MG: Com estiagem, produtores usam "filtro solar" nos pés de café
A falta de chuvas e o excesso de calor durante os meses de janeiro e fevereiro deste ano prejudicaram as lavouras de café no Sul de Minas no momento de enchimento dos grãos. O problema surpreendeu os produtores de café do Sul de Minas, que, para tentar driblar o período de estiagem, criaram um método para aplicar uma espécie de filtro solar nas folhas do café.
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Com a estiagem, as mudas de café não conseguem absorver água e nutrientes e acabam desidratadas e necrosadas, o que pode acarretar atraso no desenvolvimento e na produtividade futura. Para tentar controlar isso, o produtor Roberto Rezende aplica a calda na folhagem, composta por cal virgem e açúcar. “Serve para formar uma camada esbranquiçada, o que ajuda a amenizar o sol escaldante”, explicou.
Questionado, o agrônomo Rodrigo Naves Paiva, da Fundação Procafé de Varginha, explica que o composto com água, cal e açúcar, usado como filtro solar, pode ser eficaz. “Alguns funcionam como protetivo, fazem com que a planta perca menos água e a radiação solar reflete também nas folhas e a transpiração é reduzida. Mas, ainda precisamos estudar mais para ter resoltados mais consistentes”, comentou.
Novas formas de irrigação – Uma técnica para evitar a perda do café é manter as plantas molhadas e irrigadas, já que a chuva mais recente não chegou a 30 milímetros. Alguns produtores, por exemplo, trocaram o turno de horário de irrigação, para tentar salvar a lavoura.
Em Campo do Meio (MG), o produtor João Kennedy encontrou uma nova forma de irrigar. Com uma máquina que era usada para jogar esterco, ele improvisou a irrigação. O trabalho com ela acontece durante a noite. Na propriedade com 150 mil mudas de café, apenas 7,5 mil pés são regados por noite e recebem 10 litros de água. “É uma medida desesperada. Estamos tentando diminuir um pouco essa perda que já está acontecendo. Poderíamos dizer que nas lavouras adultas, acima de 4 anos, já perdemos 20%. Já nas lavouras pequenas, com menos de 4 anos, a perda já está em torno de 80%”, disse.
De acordo com o agrônomo André Luiz Garcia, esta é a melhor alternativa para a plantação diante da falta de chuvas. “Quem tem condições de fazer isso durante a noite, tem melhor aproveitamento da água, um menor gasto tanto de água, como de energia, além de evitar o risco de queimar a folha”, ressaltou.
Entretanto, mesmo com as medidas paliativas criadas por alguns produtores, a falta de água no solo e o excesso de calor devem prejudicar a safra deste ano e também a do ano seguinte na região. Sem água, as lavouras sofrem o que os agrônomos chamam de déficit hídrico, que é quando não há água suficiente no solo para alimentar as plantas.
Economia – Alguns produtores já estimam perdas de até 20% do total da produção deste ano e da próxima safra também. Com isso, o mercado já sofre os reflexos da seca. Na terça-feira (18), a saca subiu U$ 18 no mercado futuro e U$ 21 no mercado interno. A expectativa é de que ele continue subindo. O café tipo 6, bebida dura, fechou o dia em R$ 354 e o tipo 7 fechou em R$ 340.
De acordo com o gerente da Cooperativa Minas Sul, em Varginha, Marco Antônio Bíscaro, a alta tem sido boa para o mercado interno e também para a bolsa de valores. “O mercado ainda não sabe dimensionar o tamanho da quebra, devido a seca, então, pode ser um início de ano promissor, mas ainda é cedo para dizer. Nas duas primeiras semanas de fevereiro, as vendas aumentaram”, comentou.
Já o presidente do Centro de Comércio do Café de Varginha, Archimedes Colli Neto, afirma que o mercado já computa uma possível quebra de safra no Brasil, o que pode ser bom para o país. “Isso tem um impacto enorme nas cotações, no mercado e na vida da nossa região. O mercado está subindo e de maneira positiva, já que há equilíbrio na questão de remuneração e preço”, completou.
As informações são do G1 Sul de Minas, adaptadas pelo CaféPoint
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