Minas busca economia com "safra zero"
Com relevo acidentado, uma vez que estão localizadas em regiões montanhosas, as fazendas de café do sul de Minas Gerais, maior Estado produtor do grão do Brasil, estão adotando a chamada "safra zero, safra 100%". Esse conceito está relacionado à bienualidade da cultura - marcada por produtividade baixa a cada dois anos - e permite aos cafeicultores deixar de fazer a colheita em uma safra para priorizar a seguinte, mais cheia.
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Com os altos custos de produção da cultura, a mão-de-obra na cafeicultura tem um forte peso. Na fazenda Sertãozinho, em Botelhos/MG, essa prática já foi adotada. Segundo os cafeicultores José Renato Gonçalves Dias e sua esposa, Anna Cecília Gonçalves Dias, que administram a fazenda, as propriedades são divididas em talhões e a colheita é selecionada.
Em anos de produtividade baixa, as árvores são podadas, diz Dias. Neste ano, 25% dos talhões tiveram safra zero. As podas em uma safra garantem maior produtividade no ciclo seguinte. Com isso, os cafezais asseguram a mesma produção todos os anos, sem o efeito provocado pela bienualidade.
"O conceito de safra zero é mais comum em Minas, principalmente no sul do estado e também na Zona da Mata, onde os terrenos são acidentados", afirma Gilson Ximenes, presidente do Conselho Nacional do Café (CNC). A mão-de-obra para colheita de café representa de 30% a 35% dos custos totais de produção. "Em áreas mecanizadas, por exemplo, esses custos caem pela metade", diz. Nos últimos anos, os cafezais também estão mais adensados, o que também reduz os gastos dos cafeicultores.
Este ano é ano de safra cheia, estimada em 45,850 milhões de sacas pela Companhia Nacional do Abastecimento (Conab). Minas responde por 50,4% da produção nacional. Desse total, entre 500 mil e 1 milhão de sacas serão classificadas como especiais. No ano passado, a colheita total de café ficou em 36,07 milhões de sacas.
Essa prática de poda para a safra zero não afeta a produção de cafés especiais, garante Anna Cecília. "Os melhores lotes de cada safra estão divididos em talhões", afirma. A produção de cafés especiais faz parte de um trabalho mais complexo, que compreende manejo no plantio e colheita, além de certificações que levam em conta as práticas de sustentabilidade. Isso confere um maior ágio aos grãos, no mínimo 30% a mais que o café convencional.
Com aproximadamente 900 hectares plantados, a fazenda Sertãozinho, que também engloba duas outras propriedades vizinhas, a Rainha e Santa Lúcia, conta com 2,25 milhões de pés de café, dos quais metade está adensada. Para 2008, a expectativa é de que a colheita fique em 26 mil sacas de café, das quais 40% poderão ser classificadas como grãos de qualidade especial.
Na fazenda Cachoeira, de São Sebastião da Grama (SP), a safra zero também foi adotada há alguns anos, afirma o cafeicultor Gabriel de Carvalho Dias. Dos 500 hectares da propriedade, cerca de 140 hectares estão ocupados com café. As áreas com café da Cachoeira têm em média três trabalhadores por hectare (de um total de 150 hectares). "Se a região fosse mecanizada, seria uma média de 1 trabalhador por 40 hectares". A reportagem é de Mônica Scaramuzzo, do Jornal Valor Econômico.
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GUAXUPÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 06/05/2014
Quanto a matéria, excelente contexto. Parabéns.

BAURU - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 28/10/2008
Atentar ao fato que nesses talhões a ferrugem incide com severidade, razão pela qual deve-se focar o controle fitossanitário.