Panorama: colheita e comercialização da safra 2008/09

Segundo a Safras & Mercadosem relação a igual período do ano passado, quando 86% da safra estava colhida nesta época. Segundo Gil Barabach, a colheita não andou muito na semana, devido a chuvas em algumas regiões, com destaque para o sul de Minas Gerais. Problemas com a mão-de-obra escassa e cara continuam atrapalhando e cresce a preocupação de que possíveis floradas durante a colheita deste ano possam prejudicar a safra futura.

Publicado por: CaféPoint

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A colheita de café da safra brasileira 2008/09 chegou a 68%, segundo levantamento da Safras & Mercados. A colheita continua bem atrasada em relação a igual período do ano passado, quando 86% da safra 2007/08 estava colhida nesta época. Segundo o analista Gil Barabach, a colheita não andou muito na semana, devido a chuvas em algumas regiões, com destaque para o sul de Minas Gerais. Os problemas com a mão-de-obra escassa e cara continuam atrapalhando e cresce a preocupação de que possíveis floradas durante a colheita deste ano possam prejudicar a safra futura.

O gerente de desenvolvimento técnico da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), Joaquim Goulart, admite a preocupação. Ele alerta que, atualmente, se houver uma chuva de mais de 10 milímetros na região, o cafeeiro pode induzir uma florada.

Minas Gerais

Segue atrasada a colheita nas regiões de atuação da Cooxupé, apesar da boa evolução dos trabalhos nas últimas semanas, com o clima mais seco. A colheita está seguido bem, apesar de chuva isolada na semana passada. Entretanto, as regiões continuam enfrentando o problema sério da escassez e alto custo da mão-de-obra. Segundo a Cooperativa, os trabalhos estão em 40% do total.

Além disso, a disponibilidade de máquinas é relativamente insuficiente para as áreas. Há muita concorrência de mão-de-obra, principalmente devido ao atraso inicial da colheita, que elevou a demanda por trabalhadores. Segundo noticiou o Globo Rural, cafeicultores do sul de Minas estão esperando até dois meses para comprar uma colheitadeira de café, pois essas máquinas estão em falta no mercado.

De acordo com o vice-presidente do Conselho das Associações de Cafeicultores do Cerrado (Caccer), Jerry Magno Resende, as chuvas do começo da semana passada atrapalharam os trabalhos de colheita dos grãos, que chega a 55%. Há temores de que chuvas induzam uma florada de ponteiro na região, em plena época de colheita, o que pode prejudicar a safra a ser colhida ano que vem, observa.

Resende também reconhece que na região do cerrado mineiro "o problema maior é a mão-de-obra, que está difícil, cara e escassa". As precipitações também afetaram a secagem dos grãos, comprometendo inclusive a logística, já que os terreiros tem que ser liberados para receber nova leva de café vindo do campo. "Não temos, como no sul de Minas Gerais, tulhas para acomodar o café. Assim, a colheita atrasada mais porque temos que segurar os trabalhos de colheita até a liberação do terreiro, com a secagem dos grãos", explica o vice-presidente do Caccer.

Segundo o gerente de comercialização da Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Caratinga (Coopercafé), Paulo Tavares, na Zona da Mata mineira, a colheita do café atingiu 70% na semana passada, apesar do atraso de cerca de um mês na maturação dos grãos e escassez da mão-de-obra. A comercialização do produto esteve praticamente parada de acordo com Paulo. "Os produtores estão estocando na espera de preços melhores", afirmou. Entretanto, a estimativa é que 40% a 45% da produção estimada tenham sido comercializados ou já comprometidos por meio de CPRs e negócios futuros.

São Paulo

Segundo o engenheiro agrônomo da Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Marília (Coopermar), Aurélio Giroto, os trabalhos ficaram paralisados com as chuvas do final da semana passada. "Algumas regiões apresentaram queda de granizo, o que derrubou alguns pés nas lavouras", disse. Entretanto, condições climáticas satisfatórias no início da semana foram responsáveis pela evolução da colheita, que atinge 55%. A comercialização do produto na região está travada. Estima-se que 5% da safra atual tenha sido negociada por meio de CPRs.

Bahia

Segundo o presidente de honra da Associação dos Produtores de Café da Bahia (Assocafé), João Lopes de Araújo, o clima ensolarado dos últimos dias ajudou na evolução da colheita, que já chegou aos 50%. A comercialização continua devagar: "as vendas não param, porque tem gente que precisa de dinheiro e não tem como esperar. Mas, é muito pouco. O café gourmet tipo exportação recebe em torno de R$ 245/sc, e o comum, entre R$ 210 e 215 a saca. A diferença é muito pequena", lamenta Araújo. Da safra nova, aproximadamente 25% foram negociadas por meio de CPRs, embarques futuros e venda para indústria.

Paraná

Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab), até dia 11 de agosto tinham sido colhidos 84% da produção estimada, com grande parte das lavouras em boas condições de colheita e alta porcentagem de grãos maturados. Ainda de acordo com o Deral, 32% da safra nova já foram comercializados.

Espírito Santo e Rondônia

Segundo o relatório mensal do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a colheita de café robusta do Espírito Santo foi encerrada em julho. Com a safra finalizada, alguns agentes capixabas acreditam que o total pode ser cerca de 30% menor que a produção 2007/08. Conforme a última estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), de maio, o estado deveria colher 7,8 milhões de sacas. O motivo para a redução da safra capixaba de robusta, segundo os colaboradores do Cepea, é o baixo rendimento dos grãos. O baixo volume de chuva no início deste ano nas lavouras locais impediu que os grãos atingissem um bom calibre. Nesse sentido, foram necessários mais grãos de robusta para encher uma saca de 60 kg.

"Produtores que encerraram a colheita já começaram os tratos culturais nas lavouras, como podas e adubação. Além disso, tiveram de aumentar a irrigação nos cafezais devido à pouca umidade dos últimos meses. Com baixo volume hídrico, a adubação é dificultada. Por outro lado, a boa capitalização dos produtores ajuda nos tratos culturais. Já as lavouras de café robusta localizadas em Rondônia têm sido beneficiadas pelas chuvas que caem desde o início de agosto. Neste estado, a colheita já está finalizada, e as chuvas vêm favorecendo o processo de florada em boa parte dos cafezais", publicou o Cepea.

Com informações da Agência Safras.

Julio Frare, Equipe CaféPoint
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