Países latinos consomem mais o próprio café
O hábito de beber café está se intensificando nos principais países produtores do grão na América Latina. Os governos desenvolvem novas formas de comércio no mercado local e o crescimento econômico recente vem permitindo que o consumidor médio de Brasil, Colômbia, México e Guatemala compre mais café. Os agricultores, que estão buscando aproveitar os preços altos do produto torrado, processam mais grãos próprios para o mercado doméstico em vez de exportar.
Publicado por: CaféPoint
Publicado em: - 3 minutos de leitura
O Brasil, maior produtor mundial de café, lidera o crescimento do consumo doméstico. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), a demanda deve alcançar 21 milhões de sacas de 60 kg em 2012. A expectativa é de que, nos próximos anos, o País supere os Estados Unidos como maior consumidor mundial de café.
A Abic avalia que a percepção dos brasileiros era de que todos os cafés do País eram iguais e de qualidade medíocre. Mas isso teria mudado a partir de 1991, quando os controles de preços sobre o café foram suspensos. A livre competição que se seguiu permitiu o desenvolvimento de novas marcas e linhas locais de produtos de café, pois as torrefadoras queriam distinguir suas mercadorias, tratando-as como únicas e de altíssima qualidade. A nova versatilidade da bebida despertou o interesse do consumidor e a demanda anual de café per capita aumentou de 3,47 kg em 1991 para quase 6,0 kg agora.
Enquanto isso, no México, o consumo de café vem se fortalecendo há alguns anos e a expectativa é de que cresça 7% em 2010 na comparação com 2009. No ano passado, os mexicanos consumiram 2,2 milhões de sacas de café. As diversas organizações do setor no país intensificaram os esforços para aumentar as compras do produto doméstico no varejo.
O Conselho para Promoção do Café Mexicano fez uma tentativa inusitada no ano passado. Quis reunir 10 mil pessoas no Estádio Asteca para beber café, com o objetivo de quebrar um recorde e entrar no Guinness Book. Ao mesmo tempo, promoveriam o café do México mundialmente. Mas o comparecimento ficou bastante abaixo das expectativas.
O diretor executivo do Conselho, Roberto Ruiz Teran, diz que o valor agregado do café como bebida deveria ficar no país. "Para nós não serve exportar o café verde para que ele retorne torrado e moído", completa. Cerca de 75% do café consumido no México é instantâneo solúvel, o que demonstra e fortalece a noção de que a bebida produzida no país não tem nada de especial. Essa é uma premissa que, de acordo com os líderes da indústria, finalmente está começando a mudar.
Outra estratégia partiu da Associação Mexicana de Produção de Café (Amecafé), que distribuiu 10 mil revistas em 2010 para associações médicas divulgando os benefícios do café para a saúde. A meta era erradicar a ideia de que a bebida não faz bem.
Como muitos outros países produtores de café na América Latina, o México organizou competições nacionais sobre qualidade do café. No programa da Amecafé, os cafeicultores vencedores são apresentados em uma revista da indústria e seu café é distribuído para autoridades do governo, como uma forma de promovê-lo.
A Colômbia, maior produtor mundial de café arábica suave e lavado, variedade de alta qualidade, tem como objetivo aumentar o consumo em 30% durante os próximos seis anos, depois de uma década de estagnação no costume de ingerir a bebida. Os colombianos tendem a beber entre 1,2 milhão e 1,25 milhão de sacas de café por ano.
O motivo disso é o programa "Toma Café", da Federação Nacional de Cafeicultores (Fedecafé), lançado em março. O projeto repassa US$ 2,2 milhões para feiras que educam a população sobre o café, para cursos de barista e para anunciar estudos que mostram como a cafeína ajuda a melhorar o desempenho na atividade física.
Assim como na Colômbia, o hábito de beber café na Guatemala permaneceu igual durante décadas, mas está começando a mudar. Os guatemaltecas consomem quase 300 mil sacas de café por ano, isto é, menos de 10% da produção do país, que é o maior produtor na América Central. A maior parte da demanda é por café solúvel.
Mas autoridades dizem que o consumo cresceu recentemente, diante da disseminação das cafeterias nas áreas urbanas do país, que oferecem café expresso de qualidade. Espera-se que a demanda por café na Guatemala prospere 1,5% neste ano, somando 340 mil sacas, ante 320 mil no ano passado. Segundo o presidente da Associação Nacional de Café (Anacafé), Ricardo Villanueva, isso se deve ao fato de que a prática de beber cafés de qualidade começa a substituir o hábito de ingerir café solúvel.
A matéria é de Filipe Domingues, para Agência Estado, com informações da Dow Jones, resumida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
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