Mercado de café: demanda, qualidade e leilões

O café teve uma semana volátil mas conseguiu encerrar o período com ganhos de US$ 5.69/saca em NY, US$ 3.70/saca na BM&F e US$ 5.64/saca para o robusta em Londres. A fraqueza do dólar americano contribuiu assim como a melhora na percepção do ambiente macro-econômico, porém o lado do fundamento teve um peso importante. Começa a aparecer sinais de demanda para o começo de 2010 principalmente para Brasil, ao mesmo tempo que cresce a preocupação com a qualidade do café brasileiro por causa das chuvas na colheita.

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Comentário Semanal - de 13 a 17 de julho de 2009

A temporada de divulgação dos resultados das empresas americanas do 2º trimestre deu ânimo aos investidores nesta semana com dois dos principais bancos de Wall Street mostrando lucros acima do esperado pelos analistas. O setor bancário ganha novos líderes por aqui, enquanto Citi e Bank of America continuam tendo um deterioramento em seus balanços, machucados pela "qualidade" dos credores que têm em suas carteiras.

Os mercados deram bastante atenção também para o prognóstico positivo do Profeta do Apocalipse Financeiro (Noriel Roubini) dizendo que o pior da crise financeira já passou e que a recessão nos EUA acaba este ano - como ele acertou que a crise financeira ia causar grande estrago e de fato isso aconteceu seus comentários se tornaram extremamente respeitáveis.

Com os investidores voltando a colocar parte de suas reservas em ativos de risco, o dólar volta a desvalorizar ajudando a subida de preços não só do mercado acionário mas das commodities também. Colabora para o "rallye" a proteção inflacionária que muitos creem que haverá mais adiante, com uma recuperação das economias em um ambiente de taxas de juros no nível mais baixo da história e uma capacidade de utilização industrial bastante reduzida.

O café teve uma semana volátil mas conseguiu encerrar o período com ganhos de US$ 5.69/saca em NY, US$ 3.70/saca na BM&F e US$ 5.64/saca para o robusta em Londres. A fraqueza do dólar americano contribuiu assim como a melhora na percepção do ambiente macro-econômico, porém o lado do fundamento teve um peso importante. Começa a aparecer sinais de demanda para o começo de 2010 principalmente para Brasil, ao mesmo tempo que cresce a preocupação com a qualidade do café brasileiro por causa das chuvas durante a colheita justamente no momento que o governo faz leilões de para o produtor para 3 milhões de sacas.

Depois de um longo período entre elaboração e adequação das requisições feitas pela produção, o primeiro leilão de opções aconteceu semana passada para 1 milhão de sacas com uma demanda forte por parte dos produtores individuais. Das de sacas leiloadas, 750 mil ficaram na mão do produtor enquanto que as cooperativas compraram o direito de vender 250 mil sacas. O efeito é positivo dado que quanto maior o número de produtores que tiverem acesso a vender seus cafés a preços mais altos maiores são as chances dos mesmos se recusarem (não se sabe por quanto tempo) a vir para o mercado e vender seus cafés nos preços atuais.

Os produtores/cooperativas pagaram o prêmio de R$ 9.50/saca para ter o direito de vender café ao governo à R$ 303.50/saca em novembro (com recebimento do dinheiro em dezembro). Nada mal comparando com o preço de mercado atual da bica de R$ 245/saca. O preço na verdade é melhor inclusive do que vender o contrato de dezembro da BM&F à US$ 138.15 ao mesmo tempo, fixando dólar futuro a 1.9735 = R$ 272.64/saca. Se considerarmos que nesta próxima semana serão leiloadas mais 2 milhões de sacas e que provavelmente o prêmio deve ser mais baixo, podemos ver um travamento ainda maior do mercado físico, causando um estreitamento do diferenciais.

Já falamos algumas vezes aqui que o efeito mais positivo ainda para os preços do mercado será se de fato os produtores exercerem o direito de venda e se o café for retirado do mercado pelo governo. Principalmente se a qualidade do café colhido na safra que se inicia for de fato prejudicada pelas chuvas. Temos ouvido de diferentes direções que as chuvas recentes estão atrapalhando a qualidade do café arábica, e se potencialmente forem "enxugadas" 3 milhões de sacas do tipo 6 de bebida dura o quadro pode complicar os exportadores que foram agressivos nos diferenciais de suas vendas FOB para o segundo semestre do ano. Como já se vive uma escassez dos cafés suaves a situação pode ser agravada caso o Brasil não consiga produzir café de boa qualidade em uma safra menor de arábica.

Na sexta-feira o CFTC divulgou o relatório de posicionamento dos participantes do mercado e os fundos apareceram com uma posição líquida vendida (considerando as opções e excluindo os fundos de índice). A virada de mão se deu em função de uma liquidação da posição bruta comprada em 2,753 lotes e com novos 1,918 contratos vendidos. Tecnicamente, o mercado fez um chão-duplo segurando no nível de 113.35 cts/lb e fechando acima da linha de resistência do canal de baixa que vinha trabalhando. Se o contrato de setembro romper 121.70 podemos ter uma corrida por parte dos vendidos para cobrirem suas novas posições vendidas.

Creio que com a retração da venda dos produtores junto com um cenário mais animador enfraquecendo o dólar e com os fundos vendidos, Nova Iorque deve subir mais buscando no curto prazo o nível de 125.00 cts/lb. Vamos ver.

Tenham todos uma ótima semana e muitos bons negócios.

Obs.: este relatório, preparado pela Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda, é divulgado somente com o objetivo de prover informações e não representa, em nenhuma hipótese, uma oferta de compra e venda ou solicitação de compra e venda de qualquer instrumento financeiro ou serviço. As informações contidas neste relatório são consideradas confiáveis na data na qual este relatório foi publicado. Entretanto, as informações aqui contidas não representam por parte da Archer Consulting garantia de exatidão das informações prestadas ou julgamento sobre a qualidade das mesmas, e não devem ser consideradas como tal. As opiniões contidas neste relatório são baseadas em julgamentos e estimativas, estando, portanto, sujeitas a mudança.
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Material escrito por:

Rodrigo Correa da Costa

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