MG: Pirapora se destaca com plantio de café irrigado

Pirapora, cidade da região noroeste de Minas Gerais, na margem direita do Rio São Francisco, tem 51 mil habitantes. Há oito anos, o município despertou para o plantio de café irrigado por pivô central, e hoje conta com três mil hectares plantados com a cultura e mais dois mil projetados para este ano. As terras são planas, de fácil mecanização, e a espécie cultivada é a arábica.

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Pirapora, cidade da região noroeste de Minas Gerais, na margem direita do Rio São Francisco, tem 51 mil habitantes. Há oito anos, o município despertou para o plantio de café irrigado por pivô central, e hoje conta com três mil hectares plantados com a cultura e mais dois mil projetados para este ano. As terras são planas, de fácil mecanização, e a espécie cultivada é a arábica.

"A gente estava querendo fugir dessa situação: se o tempo ajuda, a produção é boa e o preço é ruim; se o tempo não ajuda, o preço fica bom e não tem produção. Aqui não tem geada e tem uma condição muito boa para irrigar", justificou o agricultor Edmundo Coutinho. Em Pirapora, a média das últimas quatro safras foi de 74 sacas por hectare.

"Essa produtividade constante é uma surpresa. Normalmente, o café dá uma produção alta e uma baixa. Nós temos um ciclo bienal de produção. O café que produz muito, não cresce muito. Com a temperatura uniforme durante o ano, o café na região cresce praticamente o ano todo. Então, ele supera essa falta de crescimento, que existe nas regiões mais frias", esclareceu o engenheiro agrônomo, José Braz Matiello.

A grande novidade em Pirapora, e também para todas as outras regiões cafeicultoras do país, é o lançamento da variedade "siriema", desenvolvida pelo doutor Matiello junto com os pesquisadores do Procafé, uma fundação de pesquisa mantida pelas cooperativas de Minas Gerais. A variedade siriema é resistente ao bicho mineiro, uma das principais pragas do cafezal, e também à ferrugem, outro problema sério do café.

"O bicho mineiro não se desenvolve na variedade siriema. Se chegar a comer um pouquinho da folha, ele pára porque a substância repelente dentro da planta mata o bicho. Essa substância vem da espécie racemosa, oriunda da África, que oferece resistência" disse Matiello. Quando cruzados arábica e racemosa, associou-se resistência com produtividade. O resultado desse cruzamento também confere certa tolerância à ferrugem. "A ferrugem normalmente dá na parte mais interna da planta, diferentemente do bicho mineiro", completou. A reportagem é do Globo Rural.
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