Nathan Herszkowicz discute consumo e oferta de café
Para o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Nathan Herszkowicz, a redução dos estoques privados de café no Brasil sinaliza a necessidade de adequação da produção nacional a uma nova demanda. "Isso significa prestar atenção no equilíbrio de preços e desenvolver políticas que assegurem a continuidade dessa liderança brasileira".
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Segundo ele, o Fundo de Defesa da Cafeicultura (Funcafé) nunca esteve tão capitalizado. Há mais de R$ 400 milhões sendo destinados para a colheita, que ainda serão reforçados pela verba destinada à estocagem da produção. Além disso, Herszkowicz disse que os estoques menores ajudam a sustentar os preços com tendência de alta. "Em 2009, quando a safra brasileira deverá ser menor que a deste ano, pode ser que se mantenha por mais um ano e meio ou dois esse equilíbrio entre oferta e demanda mundial", prevê.
A Abic vem apostando em programas de qualidade e de educação do consumidor como estratégia para aumentar ainda mais o consumo da bebida. A expectativa é que 18,1 milhões de sacas sejam consumidas neste ano. Segundo a Associação, o consumo de café no Brasil está em 17 milhões de sacas e mantém uma trajetória acentuada de crescimento. O volume é 4,74% maior que o registrado na pesquisa anterior.
Nathan acrescentou que não houve apenas um aumento no consumo, mas também uma melhora na qualidade do café consumido no país, dando margem à produção de café tipo gourmet, de alta qualidade, principalmente a partir do ano 2000. Essa maior atenção do setor aos cafés de alta qualidade estimulou o aumento do número de casas de café nas grandes capitais e em cidades do interior do país. O bom momento do mercado interno, segundo o diretor-executivo da Abic, tem estimulado também a maior presença estrangeira.
"A expectativa é que o mercado continue avançando no consumo de café fora do lar, crescendo também a inovação, principalmente, no consumo de café em doses individuais". declarou, acrescentando que esses novos hábitos servirão de estímulo para o surgimento de produtos diferenciados.
De acordo com o diretor, o setor vive uma situação de equilíbrio entre custos de produção, renda mínima necessária e preços do faturamento. Ele explicou que o preço da saca de café está acima da média histórica para a época. "O café, ao contrário de outras commodities, não aproveitou a valorização em real com a subida dos preços das commodities no mundo todo', disse.
Herszkowicz espera que o ajustamento entre oferta e demanda mundial mantenha os preços na trajetória de alta. Segundo ele, a safra prevista para este ano, a segunda melhor das últimas décadas, poderá ser rentável para os produtores. "Mesmo que os preços não sejam tão bons quanto os produtores esperavam, colher e vender mais produto melhora o total da renda", finalizou. As informações são do Canal Rural, com base em entrevista veiculada no Agribusiness Online.
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