Mercado: nem FED afeta preço do café no Brasil
Os preços do café no mercado físico do Brasil devem continuar registrando uma relativa estabilidade, mesmo no caso de eventuais altas na bolsa de Nova York motivadas por um dólar mais fraco frente a outras moedas, após a decisão de terça-feira do Banco Central dos EUA (FED) de reduzir a taxa básica de juro para perto de zero.
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Quanto mais baixo é o juro do FED, menos atrativo é o dólar para investidores. Por outro lado, essa moeda enfraquecida é altista para as commodities nela denominadas, pois impulsiona compras nos futuros de quem detém euros, por exemplo.
Segundo fontes do mercado, a formação de preços no Brasil, o maior exportador mundial, deve seguir agora uma tendência inversa à registrada desde o aprofundamento da crise, em meados de setembro - nos últimos meses, foi o dólar forte que compensou quedas nos futuros, deixando as cotações domésticas sem grandes alterações, em comparação com a bolsa.
Desde 15 de setembro, o arábica negociado em Nova York caiu cerca de 20%, base contrato março, enquanto o preço no físico no Brasil perdeu apenas 3,6%, segundo fontes do mercado. "A tendência da decisão do FED é melhorar o preço na bolsa, mas pode derrubar o câmbio. Assim, a tendência (do preço local) é ficar na mesma", disse Carlos Amaral, da corretora A Rural, de Londrina/PR.
"Para o pessoal que faz hedge (em bolsa), é melhor, tem mais liquidez", acrescentou ele, comentando a decisão do FED. John Wolthers, da Comexin Santos (SP), também avalia que a tendência é o dólar se desvalorizar. "O Bernanke (Ben Bernanke, presidente do FED) sinalizou bem o que vai fazer", disse ele. "Ele quer acabar com a nossa festa", brincou o corretor, observando que o efeito do dólar forte nos preços interno nos últimos meses estava favorável.
Oferta versus demanda
Amaral avalia que, "para melhorar o preço do café", a demanda precisaria ser elevada, uma antiga regra para as commodities. O café precisaria contar ainda com um ambiente financeiro menos carregado para ter seus preços aumentados. "O pessoal não está nem comprando da mão para a boca. Está comprando da boca para o estômago", declarou ele sobre o efeito da crise para a demanda.
Outro corretor, da Carvalhaes, com base em Santos/SP, afirmou que os preços estão sendo sustentados no Brasil pelo "equilíbrio entre a oferta e a demanda". Segundo Eduardo Carvalhaes Júnior, os estoques no país estão baixos. Ele disse que a soma do volume consumido no Brasil com as exportações resulta em 45 milhões de sacas, aproximadamente o volume produzido em 2008/09. "Quando chegarmos ao final da safra, os estoques serão residuais", afirmou.
Outro fator altista citado por Carvalhaes é a queda nos estoques norte-americanos, numa época que o Brasil está exportando bem. "O que mostra que o café que chega lá está sendo consumido", concluiu. Com informações da Reuters.
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EM 19/12/2008