Panorama: crise econômica traz grande volatilidade

A bolsa de Nova Iorque, de 13 a 20 de outubro, caiu 315 pontos ou 3,15 cents/lb nos contratos para entrega em dezembro próximo - desvalorização de 2,68%. Desde o início do ano agrícola, em julho, o acumulado chega a -27,96% para os mesmos contratos. Em Londres, a bolsa de mercados futuros teve baixa de 0,63% na semana, acumulando -16,75% nos últimos trinta dias e expressivos 29,54% de queda desde o início de julho para a posição Novembro/08.

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Mundo afora, a crise econômica, que já não é mais apenas "americana", continua gerando instabilidade e muita volatilidade nos mercados financeiros, abrangendo claramente agora também os países emergentes, como Brasil, China e Índia. Apesar disso, segundo o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, o Brasil mantém condições de crescer mais de 3% no próximo ano.

"Estou mais perto de 4% do que de 3%. Vamos nos empenhar muito para que a economia brasileira sofra o mínimo de sacrifício no crescimento do ano que vem e no seguinte", disse Coutinho, que acaba de negociar empréstimos em Washington e Tóquio para reforçar o caixa do BNDES e financiar a produção brasileira, conforme noticiou o Jornal do Comércio.

Para o mercado de café, a semana passada, de 13 a 20, começou promissora, na análise da Agência Safras, com ganhos no mercado externo acompanhando a melhora de humor das bolsas de valores e com a valorização de outras commodities, como petróleo e grãos, além da desvalorização do dólar contra as demais moedas, mas o mercado internacional de café voltou a ter seus dias de fortes perdas com as preocupações em torno da economia mundial.

O destaque foi a forte desvalorização do café arábica na Bolsa de Nova York e do robusta em Londres na quarta-feira. A desconfiança em relação à recuperação da economia americana levou as bolsas de valores pelo mundo a caírem, levando junto as commodities agrícolas. O café caiu quase 600 pontos em NY. Segundo a Safras, a tendência para os preços internacionais continua dependendo da evolução dos eventos relacionados à crise financeira americana e seus efeitos sobre a economia mundial.

"Os preços do café deverão se recuperar para US$ 1,40 a libra-peso nos próximos seis meses se a crise mundial do crédito arrefecer, uma vez que o consumo mundial continua crescendo, puxado pela demanda por parte dos países emergentes", disse Guilherme Braga, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), em Tóquio. "No Leste Europeu a demanda está muito boa", disse Braga. "No Brasil, em 2008, o crescimento do consumo é de cerca de 4%, o que é muito significativo. E vai continuar crescendo. Estamos muito otimistas com relação a isso."

Os contratos futuros de café negociados em Nova York despencaram 34% em relação à sua maior alta de 10 anos, de US$ 1,7190 a libra-peso, alcançada a 29 de fevereiro. Eles atingiram sua maior baixa de US$ 1,09 por libra-peso no último dia 8 de outubro, pressionados pelo receio de que o congelamento do crédito vai desacelerar a economia mundial, reduzindo a demanda por commodities. Os estoques dos armazéns monitorados pela ICE Futures U.S. estavam subindo, enquanto as exportações do Brasil, o maior produtor mundial, também cresciam.

Em entrevista à Bloomberg, Braga disse que a queda "não tem absolutamente nada a ver com os fundamentos econômicos. Não há qualquer excedente em nenhum país. Uma faixa de US$ 1,30 a US$ 1,50 a libra-peso se harmoniza absolutamente com os fundamentos econômicos". Os estoques mundiais somam atualmente de 23 a 24 milhões de sacas, o que é "um nível muito normal", acrescentou.

Levantamento preliminar do Cecafé mostra que os embarques de grãos verdes em outubro, até hoje, alcançam 2.205.304 sacas, em queda de 6,7%, em relação ao observado no mesmo período do mês passado. Em setembro foram embarcadas 2.653.913 sacas. Em outubro, até hoje, foram emitidos certificados de origem de 1.677.558 sacas, resultado 20,5% maior em comparação com o mesmo período do mês anterior.

