Em janeiro de 2010 o total exportado por todos os países exportadores foi de 7,2 milhões de sacas. O total cumulativo das exportações efetuadas nos quatro primeiros meses do ano cafeeiro de 2009/10 (outubro de 2009 - janeiro de 2010) foi de 28,4 milhões de sacas, em comparação com 31,3 milhões de sacas no mesmo período de 2008/09, e corresponde a uma queda de 9,3%.
Os preços dos quatro grupos de café, sem exceção, sofreram correções baixistas, em particular os dos Naturais Brasileiros, que caíram 5,4%. O diferencial entre os preços dos Suaves Colombianos e os da bolsa de futuros da Nova Iorque continuou a se alargar, aumentando de 64,75 centavos de dólar dos EUA por libra-peso em janeiro para 70,36 centavos em fevereiro. Este alargamento reflete a escassez de Suaves Colombianos resultante da acentuada redução da disponibilidade de café colombiano.
O gráfico 1 acompanha a evolução dos preços indicativos diários dos quatro grupos de café desde 2 de fevereiro de 2009. Os preços dos Robustas caíram 15,4% entre fevereiro de 2009 e fevereiro de 2010, enquanto que os dos outros três grupos de café subiram. Nesse mesmo período, o diferencial entre os preços dos Outros Suaves e os dos Robustas aumentou de 49,26 para 89,98 centavos de dólar dos EUA por libra-peso.
Gráfico 1. Preços indicativos dos grupos 2 de fev/09 a 11 de mar/10

Fatores fundamentais do mercado
Com base nas últimas informações recebidas dos Membros, o volume da produção total do ano-safra de 2009/10 é estimado em 123,1 milhões de sacas, representando uma queda de 3,9% em relação ao volume da produção do ano-safra de 2008/09. Quedas de 10,3% e 6,3% estão previstas, respectivamente, na América do Sul e na África. A Colômbia ainda está longe de recuperar seu nível de produção de 2007/08, que alcançou 12,5 milhões de sacas. Na Ásia, porém, a produção aumenta, e há melhores desempenhos na Indonésia e na Índia. Apesar de uma pequena queda de produção (-2,7%), o Vietnã continua a ocupar a segunda posição entre os maiores produtores mundiais de café, logo após o Brasil. Em 2009/10 ele produziu um total de 18 milhões de sacas, ou seja, 14,6% da produção mundial. Na América Central, uma queda significativa, de mais de 26%, está prevista em El Salvador.
No ano-safra de 2010/11 - que no Brasil será de produtividade elevada para os Arábicas, dentro do ciclo produtivo bienal do país -, as autoridades cafeeiras estimam que a produção chegará a um máximo de 48,7 milhões de sacas, 36,2 milhões das quais de Arábicas e 12,5 milhões, de Robustas.
No entanto, uma floração irregular causada por mau tempo poderá afetar a qualidade da produção de café. Ainda é cedo demais para informar sobre a produção de outros países no ano-safra de 2010/11.
As exportações de janeiro totalizaram 7,2 milhões de sacas. Nos quatro primeiros meses do ano cafeeiro de 2009/10 o volume total exportado foi de 28,4 milhões de sacas, contra 31,3 milhões no mesmo período de 2008/09, configurando uma queda de 9,3%. As exportações de Suaves Colombianos caíram 28,9% nos quatro primeiros meses do ano cafeeiro de 2009/10, em comparação com o mesmo período de 2008/09, devido, sobretudo, à ocorrência de um segundo ano consecutivo de baixa produção na Colômbia.
O consumo mundial continuou vigoroso, ao nível de 130 milhões de sacas no ano civil de 2008, contra 128 milhões de sacas em 2007. Este desempenho dinâmico se deve em grande parte ao crescimento do consumo interno tanto nos países exportadores - no Brasil em especial -, quanto em alguns mercados emergentes. Com referência a 2009, há indicações de que o consumo mundial poderá alcançar em torno de 132 milhões de sacas. Se o quadro atual se mantiver, posso prever um consumo mundial de 134 milhões de sacas no ano civil em curso.
Cifras relativas ao consumo médio per capita em países importadores selecionados indicam certa estagnação nos mercados tradicionais (quadro 1). No caso dos países exportadores, o Brasil é o único país cujo consumo interno é relativamente forte.
Depois do Brasil, vêm Honduras, a Costa Rica e a Venezuela. Apesar do consumo per capita baixo, o consumo interno na Etiópia corresponde a cerca de 40% do volume total da produção do país (quadro 2).
Quadro 1. Consumo per capita em países importadores selecionados - Anos civis de 2004 a 2008

Quadro 2. Consumo per capita em países exportadores selecionados - Anos civis de 2004 a 2008

Em conclusão, convém notar que, embora os preços dos quatro grupos de café tenham sofrido correções baixistas em fevereiro, o mercado se mantém firme. Os diferenciais entre os preços dos Suaves Colombianos e os da bolsa de futuros de Nova Iorque prosseguem se alargando no contexto da redução da oferta de café colombiano nos dois últimos anos-safra. Os fatores fundamentais do mercado continuam a sustentar os preços, pois a demanda segue vigorosa. Somente o uso de estoques tem possibilitado manter o equilíbrio entre a oferta e a demanda. Além disso, os estoques iniciais nos países exportadores no ano-safra de 2009/10 estão baixos, e a oferta de café de qualidade continua escassa.