MG: um olhar sobre a cafeicultura de Patrocínio

Patrocínio, a cidade do Triângulo Mineiro que nasceu de uma fazenda para abastecer os bandeirantes, investiu na produção de café nas últimas quatro décadas e hoje colhe investimentos. "Patrocínio está próxima de Goiás, Mato Grosso do Sul e São Paulo e é favorecida pela malha rodoviária. Está, portanto, num lugar privilegiado para atrair empresas", diz o secretário de Desenvolvimento Econômico do município, Thiago Oliveira.

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Patrocínio, a cidade do Triângulo Mineiro que nasceu de uma fazenda para abastecer os bandeirantes e ainda hoje amanhece com o canto dos pássaros, inicia um novo ciclo econômico. Focada na pecuária leiteira até a década de 1970, o município investiu na produção de café nas últimas quatro décadas e obteve em 2005 a certificação de origem de café do cerrado. Hoje, é o maior produtor de café do país.

Este ano, Patrocínio recebeu sinais claros de investimentos industriais na exploração da mina fosfática que faz divisa com Salitre de Minas. A Fosfertil iniciou a compra de terrenos onde se localiza a mina, que tem capacidade de exploração de 2 milhões de toneladas de rocha. A Galvani também realiza estudos em duas áreas de exploração da jazida - o projeto está orçado entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões, mas ainda está em fase inicial.

Outra empresa que negocia sua instalação no município é a Metade Sul, representante no Brasil da Jiangsu Yueda Investiment, um dos cinco maiores fabricantes de tratores da China. A Metade Sul mantém uma unidade em Pelotas/RS, onde monta tratores de pequeno porte. A demanda por pequenos tratores cresceu no Centro-Oeste e no Sudeste e a empresa já avalia a instalação de uma montadora na região Sudeste.

"Patrocínio está próxima de Goiás, Mato Grosso do Sul e São Paulo, é favorecida pela rodovia BR 365 e pela malha rodoviária. A cidade está em um lugar privilegiado para atrair empresas", diz o secretário de Desenvolvimento Econômico do município, Thiago Oliveira.

Geração de empregos

A perspectiva de investimentos na área industrial e as contratações para a colheita do café fizeram com que Patrocínio se situasse entre os municípios que mais geraram empregos formais no país neste ano. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), Patrocínio ficou entre as 40 cidades com maior saldo de geração de postos de trabalho com carteira assinada. De janeiro a julho, o saldo ficou em 3.484 novas vagas, sendo 3.454 criadas pelo setor agropecuário.

"A produção mecanizada do café e a fiscalização do governo para que os contratos sejam com carteira fizeram com que muitos produtores trabalhassem com um quadro fixo de funcionários", afirma o presidente da Associação dos Cafeicultores da Região de Patrocínio (Acarpa), Marcelo Queiroz. Segundo a entidade, que reúne 700 cafeicultores, no período de colheita (maio a setembro), são contratados em torno de 20 mil temporários, que se somam aos 5 mil trabalhadores fixos.

Patrocínio representa o modelo típico de cidade de pequeno porte no país, com grande concentração de empregos nos setores agrícola e público, que associados ao Bolsa Família constituem as três principais fontes de geração de renda no setor privado. O aprofundamento da crise refletiu-se no orçamento da prefeitura, diz o prefeito de Patrocínio, Lucas Campos de Siqueira (PPS). O orçamento de 2009, que estava previsto em R$ 128 milhões, não passará de R$ 95 milhões, calcula Siqueira.

Números

Os produtores de café, que são cerca de 700 no município, viram o preço cair este ano. "Em 2008 o café chegou a ser operado a R$ 350 a saca, hoje está saindo entre R$ 250 e R$ 260, sem contar a quebra de safras", diz o superintendente do Conselho das Associações dos Cafeicultores do Cerrado (Caccer), José Augusto Rizental.

Neste ano, a colheita em Patrocínio é estimada em 350 mil sacas. Na safra anterior foram 600 mil sacas, informou a Acarpa. Desse total, 80% serão exportados e outros 20%, vendidos no mercado interno. O custo de produção está 11% mais alto que na safra passada e é preciso colher no mínimo 21 sacas por hectare para pagar os custos, excluindo gastos com depreciação. A produtividade está em torno de 24 sacas por hectare. "Incluindo as dívidas de financiamento, dá para fechar o ano no zero a zero", diz Rizental.

As informações são de Cibelle Bouças, do jornal Valor Econômico, resumidas e adaptadas pela Equipe CaféPoint.
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