OIC: Fórum de Financiamento ao Setor Cafeeiro discute diferentes sistemas de gestão risco dos países produtores
Foi realizado, na sede da Organização Internacional do Café (OIC), dentro da 108ª sessão do Conselho Internacional do Café, o 2º Fórum Consultivo sobre Financiamento do Setor Cafeeiro. O tema foi "Gestão de Risco nos Países Produtores".
Publicado por: CaféPoint
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Foram realizadas seis apresentações, das quais quatro por representantes de países produtores (Índia, México, Costa Rica e Brasil), uma do Banco Mundial e outra de uma empresa de consultoria na área (Twin Trading).
As apresentações que geraram maior interesse dos participantes foram a do representante da Índia, senhor Jawaid Akhtar, e a do Brasil, realizada pelo diretor do Departamento do Café do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Dcaf/Mapa), senhor Edílson Alcântara.
Índia
O representante indiano apresentou um Fundo de Estabilização de Preços, criado há quatro anos. Do programa, participam, atualmente, produtores com áreas de até 4 hectares. A adesão ao Fundo é voluntária. O Governo apura o preço médio do café produzido no país com base nos relatórios de preços indicativos da OIC dos últimos sete anos.
A partir desse parâmetro - adotado como preço médio -, Governo e produtores depositam neste Fundo cerca de US$ 10 por saca produzida em uma conta do produtor, que rende juros anualmente. Quando os preços no mercado estão em patamares superiores a 20% do preço médio, os produtores contribuem em dobro por saca e o Governo interrompe sua contribuição. Por outro lado, quando o preço se situa em patamares inferiores a 20% do mesmo parâmetro, os produtores interrompem sua contribuição e o Governo dobra sua participação.
Caso os preços permaneçam, por um período de tempo que é fixado no programa de adesão, abaixo do patamar inferior, os produtores são autorizados a sacar os recursos para utilizar no custeio da atividade. Outra situação em que os produtores podem sacar os recursos é quando ocorrem intempéries climáticas que danifiquem suas lavouras ou prejudiquem a produção futura.
O Governo da Índia comunicou que vem estudando a possibilidade de ampliar o universo dos produtores que poderiam participar do Fundo - para cafeicultores com área até 10 ha -, o que cobriria 99% dos cafeicultores do país. Neste caso, os detentores de áreas acima de quatro ha teriam valores superiores de contribuição por saca de café.
Brasil
O diretor do Dcaf apresentou informações sobre os mecanismos de CPR, Certificado de Depósito Agropecuário (CDA) e Warrant Agropecuário (WA), além das linhas de financiamento do Funcafé. Alcântara enfatizou a importância do produtor comercializar antecipadamente sua produção, antes de investir na safra futura, o que pode ser feito com o uso da CPR.
Ele frisou, ainda, a necessidade de se transmitir o conhecimento de novas técnicas de comercialização que possibilitem a redução dos riscos, adequando a linguagem para que os produtores entendam os instrumentos de gestão, especialmente no que se refere às Opções de Venda como seguros de preços.
Banco Mundial
O senhor Marc Sapler, especialista em operações de mercados futuros, em uma curta apresentação, definiu os contratempos que devem ser administrados (que afetem a produção e os preços), a avaliação dos perigos pelos agentes financeiros na concessão de recursos, fazendo uma correlação entre financiamentos e riscos, e enfatizando a importância dos governos criarem processos que sejam utilizados com o objetivo de mitigação, aumentando, dessa forma, o acesso dos produtores a créditos para suas safras.
As informações são da CNC, adaptadas pela Equipe CaféPoint.
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