OIC: relatório sobre o mercado cafeeiro - março/2010

A evolução do mercado e dos preços do café continua dominada pela queda de produção em vários países exportadores e pela contínua erosão dos estoques tanto nos países exportadores quanto importadores. Dadas as perspectivas da produção, a demanda provavelmente continuará a exceder a oferta nos próximos meses.

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A evolução do mercado e dos preços do café continua dominada pela queda de produção em vários países exportadores e pela contínua erosão dos estoques tanto nos países exportadores quanto importadores. A média mensal do preço indicativo composto da OIC subiu 1,6%, passando de 123,37 centavos de dólar dos EUA por libra-peso em fevereiro para 125,30 centavos em março. No entanto, os preços dos Robustas caíram, alargando seu diferencial com os dos outros suaves, que, de 89,98 centavos de dólar dos EUA por libra-peso em fevereiro, subiram para 97,25 centavos em março.

Em função das informações recebidas, a estimativa da produção mundial no ano-safra de 2009/10 foi reduzida para 120 a 122 milhões de sacas. Nos cinco primeiros meses do ano-safra de 2009/10 a produção colombiana se manteve bem abaixo de seus níveis do mesmo período do ano-safra de 2008/09. Isso indica a probabilidade de um segundo ano consecutivo de menor produção, atribuível, principalmente, a novos surtos de broca do café após chuvas intensas no ano-safra anterior e à implementação do programa de renovação dos cafezais.

Em fevereiro de 2010 as exportações de todos os países exportadores totalizaram 7,1 milhões de sacas, contra 8,7 milhões em fevereiro de 2009. O total cumulativo dos cinco primeiros meses do ano cafeeiro de 2009/10 (outubro de 2009 - fevereiro de 2010) foi de 35,6 milhões de sacas, contra 40 milhões no mesmo período de 2008/09, acusando uma queda de quase 11%. A queda de produção em muitos países levou a uma redução dos estoques remanescentes, resultando em níveis muito baixos de estoques, sobretudo nos países exportadores. Os estoques certificados das bolsas de futuros de Nova Iorque e Londres, por sua vez, vêm caindo continuamente desde setembro de 2009.

Figura 1


Evolução dos preços

A média mensal do preço indicativo composto da OIC aumentou 1,6%, passando de 123,37 centavos de dólar dos EUA por libra-peso em fevereiro para 125,30 centavos em março. O gráfico 1 mostra a evolução do preço indicativo composto diário da OIC desde 2 de março de 2009. Os preços dos Arábicas subiram, e os dos Robustas continuaram a cair (gráfico 2). Em consequência, o diferencial entre cada um dos três grupos de Arábica e os Robustas se alargou ainda mais.

O gráfico 3 mostra a evolução dos diferenciais entre cada um dos três grupos de Arábica e os Robustas desde janeiro de 2009. O aumento de preços dos outros suaves foi mais acentuado (4,2%) que o dos outros dois grupos, reduzindo em 12% seu diferencial com os Suaves Colombianos, que passou de 46,85 para 41,21 centavos de dólar dos EUA por libra-peso entre fevereiro e março.

O diferencial entre os Suaves Colombianos e os Naturais Brasileiros diminuiu ligeiramente.

Figura 2
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Figura 3
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Fatores fundamentais do mercado

Estou revisando minha estimativa da produção total no ano-safra de 2009/10 para 120 a 122 milhões de sacas. Esse volume representa uma queda de 4,8% em relação ao do ano-safra de 2008/09. A recente revisão dos dados de produção dos países centro-americanos - Costa Rica, Guatemala e Nicarágua em especial - responde por esse ajuste substancial. O Vietnã também enfrenta dificuldades climáticas em consequência de estiagens criadas pelo fenômeno El Niño. O grande número dos cafeeiros idosos acentua essas dificuldades. As autoridades do país me informaram que a produção vietnamita pode cair para cerca de 17 milhões de sacas no atual ano-safra.

Com referência à Colômbia, a despeito dos resultados positivos que o programa de renovação dos cafezais deve gerar, o tamanho da safra colhida nos cinco primeiros meses do ano-safra dificulta a previsão de uma recuperação significativa da produção total. A Indonésia, por outro lado, com uma produção estimada em cerca de 10,7 milhões de sacas, tornou-se o terceiro maior produtor mundial, após o Brasil e o Vietnã. Quanto ao ano-safra de 2010/11, que começa em abril de 2010, as autoridades cafeeiras do Brasil prevêem um aumento da produção de Arábica de acordo com o ciclo produtivo bienal do país. Pelas estimativas mais recentes das autoridades brasileiras, fornecidas em janeiro de 2010, a produção será de 45,9 a 48,7 milhões de sacas. Já as estimativas mais recentes de fontes privadas indicam uma produção substancialmente maior. Estou aguardando as próximas estimativas oficiais para poder reavaliar a situação.

Em fevereiro, as exportações totalizaram 7,1 milhões de sacas. Com isso, o acumulado das exportações dos cinco primeiros meses do ano cafeeiro de 2009/10 totalizou 35,6 milhões de sacas, representando uma queda de quase 11% em relação aos 40 milhões de sacas exportadas no mesmo período de 2008/09, (quadro 4). As exportações dos quatro grupos de café registraram quedas nos cinco primeiros meses do ano cafeeiro de 2009/10, em relação às do mesmo período de 2008/09. Mais especificamente, as exportações dos Suaves Colombianos caíram 30% e as dos Outros Suaves, 2,5%. As exportações dos Naturais Brasileiros e dos Robustas caíram 9,7% e 9,8%, respectivamente.

Figura 4


O volume dos estoques dos países importadores no final de dezembro de 2009 eram estimados em 22,6 milhões de sacas, contra 25,6 milhões no final de setembro de 2009. As informações disponíveis indicam que os estoques certificados das bolsas de futuros de Londres e Nova Iorque continuam a cair. Estima-se que no ano civil de 2009 o consumo mundial foi de 132 milhões de sacas, contra 130 milhões em 2008 (quadro 5). Os maiores países consumidores são os Estados Unidos da América (16,2% do consumo mundial), Brasil (13,9%), Alemanha (6,7%) e Japão (5,6%).

Figura 5


Em conclusão, eu gostaria de reiterar que o dinamismo do desempenho do consumo mundial e a queda de produção em alguns importantes países produtores têm ajudado a sustentar a firmeza do mercado, particularmente no caso dos Arábicas. Os níveis dos estoques estão baixos tanto nos países exportadores quanto importadores, devido a sua utilização para contrabalançar a redução da oferta. Dadas as perspectivas da produção, a demanda provavelmente continuará a exceder a oferta nos próximos meses.

Relatório escrito por Néstor Osorio, Diretor-Executivo da OIC.
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