Panorama da colheita de café no Brasil - safra 2008/09

O clima favorável tem contribuído para o bom andamento da colheita de café no sul de Minas. Segundo Joaquim Goulart, gerente de desenvolvimento técnico da Cooxupé (Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé), 60,4% da safra estão colhidos e a expectativa é de que os trabalhos só estejam encerrados no final de setembro, início de outubro. Produtores seguem procurando máquinas para a colheita diante da escassez e alto custo da mão-de-obra.

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Minas Gerais

O clima favorável tem contribuído para o bom andamento da colheita de café no sul de Minas. Segundo Joaquim Goulart, gerente de desenvolvimento técnico da Cooxupé (Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé), 60,4% da safra estão colhidos e a expectativa é de que os trabalhos só estejam encerrados no final de setembro, início de outubro. Os produtores seguem procurando máquinas para a colheita diante de dificuldades com a escassez e alto custo da mão-de-obra.

Seguem os temores de que possíveis chuvas possam ocasionar a abertura de florada durante a colheita, que resultaria em perda de produção na safra seguinte, já menor em função da bienualidade. O rendimento do café no benefício mantém-se aquém da expectativa. Segundo Goulart, ao invés de 420 litros de café em coco, estão sendo necessários 500 litros, em média, para se formar uma saca de café beneficiado.

A colheita no cerrado mineiro evolui satisfatoriamente, com clima favorável. De acordo com Wílson José de Oliveira, vice-presidente do Conselho das Associações de Cafeicultores do Cerrado (Caccer), 70% da safra está colhida, sendo que a metade já foi beneficiada. Wilson não descarta a possibilidade de a produção total ser menor do que a estimada pela Conab, em função de problemas climáticos, atraso nas chuvas e redução de tratos culturais ocorridos no ano passado.

Na Zona da Mata, a colheita do café está atrasada por conta da escassez de mão-de-obra. Conforme o gerente de comercialização da Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Caratinga (Coopercafé), Paulo Tavares, os trabalhos atingem 85% do total e a comercialização aumentou. "Os preços do mercado melhoraram um pouco e isso se manifestou nas vendas", afirmou. Porém, grande parte dos produtores continuam estocando os grãos na espera de preços melhores. Projeta-se que 55% dos grãos colhidos já tenham sido comercializados ou comprometidos por meio de CPRs e negócios futuros.

Gráfico 1. Evolução da colheita de café no estado de Minas Gerais (%)

Figura 1

Fonte: Cooperativas, Agência Safras, elaboração: CaféPoint

São Paulo

Segundo Anselmo Magno de Paula, gerente do departamento de comercialização da Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas de Franca (Cocapec), 70% da safra já foram colhidos. Nesta semana, condições climáticas satisfatórias ajudaram na evolução da colheita de café, entretanto, "muitos produtores se queixam sobre o rendimento da lavoura, menor do que o esperado, e com isso espera-se uma quebra de 10% a 15%", afirmou Anselmo.

Segundo Aurélio Giroto, engenheiro agrônomo da Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Marília (Coopermar), atuante no centro-oeste de São Paulo, os trabalhos de colheita de café avançaram com o auxílio das boas condições climáticas nesta semana, atingindo 70% do total. A Conab aponta produção de 4,5 milhões de sacas para o estado e estima-se que apenas 5 a 10% da safra nova tenha sido comercializada (entrega futura ou CPRs).

Gráfico 2. Evolução da colheita de café no estado de São Paulo (%)

Figura 2

Fonte: Cooperativas, Agência Safras, elaboração: CaféPoint

Bahia

Segundo o presidente de honra da Associação dos Produtores de Café da Bahia (Assocafé), João Lopes de Araújo, os trabalhos de colheita, favorecidos pelas condições climáticas, estão em 72%, com avanço da comercialização. "A necessidade de dinheiro para a colheita e para a compra de adubo acelerou um pouco as vendas", afirma Araújo. Aproximadamente 40% da safra nova já foi negociada por meio de CPRs, embarques futuros e venda para indústria.

Espírito Santo

Segundo Marcus Magalhães, da Maros Corretora, a colheita de arábica no Espírito Santo chegou a 60% com o bom andamento dos trabalhos diante de clima seco, mas os produtores ainda têm enfrentado problemas com falta de mão-de-obra e custos mais altos. Quanto à comercialização, o mercado segue muito calmo, com sensação de que o momento é de entressafra. Marcus indica que 40% da safra nova de conilon e cerca de 30% do arábica já foram comercializados de forma física ou para entrega futura.

Paraná

De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral) do Paraná, até o dia 18 de agosto a colheita no estado era de 84,8%, com 34,3% da produção já comercializada. Segundo a última estimativa de produção do Deral, o Paraná deverá produzir entre 2,3 e 2,4 milhões de sacas. Com informações de Laura Ruschel e Lessandro Carvalho, da Agência Safras.

Gráfico 3. Evolução da colheita de café no Paraná, Espírito Santo e Bahia (%)

Figura 3

Fonte: Cooperativas, Agência Safras, elaboração: CaféPoint

Julio Frare, Equipe CaféPoint
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