ONU: países discutem crise econômica internacional

"Nós devemos fazer mais para ajudar nossos companheiros seres humanos a lidar com a tempestade que se forma. Eu vejo o perigo de nações olharem mais para dentro, ao invés de caminhar para um futuro comum. Vejo o perigo de recuo no avanço que fizemos, particularmente no setor do desenvolvimento e de uma divisão mais equilibrada dos frutos do crescimento global. Isso é trágico", declarou Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU.

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Durante seu discurso de abertura da 63ª Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, secretário-geral da organização, advertiu sobre a ameaça representada pela crise financeira. O secretário-geral pediu para que seja restaurada a ordem nos mercados financeiros internacionais e disse que era preciso que os países ricos fizessem concessões no setor do comércio aos mais pobres.

"Nós devemos fazer mais para ajudar nossos companheiros seres humanos a lidar com a tempestade que se forma. Eu vejo o perigo de nações olharem mais para dentro, ao invés de caminhar para um futuro comum. Vejo o perigo de recuo no avanço que fizemos, particularmente no setor do desenvolvimento e de uma divisão mais equilibrada dos frutos do crescimento global. Isso é trágico", declarou Ban.

O secretário-geral da ONU disse também que o mundo enfrenta uma "crise financeira global, uma crise energética global, uma crise alimentar global" e lembrou que as negociações de comércio internacional "mais uma vez fracassaram". Ban Ki-Moon afirmou ainda que atualmente a crise econômica nos Estados Unidos atravessa as fronteiras e "complica todos os outros problemas", além de ser um "desafio de liderança global".

Ban Ki-moon também afirmou em seu discurso que o mundo está próximo de uma grande transição. "Agora, vemos novos centros de poder e liderança na Ásia, na América Latina e por todo o mundo recém-desenvolvido. Os problemas que enfrentamos estão mais complexos", acrescentou. "Neste novo mundo, nossos desafios estão ligados à colaboração, e não ao confronto. As nações não podem mais proteger seus próprios interesses ou aumentar o bem-estar de seu povo sem a parceria com o resto dos países", completou.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou em seu discurso que já é hora de expandir o G8 (grupo que reúne os sete países mais industrializados do mundo e a Rússia) para a inclusão de Brasil, China, Índia, África do Sul e México. Em nome da União Européia, Sarkozy também pediu a realização de uma reunião de cúpula internacional até o final de 2008 para discutir a crise financeira internacional e, coletivamente, reconstruir "um capitalismo regulamentado".

"É dever dos chefes de Estado e governo dos países mais diretamente envolvidos se reunir antes do fim do ano para examinar juntos as lições da mais grave crise financeira que o mundo está passando desde a década de 1930. Vamos reconstruir juntos um capitalismo regulamentado em que os bancos façam seu trabalho, que é financiar o desenvolvimento econômico, ao invés de especular", acrescentou Sarkozy.

Nesta mesma linha, a comissária agrícola da União Européia, Mariann Fischer Boel, disse que os subsídios oferecidos aos produtores do bloco deveriam ser reduzidos, pois "há grandes pressões no orçamento europeu e intensa competição por várias prioridades de gastos". Apesar de reformas, os subsídios agrícolas continuam sendo o maior item unitário no orçamento combinado da UE, consumindo cerca de 40% do total.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também falou sobre a crise financeira mundial e criticou a tentativa de associar a alta dos alimentos à produção dos biocombustíveis. Ele lembrou que a experiência brasileira comprova que o etanol de cana-de-açúcar e o biodiesel diminuem a dependência de combustíveis fósseis, criam empregos, regeneram terras degradadas e são compatíveis com a expansão da produção de alimento.

Para combater os "fundamentalistas do mercado" e impor regras ao sistema financeiro, evitando que a "euforia dos especuladores transforme-se na angústia dos povos", o presidente Lula propôs a Ban Ki-moon que as Nações Unidas convoquem os presidentes dos bancos centrais e os ministros da Fazenda para uma conferência mundial.

Logo após o pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o americano George W. Bush também discursou na Assembléia Geral da ONU e acusou o Irã e a Síria de "patrocinarem o terrorismo". Bush afirmou que os dois países estão cada vez mais isolados e pediu à ONU que aplique sanções contra a Coréia do Norte e o Irã devido aos seus programas nucleares.

O presidente americano acrescentou que a ameaça mais séria que a ONU enfrenta desde sua fundação é a do terrorismo. "Ao assassinar inocentes deliberadamente para progredir com seus objetivos, extremistas desafiam os princípios fundamentais da ordem internacional", afirmou. "Eles desprezam todos que respeitam a vida e dão valor à dignidade humana, rejeitam as palavras da Bíblia, do Alcorão, da Torá", prosseguiu Bush. "Por qualquer padrão de consciência ou moralidade, eles colocam em perigo os valores de justiça e direitos humanos que deram origem às Nações Unidas", disse.

Lula criticou o presidente dos Estados Unidos por não ter dado maior destaque à questão da crise financeira. "Lamentei porque imaginava que Bush, na sua última aparição na sede das Nações Unidas como presidente dos EUA, ia fazer um discurso de despedida e falar um pouco da crise econômica, o que é que o governo americano pretende fazer, mas ele fez a opção por voltar a falar do terrorismo", declarou o presidente, classificando a crise financeira internacional como o assunto mais importante do momento.

A reunião aconteceu ontem, terça-feira (23), em Nova York. Com informações do Mapa, Jornal O Estado de São Paulo, BBC Brasil e Dow Jones.

Figura 1

Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, durante discurso de abertura da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas.
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