Opinião: leitor comenta prática de drawback

A busca pelo lucro incessante e sem piedade daqueles que já abocanham quase a totalidade do faturamento do setor não pode ser decorrente de aviltamento de preços ou do aumento abusivo dos insumos, na ânsia de ganhar mais. Esta relação não é sustentável. O tema "drawback" requer um debate bem mais aprofundado, pois é preciso deixar claro se será bom ou ruim para o país.

Publicado por: CaféPoint

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O leitor do CaféPoint, Antônio Augusto Reis, produtor de café em Varginha, sul de Minas Gerais, comentou a notícia "Importação de café volta a gerar disputa" publicada na semana passada, dia 25 de novembro. O produtor fala das dificuldades enfrentadas pela cafeicultura, como a alto nos custos e comprometimento da rentabilidade. Também questiona a prática do drawback, que voltou a ser discutida por interessados da cadeia produtiva do café. Confira:

"Atravessamos uma crise na produção e na remuneração do café. Nós, produtores, estamos há alguns anos com as receitas menores do que as despesas. Produzir café trazia dignidade, motivação, empregos e levava o desenvolvimento por onde era implantado. Hoje traz apatia, desconforto, execuções judiciais e mesmo assim a cada dia, vemos a transferência da renda ser mais desigual, sobrando para quem produz um percentual insignificante do faturamento mundial da cadeia.

Assistimos de forma quase passiva o aumento desse desequilíbrio na cadeia produtiva do café, onde as informações são manipuladas, e a busca pelo lucro, incessante e sem piedade, por parte daqueles que já abocanharam quase a totalidade do faturamento (grupos internacionais dominantes). Essa busca não pode ser decorrente de aviltamento de preços e ou do aumento abusivo dos insumos, na ânsia de ganhar mais. Esta relação não é sustentável.

Estão falando agora que o Brasil precisará importar café no curto prazo para suprir a demanda interna e externa e, as indústrias locais querendo o Drawback (importação e re-exportação do produto com valor agregado). No país, o setor está parecendo uma pessoa egoísta: cada segmento cuida apenas de seus próprios interesses.

Com relação à falta de produção para suprir a demanda interna e externa, só falta proporcionar renda aos produtores. Terão as quantidades e qualidade que o Brasil e o mundo demandarem. Acho que o tema "drawback" requer um debate bem mais aprofundado sobre o assunto, pois é preciso deixar claro se será bom ou ruim para o país, ou se não fará diferença.

Entendo que o Brasil é um dos poucos países que, havendo uma política correta, poderá ficar sem a necessidade de importação e mesmo assim atender aos mais diversos paladares e exigências dos consumidores nacionais (mercado em expansão) e mundiais. Além da cautela necessária de nos prevenirmos do risco fitossanitário na importação, e da possibilidade da entrada de cafés de baixíssima qualidade no país.

Se deixarmos que entrem robustas de qualquer maneira no país, produzidos lá fora a um custo muito menor do que os conilons brasileiros - por estarem desprovidos de preocupação com qualidade e pelo emprego de menores e trabalho escravo, em alguns países - poderíamos como conseqüência agravar ainda mais a atual situação dos produtores brasileiros, tanto do arábica quanto do conilon".

Leia a carta original

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Rafael Altoe Falqueto
RAFAEL ALTOE FALQUETO

VENDA NOVA DO IMIGRANTE - ESPÍRITO SANTO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 02/12/2008

Parabéns pela explanação!

Enquanto por aqui nos preocupamos em produzir respeitando o meio ambiente e o ser humano para consolidarmos o mercado justo (FAIR TRADE) aumentamos os custos por uma causa nobre: melhorar a qualidade do café e suprir os estoques respeitando sempre os elos da sustentabilidade ambiental e social.

Aí está o grande problema: o drawback não respeita o lado ECONÔMICO do produtor rural brasileiro. E da mesma forma não respeita o lado social e ambiental dos países e dos produtores de café que produzem a custos mais baixos - "por estarem desprovidos de preocupação com qualidade e pelo emprego de menores e trabalho escravo, em alguns países".