MG: produção de café especial ganha força

Maior produtor de café do Brasil, com 50% da produção brasileira, Minas também se destaca no cultivo de cafés especiais. Somente na microrregião da Serra da Mantiqueira, no Sul do Estado, das 500 mil sacas produzidas anualmente, 40% são de grãos especiais. O café especial se diferencia do tradicional por ser produzido com 100% de grãos do tipo arábica, considerado o mais nobre dos cafés. Outro fator preponderante para a produção é o cultivo em altitudes elevadas, o modo de colheita e o processo de secagem do grão.

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Maior produtor de café do Brasil, com 50% da produção brasileira, Minas também se destaca no cultivo de cafés especiais. Somente na microrregião da Serra da Mantiqueira, no Sul do Estado, das 500 mil sacas produzidas anualmente, 40% são de grãos especiais. O café especial se diferencia do tradicional por ser produzido com 100% de grãos do tipo arábica, considerado o mais nobre dos cafés. Outro fator preponderante para a produção é o cultivo em altitudes elevadas, o modo de colheita e o processo de secagem do grão.

De acordo com o Ministério da Agricultura e Abastecimento (Mapa), a produção do café arábica representa 72,49% (28,3 milhões de sacas de café beneficiado) da produção do país, e tem como maior produtor o Estado de Minas Gerais, com 66% (18,97 milhões de sacas de café beneficiado).

Em Carmo de Minas, cidade situada na Serra da Mantiqueira, a 330 quilômetros de Belo Horizonte, o café representa 80% da economia local. O cultivo e processamento do café também é a principal atividade econômica de aproximadamente 400 municípios mineiros.

No último concurso de qualidade de cafés do Brasil e leilão, em 2008, Carmo de Minas conquistou 11 colocações entre os 23 classificados, inclusive o primeiro lugar na disputa. Outras sete propriedades vencedoras são de Minas Gerais. Carmo de Minas destacou-se principalmente devido ao cultivo do grão em áreas com altitude acima de 1000 metros.

Tradição resgatada

O presidente da Associação de Produtores de Café da Serra da Mantiqueira (Aprocam) e diretor da Cooperativa dos Cafeicultores do Rio Verde (Cocarive), Antônio José Junqueira Villela, explica que há 50 anos a microrregião da Serra da Mantiqueira, formada por 22 municípios, já produzia café especial. Com a valorização da produtividade em detrimento da qualidade, essa tradição começou a se perder. A tradição foi resgatada a partir de 2000, ao perceber que a produção em larga escala não era competitiva, em relação a outras regiões, uma vez que na Serra o café é produzido em altitudes elevadas, o que torna inviável o uso de máquinas de colheita.

"Percebemos que tínhamos de priorizar a qualidade ao invés da quantidade. Contamos com o auxílio de consultores, que nos ajudaram a pesquisar novas variedades de grãos arábicos", detalha Junqueira. Para alcançar a qualidade desejada, os produtores adquiriam máquinas para separar os grãos maduros (cereja descascado) após a colheita, assim o produto é mais valorizado no mercado, além de mais saboroso.

Junqueira explica que a participação em concursos de grãos de qualidade é importante para dar notoriedade e valorizar o produto da região. "Hoje produzimos o café especial, mas precisamos dar notoriedade ao nosso produto. Além da notoriedade, com as premiações o produtor pode ver o preço da saca de seu café disparar nos leilões realizados por organizadores de concursos", afirma. De acordo com Junqueira, somente na microrregião da Serra da Mantiqueira há aproximadamente 4 mil produtores de café.

Para o assessor de café da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Wilson Lasmar, o aumento da qualidade do café mineiro se deve, principalmente, aos investimentos do Governo de Minas e do setor, realizados há pelo menos 10 anos. "Atualmente, há muitos trabalhos sobre qualidade cafeeira, seja por meio de circuitos de café, concursos, fiscalizações do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). Hoje, o principal objetivo das assistências de técnicos da Emater em propriedades cafeeiras é a busca da qualidade do produto, por meio do Programa Certifica Minas", pondera Lasmar.

Investimentos do Governo de Minas

Para 2009, o Certifica Minas prevê investimentos de R$ 13 milhões, sendo o primeiro programa de certificação de propriedades cafeeiras no Brasil executado por um governo estadual. Entre as ações do programa está a certificação de propriedades cafeeiras.

Gerenciado pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), a certificação tem o objetivo de atestar a conformidade das propriedades produtoras com as exigências do comércio mundial, possibilitando ao café mineiro chegar a novos mercados. Em 2008, 381 propriedades cafeeiras de Minas Gerais foram certificados pelo programa e a meta é atingir 800 propriedades certificadas até o final de 2008.

Também como forma de incentivar o aumento da qualidade do café produzido em Minas, a Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), por meio da Emater-MG, promove anualmente o Concurso Estadual de Qualidade dos Cafés de Minas, que em 2009 terá sua 6ª edição.

Café em Minas

Nos últimos quatro anos, o Governo de Minas investiu cerca de R$ 3 milhões na implantação de três Centros de Excelência do Café em Machado, no Sul de Minas, Viçosa, na Zona da Mata, e Patrocínio, no Alto Paranaíba. Os centros foram construídos em parceria com prefeituras, universidades e associações com o objetivo de treinar trabalhadores, técnicos, empreendedores e outros profissionais ligados à cadeia produtiva do café, para dar suporte ao desenvolvimento de pesquisas relacionadas a variedades de plantas, clima, manejo, altitude e solo propícios para a atividade.

A previsão para 2009 é que sejam colhidas cerca de 19,2 milhões de sacas de café (60kg) em Minas Gerais. O café é o segundo produto da pauta de exportação de Minas Gerais, atrás apenas do minério de ferro. Em 2008, as exportações mineiras de café somaram US$ 3 bilhões. As vendas de café por Minas Gerais para o exterior, nos quatro primeiros meses de 2009, movimentaram US$ 1,3 bilhão.

As informações são da Agência Minas.
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