Luiz Hafers: sou a favor do drawback, mas com regras
"Não se pode deixar que os produtores de café solúvel sofram concorrência desleal. Sou claramente a favor do drawback, mas tem que haver regras como não deixar trazer lixo pra derrubar o preço do café no Brasil; não importar mais do que se utiliza no mercado interno e proceder com bastante rigidez nas questões fitossanitárias", afirmou o ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira, o cafeicultor Luiz Hafers.
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Segundo o experiente cafeicultor, o drawback deve ser autorizado no Brasil, pois nossos concorrentes estão comprando cafés baratos e vendendo este produto no mercado a preços baixos. "Com isso, estamos perdendo fábricas, mercado, e participação", afirmou.
"Não se pode deixar que os produtores de café solúvel sofram concorrência desleal. Sou claramente a favor do drawback, mas tem que haver regras como não deixar trazer lixo pra derrubar o preço do café no Brasil; não importar mais do que se utiliza no mercado interno e proceder com bastante rigidez nas questões fitossanitárias", explicou.
"Precisamos preservar a indústria de café solúvel no Brasil. E isso não vai ser feito às custas do produtor brasileiro. Ele não entendeu isso ainda. Sei que vou receber críticas por esta declaração, mas eu tenho convicções, e não conveniências", disparou. "Aceito publicamente um debate sobre o tema: quero que me mandem perguntas que eu respondo. Ou então eles me convencem do contrário. Só não mudo de opinião em relação ao meu time de futebol e ao meu sexo", confessou em tom de brincadeira.
Veja a entrevista:
Quem é Luiz Hafers
Luiz Marcos Suplicy Hafers nasceu em Santos/SP, em 1935. Iniciou a vida de produtor rural em terras arrendadas em 1958. Comprou sua primeira fazenda de café no norte do Paraná em 1962. Sempre atuante, Hafers também participou de grandes reflorestamentos na década de 1970 e presidiu a Sociedade Rural Brasileira de 1996 a 2002. Ex-dono de uma grande fazenda de café, Hafers reduziu sua área plantada. "Já vendi terras por necessidade, hoje vendo por opinião. Acho melhor reduzir a área e aumentar a produtividade que manter os cafezais abandonados, sem os devidos tratos culturais", afirma.
Conheça a opinião de Hafers sobre outros temas polêmicos:
Defesa dos interesses nacionais
"Existe uma atitude urgente que nós precisamos adotar que é restaurar nossa auto-estima! Tanto a esquerda quanto a direita demonstram uma tendência a uma subserviência com quem tem olho azul e fala inglês ou francês. Eu tenho uma confiança ilimitada no Brasil e me irrita esta baderna que os alguns ambientalistas fazem."
Transgênicos:
"Os ambientalistas não falam que com os transgênicos se usa 3 vezes menos defensivos. O transgênico é novo, e o novo assusta. Voltemos para trás e lembremo-nos do impacto que criou a vacina do Oswaldo Cruz. Em última análise, todas as lutas que nós temos se restringem ao anacrônico versus o moderno".
"As discussões são sempre técnicas e as decisões são sempre políticas. Na mitologia grega o único pecado que não tinha perdão era o Húbris - que é um misto de arrogância com soberba. Se você caísse nela, você tinha que enfrentar o Nêmesis e aí não tinha solução. Ainda hoje é assim. Toda a decadência das pessoas dos países, das companhias, das companhias, das instituições começa com a arrogância."
Clique aqui para ler entrevista concedida ao Globo Rural em julho deste ano.
Equipe CaféPoint
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JACAREZINHO - PARANÁ - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 09/11/2009
É com grande pesar que nós cafeicultores assistimos a uma discussão tão hipócrita sobre um tema tão importante. Sejamos francos, disfarçar a intenção de importar um produto mais barato sem se preocupar com a qualidade do mesmo sob o pretexto de a demanda mundial por outros tipos de blends estar tomando espaço de nossas indústrias de solúvel é no mínimo uma ofensa ao produtor nacional de café.
Por que não trabalhamos a conversa sob uma ótica estratégica nacionalista, de mostrar-mos ao mundo as nuances de nossos cafés? Por que não se propõe uma união ao redor da estratégia da promoção nacional dos Cafés do Brasil, mostrando ao mundo que além dos maiores, se não somos os melhores, somos diferentes, e muito.
Produtores aguerridos que produzem sem incentivo algum, da maneira mais sustentável do mundo, em diversas regiões de um país de superfície e diversidade continentais, é qualidade para todos os gostos.
Claro, porque se isso for feito além de não precisarmos importar café de países mais subdesenvolvidos que o nosso, a preços subsidiados pela falta de sustentabilidade de seus sistemas produtivos, que agridem ao meio ambiente e à essência da integridade humana, ainda teremos que pagar mais caro pelo café brasileiro, reconhecendo seu verdadeiro valor.
