O presidente da Melitta do Brasil, Bernardo Wolfson, informou ontem, durante conversa com jornalistas, que os preços do café no mercado interno devem se manter em níveis elevados nos próximos meses, por causa do aperto na oferta. Ele explicou que a safra brasileira deste ano é menor do que a do ano passado e tem sido considerada de excelente qualidade, o que deve estimular a exportação. Com isso, haverá menor disponibilidade do grão para o mercado interno.
A safra brasileira deste ano está estimada em 43,5 milhões de sacas de 60 kg, o que representa uma redução de quase 10% em comparação com o ano passado (48,1 milhões de sacas). Atualmente, o contrato futuro de café arábica na BM&FBovespa é cotado com prêmio em relação ao contrato do produto na Bolsa de Nova York, tido como referência para o mercado. Historicamente, o contrato na bolsa paulista tem desconto ante Nova York.
Wolfson comentou que os custos da empresa com matéria-prima subiram entre 20% e 80%, dependendo da qualidade do café utilizado no blend, acompanhando a alta internacional do preço do produto nos últimos meses. Segundo ele, "a Melitta tem procurado repassar ao consumidor o menos que pode dessa alta de preço, compensando com mais eficiência produtiva".
Quanto à perspectiva de crescimento da empresa no Brasil por meio de aquisições de outras torrefadoras, Wolfson informou que a tarefa da Melitta é atrair mais consumidores por meio da produção de cafés com sabor e aroma especiais. Para isso, a companhia se sustenta em dois pilares: "inovação e possíveis aquisições". O CEO Mundial da Melitta, Thomas Bentz, que participou da conversa, disse que a aquisição de fábricas é decisão estratégica "e, no momento, não há nada em vista".
Inovação
Em termos de inovação, Wolfson disse que a Melitta pretende investir este ano R$ 9 milhões em ativos nas suas três fábricas (municípios de Avaré, Bom Jesus e Guaiba). Outros R$ 50 milhões serão aplicados em mídia, pesquisa e ações com consumidores, para apoiar o crescimento dos cafés e filtros. Também será dada atenção especial à distribuição. O café Melitta foi relançado no Rio de Janeiro e a ideia é ampliar a participação em Minas, Brasília e Nordeste, que representam apenas 11% do faturamento da empresa.
Wolfson considerou que o Brasil, como outros emergentes, ainda é pouco prejudicado pela crise global, em comparação com países como Estados Unidos e da União Europeia (UE). De acordo com ele, o Brasil de alguma forma poderá ser mais afetado se o risco de recessão não acabar no longo prazo. "Não pretendemos reduzir investimentos", afirmou. Ele ponderou, ainda, que, em tempos de crise, a tendência é o consumo de café aumentar no lar, justamente o segmento mais explorado pela Melitta (coador de papel, porta-filtros, jarras, etc).
Com relação ao setor de máquinas para café, o presidente da Melitta no Brasil observou que a empresa já produziu cafeteira elétrica há cerca de 15 anos, "mas nosso foco é o preparo manual. Apesar disso, continuamos avaliando as vantagens e benefícios para o consumidor", informou.
A Melitta no Brasil é representada pelas marcas de café Melitta e Bom Jesus que, juntas, participavam com cerca de 9,3% do mercado brasileiro de café torrado e moído em 2010. O Café Melitta, segundo a Nielsen, é a segunda principal marca do País e a primeira no segmento de café a vácuo. O Café Bom Jesus é a terceira principal marca no Estado do Rio Grande do Sul.
As informações são da Agência Estado, adaptadas pela Equipe CaféPoint.
Melitta prevê oferta apertada e preços elevados de café no Brasil
O presidente da Melitta do Brasil, Bernardo Wolfson, informou ontem, durante conversa com jornalistas, que os preços do café no mercado interno devem se manter em níveis elevados nos próximos meses, por causa do aperto na oferta. Ele explicou que a safra brasileira deste ano é menor do que a do ano passado e tem sido considerada de excelente qualidade, o que deve estimular a exportação. Com isso, haverá menor disponibilidade do grão para o mercado interno.
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