

A bolsa de Nova York "ICE Futures", na semana passada, do dia 11 ao dia 15 de agosto, caiu 2,17% para os contratos com entrega em setembro. Em relação ao mesmo dia do mês passado (15 de julho), a desvalorização chega a 5,58%. Desde o início do mês, a posição acumula perdas de 5,21%. Nesta sexta-feira (15), contratos para setembro caíram 230 pontos, cotados a 132,85 cents/lb, ou R$ 287,88/sc.

Tabela 1. Comparativos das principais Bolsas de café

Figura 1


Em Londres, a bolsa de mercados futuros acumulou 6,49% de desvalorização para os contratos com entrega prevista para setembro. Nos últimos trinta e um dias, o acumulado negativo é de 7,29%. Na última sexta-feira, a posição havia recuado 39 pontos, a US$ 2.174 por tonelada, equivalentes a R$ 213,67 por saca. Para novembro, a bolsa caiu 33 pontos, terminando a sessão a US$ 2205/t, ou R$ 216,72/sc.

Na bolsa de mercadorias & futuros de São Paulo, as cotações do café têm acompanhado as oscilações da bolsa de Nova York. Nesta última semana, os contratos desvalorizaram 1,97%. Desde o início do mês de agosto, a posição acumula 4,23% de perdas.

No mercado físico, o indicador à vista do Cepea/Esalq para o arábica foi de R$ 244,87/sc na sexta-feira e de R$ 212,82/sc para o conilon. Em relação ao mesmo dia do ano passado, a variação é de -6,3% para o arábica e +6% para o conilon. O dólar, cotado a R$ 1,638, desvalorizou 18,24% nos últimos doze meses.

Segundo o InfoMoney, o dólar comercial fechou em alta novamente nesta sexta-feira (15), refletindo o comportamento do câmbio internacional. Evidências de uma retração na atividade econômica européia se contrapõem a sinais de melhora na saúde econômica norte-americana, o que leva a um fortalecimento do dólar face ao euro.

"Na sexta-feira, o euro desceu para o menor valor em seis meses diante do dólar. A libra marcou cotação mínima em dois anos, e o iene voltou ao nível do começo do ano. Já o real voltou à maior cotação desde 11 de junho. Somando-se a isso, o mercado interno, em dia de agenda econômica esvaziada, foi penalizado por mais uma sessão de recuo nos preços das commodities, o que levou à fuga de capital da Bolsa", publicou o site.

De acordo com o portal, a queda no preço de commodities também é mais um fator que tem apoiado os recentes movimentos de apreciação do dólar face ao real, já que o recuo nas cotações internacionais de matérias-primas pode afetar a pauta de exportações brasileira, diminuindo a oferta de dólares no mercado interno.

Tabela 2. Contratos BM&F, Indicadores Cepea/Esalq e cotação do Dólar

Figura 2


O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, reafirmou nesta segunda-feira, dia 18, que a entidade está comprometida com a meta de inflação e que não tem meta para a taxa de câmbio. "O BC tem compromisso de não influenciar a tendência do mercado de câmbio", afirmou. O presidente enfatizou, no entanto, que o nível de reservas internacionais permite ao BC enfrentar questões de volatilidade no mercado de moedas, se necessário.

Segundo informações da Agência Estado, Meirelles enalteceu ainda a condição de credor externo líquido que o Brasil alcançou, com o setor público credor em moeda estrangeira. "Trata-se de uma mudança estrutural, fundamental em relação ao passado de vulnerabilidade fiscal e externa", afirmou.

O presidente do BC disse que a expectativa é de câmbio flutuante e balança de pagamentos mais saudável que no passado. Meirelles ponderou que está ficando claro que pode haver desaceleração global, mas acrescentou que o Brasil está em melhor condição para enfrentar os cenários benigno e "menos benigno". Segundo ele, a atividade econômica do país permanece robusta.

Gráfico 2. Cotação do dólar (R$)

Figura 3


Julio Frare, Equipe CaféPoint
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