Mudanças climáticas alteram fisiologia do cafeeiro

Em algumas lavouras as gemas dos ramos produtivos que deveriam florescer na primavera estão sendo diferenciadas em gemas vegetativas, o que deverá influenciar a produtividade da próxima safra.

Publicado por: CaféPoint

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Primeiro, a associação de fatores verificados no início de 2006, com temperaturas máximas elevadas em janeiro e fevereiro, acompanhado de um veranico nas principais regiões produtoras, contribuíram para uma generalizada frustração da florada. Depois, as lavouras apresentaram floradas fora de época, sem consenso entre especialistas sobre os efeitos do fenômeno.

Ao contrário do que acreditavam, muitas dessas flores vingaram e contribuíram para uma maturação irregular, afetando sobremaneira a qualidade e o rendimento da safra que está sendo colhida.

Em algumas lavouras as gemas dos ramos produtivos que deveriam florescer na primavera estão sendo diferenciadas em gemas vegetativas, o que deverá influenciar a produtividade da próxima safra.

"Em algumas lavouras é possível observar flores, grãos granando, café maduro e seco, tudo no mesmo pé", conforme depoimento do engenheiro agrônomo Rodrigo Serpa Vieira, do projeto Educampo-Café, em Guaxupé, Sul de Minas.

Situações atípicas

A Estação de Avisos Fitossanitários da Fundação PROCAFÉ emitiu, no dia 04 de julho, alerta de déficit hídrico significativo e atípico para o sul de Minas, principal região produtora. O gráfico aponta uma diferença de déficit superior a 100mm quando comparada ao mesmo período de 2006 e de 200mm em relação à média histórica, projetando um período de seca severa com reflexos negativos na safra futura. O crescimento e desenvolvimento vegetativo observado também estão abaixo da média. Os técnicos sugerem a utilização de irrigação caso haja disponibilidade.

Revendo conceitos

Para o coordenador do Núcleo de Fisiologia do Cafeeiro do CBP&D/Café e professor da Universidade de Lavras (Ufla), José Donizeti Alves, o intenso déficit hídrico de março a novembro de 2006 impediu o desenvolvimento das peças florais, mesmo havendo a indução e diferenciação floral. "É importante que se diga que um botão já diferenciado somente se transformará em flor caso as condições climáticas entre os períodos forem satisfatórias, o que não ocorreu", esclarece.

Na opinião dele, a explicação fisiológica para as floradas atípicas, especificamente no sul de Minas, é que de dezembro/2006 a janeiro/2007 as plantas restabeleceram o seu status hídrico e reativaram o desenvolvimento dos botões florais. Com a paralisação das chuvas em fevereiro, associado a um aumento de até 20C na temperatura média, as plantas floresceram. Para complicar mais ainda a situação, ele ressalta que desde fevereiro o índice pluviométrico ficou abaixo da média histórica. Isto pode projetar problemas na indução floral que se estabeleceu em finais de fevereiro e começo de março. "Comparativamente ao ano passado, o ciclo está se repetindo".

As informações são da jornalista Cibele Aguiar, da Embrapa Café.
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Frederico Silveira Faria
FREDERICO SILVEIRA FARIA

PASSOS - MINAS GERAIS - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 09/08/2007

Gostaria de alguns esclarecimentos sobre a eficiência de agentes "quelatizantes" em adubações foliares, e se tem possibilidade de quelatizar "sais".

<b>Prezado Frederico,</b>

Quando se pulveriza micronutrientes em folhas de café, estes ficam restritos às folhas pulverizadas, uma vez que sua mobilidade através do floema é muito baixa. Isso quer dizer que não migram das folhas pulverizadas para as folhas novas, em crescimento.

Especula-se que os micronutrientes quelatizados seriam providos de maior movimentação através do floema, ou seja, apresentariam maior mobilidade entre uma folha e outra. Mas poucos são os trabalhos que tratam do assunto de forma acurada.

O quelato é formado pela combinação de um agente quelatizante com um metal (Zn, Cu, etc.), por meio de ligações coordenadas. Forma-se, por exemplo, o Zn-EDTA. Os sais são formados pela ligação dos metais com sulfatos, cloretos e nitratos, gerando, por exemplo, o sulfato de zinco. Portanto, mesmo que possível, não há, aparentemente, razão para "quelatizar" os sais.

Atenciosamente,

André Guarçoni M.