Mercado Futuro

A bolsa de Nova Iorque, de 13 a 20 de outubro, caiu 315 pontos ou 3,15 cents/lb nos contratos para entrega em dezembro próximo - desvalorização de 2,68%. Desde o início do ano agrícola, em julho, o acumulado chega a -27,96% para os mesmos contratos. Em Londres, a bolsa de mercados futuros teve baixa de 0,63% na semana, acumulando -16,75% nos últimos trinta dias e expressivos 29,54% de queda desde o início de julho para a posição Novembro/08.

Contratos de café com vencimento em dezembro na bolsa de mercadorias & futuros de São Paulo (BM&F) recuaram 1,83% na semana, de US$ 136,50/sc para US$ 134,00/sc. Nos últimos trinta dias, a posição acumula desvalorização de 16,59%, sendo que a diferença de cotação entre o início de julho e a semana passada chega a 29,68%. No dia 20 de outubro, o contrato foi fechado a US$ 134,00/sc, enquanto que em 1º de julho estava a US$ 190,55/sc.

Tabela 1. Comparativos das principais Bolsas de café

Figura 1

Mercado Físico

No mercado físico, o indicador à vista do Cepea/Esalq para o arábica foi de R$ 256,50/sc na segunda-feira (20), queda de 0,80% na semana e 1,97% nos últimos trinta dias. Entretanto, quando comparado com mesmo dia do ano anterior, a saca de café está com alta de 2,73%. Como sabemos, a valorização do dólar tem compensado a queda dos preços no mercado internacional, e os fundamentos de mercado apontam fatores altistas que podem alavancar o preço do café no médio prazo.

A situação do conilon é um pouco mais privilegiada. Em relação à mesma época do ano passado, a variedade acumula 7,94% de valorização, tendo inaugurado a semana praticamente estável em relação à segunda-feira anterior, a R$ 221,07/sc segundo o indicador à vista do Cepea/Esalq.

Tabela 2. Contratos BM&F, Indicador Cepea/Esalq e cotação do Dólar

Figura 2

Comércio de fertilizantes

Entre os meses de janeiro e setembro de 2008, o comércio de fertilizantes foi de 18,1 milhões de toneladas. No mesmo período do ano passado, o volume registrado foi de 17,5 milhões de toneladas, o que equivale ao crescimento de 3,8%. A produção permaneceu a mesma nos dois anos, de 7,2 milhões de toneladas, e as importações aumentaram de 12,7 em 2007 para 13,6 milhões de toneladas em 2008. As exportações passaram de 520 mil t nos primeiros nove meses do último ano, para 397 mil t até setembro de 2008.

Os dados foram apresentados pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), na reunião da Câmara Temática de Insumos Agropecuários, nesta segunda-feira (20), em Brasília. De acordo com o diretor-executivo da Anda, Eduardo Daher, o cenário de fertilizantes, em 2009, será influenciado por três fatores. "Vai depender do valor do barril de petróleo, gás natural e derivados; do câmbio e dos preços das principais commodities como soja, milho e trigo", afirmou.

O presidente da Câmara Temática de Insumos Agropecuários, Cristiano Walter Simon, ressaltou que o agricultor brasileiro já conta com tecnologia favorável, aplica bem o corretivo de solo, faz adubação e controle fitossanitário de acordo com critérios recomendados, não desperdiça produto e as condições climáticas prometem ser convenientes. "Esses fatores podem ser positivos para o setor no próximo ano", enfatizou.

Na reunião, o diretor de Economia Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Wilson Vaz Araújo, apresentou as medidas do governo para o agronegócio em relação à crise econômica mundial. A comparação dos financiamentos da safra passada, no período de julho a setembro, indica crescimento em 2008. "Em 2007, nesses três meses foram R$ 14,2 bilhões financiados e, agora, estamos em R$ 15,5 bilhões. Do ponto de vista do crédito bancário, estamos numa situação superior. O governo vai trabalhar para que as liberações continuem dentro das necessidades dos agricultores e cooperativas, até novembro", finalizou.
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