Lula quer, mas BC não consegue segurar o dólar
O Banco Central teria feito compras de dólares acima do normal, mas não conseguiu evitar que moeda caísse abaixo de R$ 2,10 e a tendência de queda ainda deve prevalecer nos próximos dias.
Publicado por: CaféPoint
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O BC teria, sem sucesso, tentado evitar a queda do dólar para menos de R$ 2,10, por conta de pressões nos bastidores, feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que teriam dito, no final de janeiro, ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, estar muito preocupados com o câmbio.
O BC declarou, por meio de sua assessoria de imprensa, que eventuais intervenções não têm o objetivo de "interferir na tendência de flutuação da taxa de câmbio", mas seriam "esforço de recomposição de reservas no contexto de um regime de metas de inflação com câmbio flutuante" e que não devem ser confundidas com "fixação de tetos ou pisos" para o câmbio.
Quando o BC começou a fazer intervenções mais fortes no mercado, as reservas cambiais do país, que, hoje, estão perto de US$ 92 bilhões, somavam cerca de US$ 20 bilhões (janeiro de 2004), não sendo esta, portanto, a justificativa para as atuações agressivas como as da semana passada.
Durante a elaboração do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), Lula se reuniu com economistas de fora do governo, para quem a queda do dólar poderia prejudicar as exportações, dificultando o crescimento da economia, maior meta do PAC.
Queda deve continuar
De acordo com notícia de Fernando Canzian, também para o Folha OnLine/Economia, a pressão de queda nas cotações do dólar deve continuar nos próximos dias, pois os grandes bancos estariam com uma posição extremamente comprada.
Além disso, as tendências de juros estáveis nos EUA e queda menor da Selic no Brasil, devem fazer com que os papéis do Tesouro norte-americano não atraiam mais dólares do resto do mundo para dentro dos EUA.
Os bancos tentariam, então, vender dólares nas próximas semanas, aproveitar o elevado juro básico praticado pelo BC. Segundo operadores do mercado de câmbio, as ações do BC para segurar as cotações poderão diminuir a intensidade da queda, mas a tendência de baixa deve predominar.
"O governo não tem solução técnica para sustentar as cotações, pois não vai conseguir agir na mesma proporção das posições compradas dos bancos. O que fica claro nesse movimento é que a política de juros está errada", afirmou Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO, tradicional corretora de câmbio de São Paulo, citado na notícia do Folha OnLine.
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