OIC: movimentos do câmbio afetam produtores de café

As flutuações do câmbio estão pesando mais para muitos produtores de café do que os preços internacionais elevados, de acordo com o presidente da Organização Internacional de Café (OIC), José Sette. Embora os futuros de arábica estejam oscilando perto das máximas em 13 anos em Nova York, acima de 210 cents/lb, Sette disse que a queda do dólar frente a uma cesta de moedas significa que os produtores estão vendo retornos mais baixos.

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As flutuações do câmbio estão pesando mais para muitos produtores de café do que os preços internacionais elevados, de acordo com o presidente da Organização Internacional de Café (OIC), José Sette. Embora os futuros de arábica estejam oscilando perto das máximas em 13 anos em Nova York, acima de 210 cents/lb, Sette disse que a queda do dólar frente a uma cesta de moedas significa que os produtores estão vendo retornos mais baixos.

"Para alguns países, as mudanças na taxa de juros corroeram esta elevação dos preços", disse. "Quando você leva em conta os gastos com trabalho e fertilizantes, pode verificar que não há muita melhora."

No Brasil, maior produtor mundial de café, os movimentos do câmbio foram particularmente expressivos. O real subiu mais de 30% frente ao dólar desde março de 2009. "No Brasil, há uma preocupação com que a alta do real esteja beneficiando certamente os produtores de café de alta qualidade, mas não na mesma medida os produtores de café de qualidade mais baixa", comentou Sette.

O Brasil exportou um recorde mensal de 3,1 milhões de sacas de 60 kg de café em outubro, ante 2,56 milhões de sacas um ano antes, e as vendas continuam em ritmo acelerado, segundo o presidente da OIC. Mas a expectativa, de acordo com ele, é de que a produção de café caia em cerca de 15%, para 40 milhões de sacas na temporada 2011/12 (de abril a março), conforme os cafezais do Brasil entram no seu ciclo anual.

Para que os produtores aumentem a área plantada na próxima temporada, os preços têm de se manter elevados por um período sustentado. "As pessoas ainda têm muito claro em mente o que aconteceu entre 2000 e 2005, quando vimos alguns dos preços mais baixos na história, em termos reais", recordou.

Sette acrescentou que "para que [os produtores] retomem a confiança no mercado e invistam em novo plantio, as pessoas precisam de um período sustentado de preços altos". Segundo ele, "os preços estão obviamente mais atrativos do que estiveram, mas as pessoas ainda não estão confiantes sobre quanto tempo isso vai durar".

A reportagem é de Filipe Domingues, para Agência Estado, adaptada pela Equipe CaféPoint.
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