Miarelli: drawback pode influir no arábica

Miarelli acredita que o efeito negativo do drawback poderá se refletir no mercado de arábica. "Pode influenciar negativamente no trabalho que fazemos para melhorar a imagem da qualidade do café do Brasil, já que a qualidade do café que poderá ser importado é inferior, e também provocar alterações no preço interno", avalia.

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O presidente do Conselho Nacional do Café, CNC, Maurício Miarelli, afirmou que a importação de café via drawback ainda não está nem na pauta do Conselho Deliberativo da Política Cafeeira (CDPC). Miarelli acredita que o efeito negativo do drawback poderá se refletir no mercado de arábica.

"Pode influenciar negativamente no trabalho que fazemos para melhorar a imagem da qualidade do café do Brasil, já que a qualidade do café que poderá ser importado é inferior, e também provocar alterações no preço interno", avalia.

Por outro lado, de acordo com o gerente de planejamento da Cia. Cacique, Élcio Martiniano de Carvalho, no ano passado o Brasil já perdeu 17% do mercado de solúvel. As regiões onde houve maior recuo foram Ásia e Europa, onde o produto brasileiro é taxado em 9%.

"Estamos perdendo mercado em produto acabado e na própria produção. Em 2007, as exportações de solúvel devem continuar em queda, já que o Brasil não tem condições de atender a demanda da indústria e não quer permitir o drawback", considerou.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Café Solúvel (Abics) e diretor comercial da Café Iguaçu, Edvaldo Barrancos, acredita que a crise poderá ser agravada com a manutenção da restrição ao drawback. "Vamos perder mercado, a indústria de solúvel vai demandar menos café brasileiro e todos saem perdendo, inclusive os produtores", avaliou Barrancos.

Segundo Barrancos, a reação dos cafeicultores o surpreendeu. "Temos interesse em importar, mas também em preservar o parque cafeeiro", garantiu.

Mas o presidente da Cooperativa de Cafeicultores de São Gabriel da Palha (Cooabriel), Antônio Souza Neto, discorda. "Será uma concorrência desleal que poderá levar ao fim da produção de robusta no Brasil", rebateu.

As informações são de Priscila Machado, do Diário do Comércio e Indústria/SP.
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Roberto Ticoulat
ROBERTO TICOULAT

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 02/03/2007

Prezado Sr. Mauricio Miarelli,

Na verdade, hoje o Brasil permite a exportação de qualquer tipo de café. O trabalho para efeito de melhoria da imagem do Brasil no exterior deveria ser feito para, como fazem nossos competidores colombianos, limitar as exportações de cafés baixos, que tanto fazem falta às industrias brasileiras.

A proposta do <i>drawback</i> inclusive estabelece o tipo de café a ser importado muito superior ao café que muitas vezes é exportado pelo Brasil.

Realmente a proposta de melhora nos padrões a serem exportados seria uma idéia muito interessante a ser estudada, apesar de que os industriais brasileiros não são a favor de limitações nas qualidades a serem exportadas, mas, sim, à abertura do mercado à possível importação de cafés in natura para <i>drawback</i>. Cabe ressaltar que a importação de café industrializado de outros países não sofre qualquer isenção na importação.

Agradeço, com sempre, sua inestimável colaboração e continuo convicto que a abertura do <i>drawback</i> irá com certeza atrair mais indústrias para o Brasil e com certeza acabará por gerar maior demanda para o café brasileiro.

Os brasileiros, como maiores produtores e exportadores mundiais, não deveriam temer a abertura do mercado brasileiro, assim como não a temem, hoje, nossos competidores na Colômbia, México, Equador, Paraguai, Índia, entre outros países.

Atenciosamente,

Roberto Ticoulat