Celso Oliveira, meteorologista da SOMAR: Prezado Ronaldo,
Com o rápido enfraquecimento do fenômeno La Niña, as frentes frias não encontrarão barreiras que as afastem para o oceano ou estacionem sobre a Região Sul. A partir de agora, as frentes frias avançarão normalmente pelo país, empurradas por massas de ar de origem polar. Não observaremos um final de outono e um inverno chuvosos, mas, sim, com muitas alternâncias: calor, chuvas e frio.
A cada 15 ou 30 dias, uma frente fria mais intensa deverá chegar ao país. Estas chuvas podem atrapalhar as atividades de colheita e secagem do café no Sul e Sudeste nos próximos meses. E além disso, vale destacar que nada impede que alguma massa de ar polar mais intensa chegue às áreas de café podendo trazer geadas. Apesar do risco, ainda não é possível afirmarmos categoricamente quando isto acontecerá. Apenas os boletins de monitoramento diário poderão informar com maior exatidão a intensidade e deslocamento de massas de ar de origem polar pelo país.
Vale destacar que existem ingredientes favoráveis para o livre avanço das massas de ar polar. Um deles é a neutralidade climática: anos neutros (sem Niño ou Niña) são mais favoráveis à frio intenso no Brasil, segundo estudos norte americanos. Em segundo lugar, há dois anos, a atividade solar está em seu mínimo. Outro estudo mostra que há uma boa correlação entre baixa atividade solar e frio intenso no centro e sul do país. Somando-se um com dois, chegamos à conclusão que o risco de uma onda de frio mais intensa com potencial para transtornos é alta neste inverno.
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