Panorama de colheita e comercialização de café

De acordo com levantamento da Safras & Mercado, a colheita de café da safra brasileira 2008/09 está em 65% do total. Os trabalhos continuam bastante atrasados em relação a igual período do ano passado, quando 82% da safra 2007/08 estavam colhidos nesta época. Segundo o analista Gil Barabach, a colheita segue atrasada mas vem evoluindo mais satisfatoriamente. Problemas com a escassez de mão-de-obra e altos custos com os trabalhadores ainda são uma realidade, principalmente no sul de Minas.

Publicado por: CaféPoint

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De acordo com levantamento da Safras & Mercado, a colheita de café da safra brasileira 2008/09 está em 65% do total. Os trabalhos continuam bastante atrasados em relação a igual período do ano passado, quando 82% da safra 2007/08 estavam colhidos nesta época.

Segundo o analista Gil Barabach, a colheita segue atrasada mas vem evoluindo mais satisfatoriamente. A exceção fica por conta do sul de Minas Gerais, que encontra maiores problemas com a escassez de mão-de-obra e altos custos com os trabalhadores. Além disso, há pouca disponibilidade de máquinas para a colheita mecanizada.

Até o dia 31, os embarques de julho estavam em 1.351.471 sacas de café arábica e 234.703 sacas de café conillon, somando 1.586.174 sacas de café verde, contra 1.581.771 sacas no mesmo dia de junho. Também no dia 31, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em julho totalizavam 1.835.170 sacas, contra 1.643.262 sacas no mesmo dia do mês anterior.

Minas Gerais

Segundo o gerente de desenvolvimento técnico da Cooxupé (Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé), Joaquim Goulart, a colheita nas regiões de atuação da cooperativa, envolvendo o sul e cerrado de Minas Gerais e parte de São Paulo está em aproximadamente 33%. O volume previsto a ser colhido é de 9,035 milhões de sacas. Até agora, foram colhidas 3 milhões de sacas.

De acordo com Goulart, a colheita vai evoluindo bem agora, com clima favorável, seco, beneficiando os trabalhos de colheita e secagem. A qualidade dos grãos também se mostra melhor agora. Entretanto, a renda no beneficiamento do café vem sendo muito distinta de região para região no sul de Minas Gerais, o que pode mudar alguma coisa nos números finais da safra sul-mineira.

Nas regiões de menor altitude, próximas à represa de Furnas, abaixo de 900 metros de altitude, estão sendo necessários 600 litros de café em coco para formar uma saca de beneficiado, mostrando problemas de grãos mais miúdos e chochos, afetados pela falta de chuvas em períodos cruciais do desenvolvimento da produção. Nas regiões de maior altitude, acima de 900 metros, o rendimento está normal, sendo necessários cerca de 480 litros de café em coco para cada saca de café beneficiado.

A mão-de-obra escassa e cara continua sendo um problema para os cafeicultores. No sul de Minas Gerais, diante destas dificuldades, cresceu o volume de aluguéis de máquinas para a colheita mecanizada. "Isso está sendo bom para balancear os altos custos da lavoura com os trabalhadores", afirma Goulart.

Na área de atuação da Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Caratinga (Coopercafé), na Zona da Mata de Minas Gerais, a colheita do café da safra 2008 continua evoluindo satisfatoriamente. Apesar do atraso de cerca de um mês na maturação dos grãos e escassez da mão-de-obra, os trabalhos avançaram e atingem 70% nesta semana, segundo o gerente de comercialização da Cooperativa, Paulo Tavares. Projeta-se que dos 70% colhidos nesta safra (2008/09), 40% a 45% já tenha sido comercializado ou comprometidos por meio de CPRs (Cédula de Produto Rural) e negócios futuros.

São Paulo

O tempo seco que incide na região de atuação da Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas de Franca (Cocapec), no norte de São Paulo, ajudou na evolução da colheita de café ao longo da semana passada. Segundo Anselmo Magno de Paula, gerente do departamento de comercialização da Cooperativa, aproximadamente 40% já foram colhidos até o momento. Estima-se que 45% da safra nova já tenham sido comercializados através de negócios para entrega futura ou CPRs.

Segundo Aurélio Giroto, engenheiro agrônomo da Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Marília (Coopermar), a colheita de café no centro-oeste de São Paulo está caminhando satisfatoriamente. Os trabalhos já atingiram quase 50% do total, com o auxilio das boas condições climáticas incidentes na região.

A comercialização do produto na região encontra-se travada. "Muitos produtores estão esperando o novo Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor), enquanto os preços no mercado só caem", afirmou Giroto. Até o momento, estima-se que 5% da safra nova tenha sido negociada por meio de CPRs e negócios futuros.

Paraná

Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab), até dia 04 de agosto tinham sido colhidos 80,7% da produção estimada, com grande parte das lavouras em boas condições de colheita e alta porcentagem de grãos maturados. Ainda de acordo com o Deral, 30,8% da safra nova já foram comercializados.

Segundo avaliação da Seab, o custo de produção variável de café no Paraná subiu 33% no último ano, de R$ 155/sc para R$ 208. Trata-se da maior elevação desde junho de 2007. Com renda achatada, os produtores relutam em pagar mais pela escassa mão-de-obra, que é responsável por 42% dos custos variáveis. A participação dos fertilizantes subiu de 13% para 17%.

Rondônia e Espírito Santo

Em Rondônia, segundo maior estado produtor de robusta do Brasil, a colheita encontra-se praticamente encerrada. De acordo com o supervisor de comunicação e negócio da Embrapa Rondônia, Calixto Rosa Neto, 95% da produção foram colhidos. Segundo o supervisor do campo experimental da Embrapa em Ouro Preto do Oeste, João Maria Diocleciano, a produção em todo o estado já ultrapassou os 2 milhões de sacas, o que representa um aumento de 18,06% em relação à estimativa da Conab.

Segundo o Escritório Carvalhaes, entretanto, houve quebra considerável do volume esperado para a safra de robusta, considerando-se também a colheita do conillon do Espírito Santo, que já se encontra encerrada. De acordo com Diocleciano, cerca de 60 a 70% da safra nova de Rondônia foram negociados. "A produção já é comercializada assim que chega aos armazéns", disse.

Segundo Marcus Magalhães, da Maros Corretora, a colheita de arábica no Espírito Santo atingiu 50%. O clima seco está contribuindo positivamente para a evolução da colheita, mas a previsão de término é só entre a virada de agosto para setembro, pois nas áreas mais altas e frias os trabalhos sempre atrasam. O rendimento continua baixo, sendo necessários mais grãos de café em coco do que o esperado para formar uma saca beneficiada.

A Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) em seu último levantamento apontou a safra de café arábica do estado em 2,7 milhões de sacas. Quanto à comercialização, o mercado está paralisado. "Os produtores estão segurando café, à espera de uma correção nos preços. Estamos em plena safra, com a sensação de entressafra", explica Magalhães.

Com informações da Agência Safras.

Julio Frare, Equipe CaféPoint
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