Celso Oliveira, meteorologista da Somar:
É difícil afirmar muita coisa, Alysson. O granizo é um fenômeno muito pontual e é necessário ter um baita azar (ou uma topografia favorável, na verdade) para que ele aconteça. Além da topografia favorável, algo que quase todo o Estado de Minas Gerais tem, existem alguns fatores climáticos que ajudam. A baixa temperatura é um deles.
Até o momento, o fenômeno El Niño não influencia as condições do tempo, apesar da mídia insistir nisso. Se estivéssemos sob atuação do Niño, não estaria tão frio como neste momento. E quando há uma atmosfera fria, o gelo que sai das nuvens não derrete na queda. No ano passado, a intensificação do fenômeno La Niña foi responsável por esta atmosfera mais fria. Já neste ano, sem o El Niño ou La Niña, quem está mandando frio para o Brasil são os ciclones extratropicais intensos que se formam no Sul.
Mas há uma boa notícia. A partir de agora, os ciclones já não deverão ser tão intensos. Faltará combustível (vapor d'água vindo do Atlântico) para este tipo de sistema se desenvolver com tanta força. Além disso, especialmente em novembro, as frentes frias tenderão a estacionar mais sobre a Bahia, diminuindo as chuvas (inclusive de granizo) sobre Minas Gerais. Portanto, apesar de um início complicado, a previsão indica que, aos poucos, o risco de eventos extremos como granizo, deverá diminuir no sul de Minas Gerais.
Neste período das águas, a frequência do granizo será um pouco menor se compararmos como o ano passado, Alysson.
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