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O quanto a pandemia pode afetar o consumo brasileiro de café?

POR EQUIPE CAFÉPOINT

GIRO DE NOTÍCIAS

EM 15/07/2020

5 MIN DE LEITURA

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Por Natália Camoleze

Que o ano de 2020 está diferente, isso não podemos negar. Os hábitos mudaram, muita gente se adaptou ao trabalho em casa e estamos sentindo falta daquela ida à cafeteria para tomar um bom café. Alguns lugares no Brasil e no mundo já reabriram e aqui você confere o que disseram os empreendedores nessa nova etapa.

O consultor de cafés e sócio da Capricornio Coffees, Edgard Bressani, contou para a nossa equipe que amigos com cafeterias na Bélgica, Grécia, França e Itália já reabriam e estão voltando ao normal, algumas regiões com limitações, outras não. “Amigos da Bélgica relatam que estão a todo o vapor e que os clientes estão aparecendo aos poucos. A preocupação é com uma possível nova onda de Covid-19 com o final do verão europeu, mas estão seguindo normalmente com suas casas abertas”, relatou.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos divulgou um dado intrigante nesta semana de que, com o fechamento das cafeterias e restaurantes, o consumo global de café deve sofrer a primeira queda desde 2011. Em maio, José Sette, diretor executivo da Organização Internacional do Café (OIC), afirmou que o consumo fora de casa teve uma queda grande, mas que pode ser compensada pelo consumo dentro do lar.

Edgard é otimista quanto a isso. Ele acredita que a diminuição do consumo do café é uma fase: “em algumas cidades as cafeterias reabriram, outras não, mas as pessoas gostam de sair, socializar e tomar um café em um lugar diferente do que só em casa. Com as liberações, acredito que voltaremos ao nosso ritmo. A partir do momento que as pessoas consumiram e conheceram sobre o café especial, elas não irão mudar isso, o que apreciam levarão para a vida toda e acredito que voltarão a frequentar seus lugares de preferência”. 

A OIC realizou uma pesquisa em junho de 2020 relacionada ao impacto da Covid-19 (coronavírus) no setor e aponta que, por conta das medidas de distanciamento social, houve uma mudança de local do consumo. Por exemplo, quem antes ia a restaurantes e cafeterias, optaram por garantir o café em algum e-commerce, o que ressalta a importância da venda on-line. Uma pesquisa realizada pela Espresso no mês de maio de 2020 mostra que antes da pandemia, apenas 16% das cafeterias, por exemplo, trabalhavam com a venda on-line e que a maioria entende que o retorno do consumidor será lento, gradativo e até doloroso, mas que há uma oportunidade de falar sobre o produto e buscar novas formas de chegar ao cliente.

A OIC aponta a importância de monitorar de perto os possíveis problemas que a pandemia irá causar no setor e que o impacto na produção de café, no momento da pesquisa, permanece um tanto ambíguo, com quase dois terços dos países produtores que responderam não sendo afetados, o que pode se tornar mais visíveis na segunda metade do ano, quando mais países irão entrar na época da colheita.

Nathan Herszkowicz, Presidente Executivo no Sindicato da Indústria de Café do Estado de São Paulo (Sindicafé-SP), afirma que todo o cenário do consumo é preocupante em função das restrições que são necessárias para enfrentar a pandemia de coronavírus. “O fechamento de cafeterias, restaurantes, bares, e o receio da população com o contágio, de fato reduziram o consumo aqui e em todo mundo. Grandes redes de cafés fecharam centenas de lojas e a retomada está sendo lenta. O consumo fora do lar representava cerca de 35% e ficou menor.  Houve compensação com o aumento do consumo no lar em função dos incontáveis home offices. Estamos numa fase de busca do novo equilíbrio, mas neste ano o consumo será menor, evidentemente. As indústrias estão cientes de que devem manter a melhor qualidade possível, para continuar estimulando os consumidores”, explicou.

Bruna Caselato, COO da Suplicy Cafés Especiais, aponta que uma das ações da empresa durante a pandemia foi renegociar os prazos com os produtores e que a Suplicy já abrindo suas lojas de acordo com a demanda, funcionamento do espaço e horários reduzidos. “Estamos vivendo um dia de cada vez, por etapas e necessidades de cada local. As vendas não chegaram a 10% do que eram. O fluxo ainda é pequeno de consumidores”, comentou. Ela acredita que na semana que vem terá um panorama melhor sobre a abertura da casa.

Nathan explica que o retorno das cafeterias não está sendo fácil. “Os 100 dias sem operação exauriram o capital de giro da maioria o que dificulta muito a compra de produtos, de café e de materiais da operação do estabelecimento. Resultado disso: muitas cafeterias, principalmente as menores, não terão caixa para impulsionar sua retomada. Como noticiado em muitos jornais, as linhas de crédito que o governo criou não estão funcionando porque o dinheiro acabou não chegando ao balcão das lojas”, reforçou.

Para a consultora de cafés Eliana Relvas, o comportamento da sociedade muda bastante à medida que as pessoas ficam mais tempo em casa. “A tendência de diminuição do consumo ocorre naturalmente. A quantidade de café tomada, às vezes, no escritório, era de até cinco xícaras por dia, o que é bem maior do que o consumo em casa. Ainda mais com o tempo escasso, pois atualmente é necessário conciliar as tarefas domésticas, trabalho, filhos e assim muitos optam pela praticidade das cápsulas ou solúvel”, explicou.

Uma outra pesquisa realizada no Dia Nacional do Café, no segundo mês da quarentena, apontou que 41% das pessoas consultadas consumiam de 2 a 3 xícaras por dia, enquanto que 30,9% de 4 a 5 e 24,1% mais que 5. Eliana acredita, para o momento atual, em uma recuperação das cafeterias “to go”, em que o consumidor compra seu café em um copo descartável e vai tomando na rua, sem ter um ‘contato’ com alguém. “As pessoas devem optar por coisas mais práticas e rápidas. Vamos torcer para voltar o mais rápido possível ao consumo nas cafeterias”, afirmou.

Para finalizar, Nathan deixa um recado: “temos que juntar forças e acreditar que isso vai passar e vamos sair vivos e fortes dessa crise inesperada”.

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