MG: eucalipto substitui cafezais e preocupa o Estado

O presidente das comissões de café da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e da Federação da Agricultura de Minas (Faemg), Breno Mesquita, defende políticas diferenciadas e incentivos para a cafeicultura de regiões como o sul mineiro e a Zona da Mata do Estado. O argumento é a ameaça de desemprego diante da falta de competitividade dos produtores. A substituição de cultura preocupa o Estado, pois o cultivo de café gera empregos o ano inteiro, ao contrário do eucalipto.

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O presidente das comissões de café da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e da Federação da Agricultura de Minas (Faemg), Breno Mesquita, defende políticas diferenciadas e incentivos para a cafeicultura de regiões como o sul mineiro e a Zona da Mata do Estado. O argumento é a ameaça de desemprego diante da falta de competitividade dos produtores.

"Chega uma hora em que o produtor ou muda de atividade ou afunda e quebra", afirma Mesquita. Segundo ele, o eucalipto só gera emprego no plantio. "Depois, aquilo lá vai sozinho".

Na cafeicultura, explica, a mão é de obra é necessária o ano inteiro, especialmente na colheita. Minas é o maior produtor nacional de café, com cerca de 50% da produção brasileira. Se fosse um país, o Estado seria o maior produtor mundial. Pelos cálculos das entidades, a cafeicultura emprega no País cerca de 8 milhões de pessoas em toda a sua cadeia de forma direta e indireta.

O agrônomo Alexandre Aad, de 64 anos, diz que sente um "aperto" ao caminhar pela área remanescente de sua lavoura de café no município de Viçosa, na Zona da Mata mineira. Cafeicultor desde o início dos anos 1970, Aad chegou a ostentar o título de maior produtor da região, com cerca de 1,2 milhão de mudas, um número significativo quando se fala em cafeicultura de montanha.

De 2007 para cá, porém, o produtor iniciou um processo de substituição, trocando a cultura tradicional pelo eucalipto. Atualmente, do total de 393 hectares que possui, em apenas 30 ele ainda planta café. Mas por pouco tempo.

"Este é o último ano que eu colho. Vou ficar zerado de café", comenta o produtor, anunciando a adesão total ao eucalipto.

A opção de Aad simboliza um silencioso processo de substituição que já chama a atenção para os entraves da produção cafeeira em regiões acidentadas, como o sul mineiro e a Zona da Mata. Enquanto a cafeicultura de montanha perde competitividade por causa dos elevados custos de produção, as diversas aplicações e a economia em curva ascendente nos últimos anos levaram o plantio de florestas de eucalipto ao patamar de uma das mais promissoras alternativas do agronegócio mineiro, que avança a passos largos.

Embora a substituição seja uma realidade em determinadas regiões, ela está associada a culturas específicas. A expansão do eucalipto no Estado está mais relacionada à diversificação do plantio e à utilização de áreas degradadas de pastagens para o plantio de florestas.

A principal justificativa dos produtores da Zona da Mata é que os custos com empregados subiram muito acima da alta do preço do café no mercado internacional. Para Aad, é mais interessante vender madeira para o pólo moveleiro de Ubá, cidade vizinha. "Com uma fazenda altamente tecnificada para os padrões da agricultura de montanha, meu custo de mão de obra representava de 59% a 61%".

A política de aumento do salário mínimo, a partir de 2003, encareceu bastante os custos de produção da cafeicultura de montanha, ressalta Mesquita. Segundo ele, a substituição da cultura tradicional pelo eucalipto ainda não é "extremamente preocupante". "É algo que vem acontecendo de maneira silenciosa e nos preocupa, sim".

De acordo com a Secretaria estadual de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Minas lidera o ranking nacional em área com floresta plantada, com 23,2% do total, sendo 89,8% de eucalipto e 10,2% de pinus. Nos cinco primeiros meses de 2010, as exportações de madeiras e derivados (principalmente celulose) por Minas foi de US$ 302,7 milhões. Um crescimento de 106% em relação ao mesmo período de 2009. Em quantidade, o volume de madeira e derivados exportado foi de 486,54 mil toneladas. Um aumento de 11,4% em relação aos cinco primeiros meses de 2009.

A reportagem é do jornal O Estado de S.Paulo, resumida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
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