Mantega: "Queda do dólar é passageira"

Após reunião com o presidente Lula, na qual foi discutida, entre outros assuntos, a valorização do real frente ao dólar, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse, que a situação é apenas momentânea e reafirmou a política cambial.

Publicado por: CaféPoint

Publicado em: - 2 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Após reunião com o presidente Lula, na qual foi discutida, entre outros assuntos, a valorização do real frente ao dólar, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse, que a situação é apenas momentânea e reafirmou a política cambial.

"Uma boa forma de reverter a valorização do câmbio é o incentivo ao crescimento da economia dado pelo Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC", disse Mantega. "É claro que eu gostaria que nós tivéssemos um câmbio chinês, pois um câmbio valorizado prejudica a produção. Mas acho que, como este é um movimento passageiro, não haverá prejuízo."

Além de Mantega, participaram da reunião de ontem, no Palácio da Alvorada, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que, ao sair de outra reunião com ministro da fazenda, na segunda-feira à tarde, reafirmara que não trabalha com uma meta para a taxa de câmbio. "O BC trabalha com metas para a inflação e não tem meta para o câmbio".

A contenção da queda do dólar vem sendo cobrada a Mantega, pelo presidente do PT, Ricardo Berzoini, e pelo ministro do Trabalho, Luiz Marinho, para quem "O juro real muito alto valoriza a moeda e este é um debate que o Banco Central terá de enfrentar". Além disso, segundo ele, a política monetária é, aparentemente, mal conduzida e o BC bobeou ao reduzir o ritmo de queda da taxa Selic.

Mercado também questiona atuação do BC

O dólar caiu novamente, ontem, para R$ 2,086, mesmo com compras da moeda americana, estimadas em US$ 480 milhões, feitas pelo Banco Central, que, desde o início do ano, BC já teria comprado US$ 6,6 bilhões, segundo cálculos do mercado.

Analistas apontam a redução do ritmo de queda da Selic, a taxa básica de juros, de 0,50 ponto porcentual para 0,25 como uma das principais causas da nova onda de desvalorização do dólar.

"Hoje em dia, não dá para ter controles de capitais, então o que resta é baixar a Selic mais rapidamente", diz Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do BC e chefe do Departamento Econômico da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Até mesmo Ilan Goldfajn, principal executivo da Ciano Investimentos e ex-diretor do BC, que não critica a entidade, associa a pressão de desvalorização do dólar dos últimos dias à desaceleração da queda da Selic. "A redução do ritmo de queda animou o pessoal no câmbio, que está testando o BC", diz.

Problema superestimado

Para Octavio de Barros, diretor de Pesquisa Macroeconômica do Bradesco, o problema cambial pode estar sendo superestimado. "Ninguém tem de perder o sono por causa disso". Pelas estimativas do banco, a taxa de câmbio de equilíbrio de longo prazo hoje estaria em R$ 2,11, pouco acima do nível atual.

"As coisas estão indo muito bem, o BC deve continuar comprando e fazendo uma redução gradual e segura dos juros, e o câmbio vai encontrar seu equilíbrio depois deste momento um pouco mais especulativo", diz Barros, observando também que a valorização do real não está vindo apenas do lado financeiro, pois "As exportações estão muito robustas neste início do ano, não só em preços, mas também em quantidades, especialmente no agronegócio."

As informações são do Jornal O Estado de São Paulo.
Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Publicado por:

Foto CaféPoint

CaféPoint

O CaféPoint é o portal da cafeicultura no Brasil. Contém análises de mercado, perspectivas, cotações, notícias e espaço para interação dos leitores, além de artigos técnicos que abordam produção, industrialização e consumo de café. Acesse!

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe CaféPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.