
A pesquisadora aponta para a necessidade de iniciar um programa estadual de cooperação técnica e financeira para a contenção da praga. Torna-se prudente a eliminação do foco da doença e implantação de barreiras fitossanitárias para se evitar a contaminação de novas áreas. Ela sugere a identificação das lavouras infectadas, com o mapeamento das áreas de risco e ações de fiscalização focadas na produção e transporte de mudas de café. Isto porque o nematóide é facilmente disseminado por meio de mudas, circulação de máquinas e implementos com solo infestado e até pela água da chuva, com a necessidade de desvio das enxurradas.
O fato é ainda mais preocupante tendo em vista que a maioria dos cafeicultores mineiros desconhece o problema e os danos que poderão ocorrer com a sua disseminação. O controle de nematóides em cafezais é ineficiente e uma vez contaminado o solo é praticamente impossível eliminá-los. A alternativa passa a ser o arranquio das lavouras com subsequente rotação de culturas com espécies não hospedeiras. Outra opção é o uso de material enxertado, como vem sendo pesquisado no Estado de São Paulo, no Instituto Agronômico de Campinas (IAC).
Como identificar
A identificação da presença de nematóides no campo é dificultada pelo seu tamanho microscópio associado ao parasitismo interno nas raízes das plantas. Além disso, o estado da lavoura pode ser confundido com outras doenças ou desequilíbrio nutricional. Sintomas como amarelecimento, queda de folhas, clorose, crescimento abaixo do normal é ainda mais acentuado na época da seca ou sob qualquer situação de estresse que a planta sofra, seja por influência climática ou de manejo.
O produtor deve ficar atento à presença de reboleiras de plantas com sintomas de deficiência mineral e desfolha, mesmo em condições adequadas de adubação, pois podem ser resultado do ataque de nematóides nas raízes. Em caso de suspeita, deve ser realizada amostragem periódica de solo e de raízes para exame em laboratório especializado. A amostra do solo deve ser retirada próximo às raízes, condicionada em saco plástico, mantida à sombra e encaminhada o mais rápido possível para análise. Em Minas, esta análise pode ser feita no laboratório do Instituto Mineiro Agropecuário (IMA) e nos laboratórios das Universidades Federais de Lavras, Viçosa e Uberlândia (UFLA, UFV e UFU).
As informações são do Polo de Exelência do Café, resumidas e adaptadas pela Equipe CaféPoint.