Mão de obra qualificada para café: onde encontrar?

O que já era difícil para os cafeicultores está ficando ainda pior. A mão de obra, além de escassa, está perdendo qualidade. Isso ocorre em um momento em que a qualidade é fundamental para o produto nos mercados interno e externo. Caro leitor, na sua opinião, o que deve ser feito para a atividade cafeeira não perder mais em relação a quantidade e qualidade de mão de obra? Acesse e participe.

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O que já era difícil para os cafeicultores está ficando ainda pior. A mão de obra, além de escassa, está perdendo qualidade. Isso ocorre em um momento em que a qualidade é fundamental para o produto nos mercados interno e externo.

Conforme disse Nathan Herszkowicz, diretor-executivo da Abic, ao CaféPoint, o novo tempo para o café no Brasil é o tempo em que a qualidade do café oferecido no dia-a-dia para os brasileiros tem que dar, e vai dar um salto na direção da melhor qualidade.

Os trabalhadores que se apresentam na colheita de café são oriundos de outros setores, como laranja e cana-de-açúcar -esta última, uma atividade que emprega cada vez menos. Essa mão de obra acaba onerando os custos e prejudicando a qualidade do produto.

Com o conceito de sustentabilidade sendo tão comentado, discutido e colocado em prática, as exigências em relação às boas condições de trabalho aos funcionários são maiores. Com isso, o produtor está pagando o preço em prol da sustentabilidade.

Caro leitor, na sua opinião, o que deve ser feito para a atividade cafeeira não perder mais em relação a quantidade e qualidade de mão de obra? Como está a situação em sua propriedade/região?

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Natália Fernandes, CaféPoint, com informações do jornal Folha de S.Paulo
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Diogo Dias Teixeira de Macedo
DIOGO DIAS TEIXEIRA DE MACEDO

SÃO SEBASTIÃO DA GRAMA - SÃO PAULO

EM 07/12/2010

O que está ocorrendo na cafeicultura de todo o Brasil não é diferente do que ocorre nas outras culturas que empregam, ou empregavam grandes quantidades de mão-de-obra. O que temos observado aqui na região é uma migração em massa para os centros urbanos, onde estes buscam melhores condições de vida para toda a família. Estão ficando nas fazendas, apenas os trabalhadores menos capazes, e nem mesmo com cursos e treinamentos para qualificação destes, na primeira oportunidade de se mudar para a cidade, estes vão.

Aqui na região, as fazendas estão desativando suas colônias, e buscam mão-de-obra na cidade, muitas vezes os mesmos trabalhadores que moravam nelas, mas que em certo momento foram para acidade e por motivo de falta de instrução, acabam não arrumando colocação em empresas que exigem certo grau de escolaridade, e acabam por voltar a trabalhar nas fazendas como "bóia-fria", se é que se pode dizer isso hoje, pois temos que fornecer apetrechos para estes esquentarem suas marmitas.

E são estas leis trabalhistas e um mundo de encargos que oneram em 85% (dados reais) o valor da mão-de-obra. Nada mais justo que fornecer condições dignas aos trabalhadores, mas os produtos agrícolas não acompanharam estes aumentos, o que muitas vezes fazem os produtores caminharem na ilegalidade na hora de contratar seus funcionários.

A saída para a escassez de mão-de-obra é: mecanização, se é que é possível devido à topografia, restando para a cafeicultura de montanha se tornar apenas familiar, ou trabalhar como comentou o Sr. Robson Rodrigues, como parceiro ou meeiro ou mesmo mudar de atividade, que está ocorrendo muito aqui na região, lavouras de café sendo substituídas por eucalipto ou pastagens, que empregam menos mão-de-obra na hora da condução.

Acho que essa migração não tem volta ... não há o que fazer para reter o pessoal no campo, nem mesmo grandes salários, a atividade trabalhador rural não é bem vista pela sociedade, sendo motivo de discriminação e até gozação, famoso "Jeca Tatu", e enquanto isso não mudar e a população em geral não mudar a maneira de ver a agricultura como uma prática essencial para o desenvolvimento de todas as outras atividades isso não vai acabar ... dá para escrever um livro sobre o assunto e ficar sem final, pelo menos sem um final feliz ao trabalhador e ao produtor.
Robson França Rodrigues
ROBSON FRANÇA RODRIGUES

MUQUI - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 04/12/2010

Aqui na minha região,têm dois sistema de lavoura que é o sistema de parceria e o sistema de agricultura familiar que na minha opinião é o melhor sistema. Tanto que o incaper promoveu um concurso, recentemente para escolher o melhor café,quem ganhou foi um pequeno produtor que tinha apenas dois hectares de lavoura.E no sistema de parceria que também é muito bom se o dono do terreno,ficar orientando o parceiro agricola em todo processo não só da colheita como também no pos-colheita,porque na maioria das vezes o parceiro não sabe lêr e escrever.Deveria haver mais incetivo por parte das autoridade governamental no sentido de incrementar mais a educação básica em todos os sentidos para que estás pessoas possam estudar,seria o primeiro passo,depois seria pagar um preço justo no café para que esta pessoas não abandona a lavoura e vá para a cidade.arrumar um emprego de carteira assinada que seria muito mais interessante para elas.Tanto no sistema de agricultura familiar quanto no sistema de parceiro existem pessoas que não sabem lêr e escrever,por isto que eu acho que deveria começar pela educação para depois falar em qualificação de mão de obra. só assim que conseguiremos manter o homem na lavoura.
Joseph Crescenzi
JOSEPH CRESCENZI

ITAIPÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 03/12/2010

Na região Nordeste de Minas Gerais, trabalho com Registro em CTPS, é atualmente conhecido pelo nome de "Sujar Carteira".
Os incentivos para ficar recebendo as "Bolsas" desestimula o trabalho no campo. A grande maioria das áreas de café estão sendo plantados em Eucalipto, devido a reduzida demanda para mão de Obra.
Rodolfo Errerias Maciel
RODOLFO ERRERIAS MACIEL

BEBEDOURO - SÃO PAULO

EM 03/12/2010

Na minha opinião , devidido ao alto custo da colheita manual e da fiscalização

cada vez mais punitiva do Min. do Trab. , num futuro bem próximo as propriedades com nenos de 50 ha de café , se tornarão inviaveis devido ao preço de uma colheitadeira e da manutençao da produtividade entre 35/40 scs/ha
sem contar com a "rastelação" que tambem ficará proibitiva .

Logicamente , esta não deve ser a opinião dos cafeicultores que tenham outra fonte de renda

Minha propriedade fica em Araxá - MG .