Se não conseguimos cumprir nem ao menos as regras já existentes nesse país essencialmente buRRocrático, é difícil acreditar no cumprimento de novas regras de interesses dúbios.

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 05/11/2009
Conforme prometido, argumento minhas ideias. Draw back é a possibilidade de importar, agregar valor e exportar.. No caso do solúvel, o Brasil perde mercado, perde fábricas. Se importar, cria empregos e ganha mercados. O café importado sob drawback não substitui o nosso, pois sem isso não seria nem vendido nem comprado. Quanto à nossa situação de cafeicultor é muito ruim, discutem-se efeitos, mas não causas; oferece se Band Aid, mas não remédio. Mas isso vale nova discussão, mesmo por email, se assim o desejar.
Atenciosamente,
Luiz Hafers

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 05/11/2009
Concordo que estamos passando por uma terrível crise na cafeicultura. Todavia, o assunto draw back está à margem disso. Viabilizar a indústria de solúvel é do nosso interesse. Esse café atualmente não é nem vendido, e por isso não é comprado.
Os problemas da cafeicultura estão sendo atacados nos efeitos quando são as causas que deveriam ser resolvidas. Mas isso é um outro assunto; se for do seu interesse, podemos trocar e mails.
Atenciosamente,
CAMBUQUIRA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 04/11/2009
Respeito muito a sua idade, e os bons tempos em que viveu no café. A coisa mudou e muito. Desde quando o senhor viu a indústria preocupar com os problemas dos cafeicultorres? Agora, o senhor que deveria estar falando em proteger os cafeicultores, quer proteger a indústria de solúvel?
Não é de hoje que a indústria, lobo vestido de cordeiro, vem tentando fazer importações de café.
Quando os estoques estão nos níveis que estão, quando estamos conseguindo que o Governo Federal compre café para retirar produtos de mercado, para equalizar preços, quando o câmbio nos prejudica na exportação, o senhor vem dizer que é a favor de importarmos café barato, para salvar a indústria de solúvel?
Como será possível controlar as regras que o senhor sugere? Realmente, não posso concordar com o Senhor.
SÃO PAULO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 04/11/2009
Gostaria de agradecer sua clara posição a favor de dar competitividade à exportação de café industrializado. Alguns setores ainda não entenderam que o maior parceiro da indústria é o produtor brasileiro mas, para poder manter a competitividade do setor é necessário em alguns momentos, a importação via drawback.
O Brasil já perdeu vários investimentos externos em novas fábricas tendo em vista não podermos assegurar a possibilidade de abastecimento em caso de distorção dos preços comparados com os praticados no mercado internacional. O parque industrial em todos os países têm aumentado significativamente porém, no Brasil, temos hoje somente 7 indústrias, quando no passado tínhamos 11.
A melhor proteção para o produtor são os custos de importação que chegam a pelo menos US$ 15,00 a saca. Tanto falamos na qualidade a ser importada mas, esquecemos que o Brasil permite a exportação de qualquer qualidade.
Hoje a Colômbia importa café até mesmo para abastecer seu consumo interno, o que no nosso ponto de vista pode parecer inócuo, porém, se podemos importar café industrializado pronto para nosso consumidor tomar não consigo entender esta visão passional de que não podemos produzir aqui internamente. Logicamente todo o setor indústrial é unânime em regular o drawback de forma a darmos garantias ao nosso principal parceiro, que são os produtores. Neste ponto o setor indústrial já forneceu todas as garantias.
Entre os países que permitem o drawback podemos citar Vietnã, Colombia, Índia, México, Equador, Indonésia, entre outros. Com relação à importação de produtos básicos, podemos importar no Brasil todos os produtos, inclusive aqueles em que somos líderes mundiais, como é o caso da carne, entre vários outros produtos.
Gostaria de não me estender muito neste assunto mas deixo as últimas perguntas:
a) se os srs fossem montar uma fábrica, o srs escolheriam um país onde o drawback fosse livre ou optariam pelo Brasil?
b) tanto afirmamos que o Brasil vende mal seu café, mas se vendemos tão barato assim, porque temer o drawback?
c) como iremos nos inserir no mercado mundial sem a possibilidade de compor blends no Brasil? Não temos de mudar a nossa forma de exportar café para poder remunerar melhor nosso produtor?
Atenciosamente,
Roberto Ticoulat
Produtor de café em Alpinópolis e produtor de café solúvel em Varginha
DIVINOLÂNDIA - SÃO PAULO
EM 04/11/2009
Com todo o respeito por Vossa Senhoria, mas nós como produtores não podemos neste momento nem se quer pensar em aceitar esse tal de drawback, e ainda, onde será que se pode encontrar café mais barato que o do Brasil? Impossivel.
Precisamos neste momento de reestruturarmos a cafeicultura e voltarmos ao lugar de que nós produtores jamais deveriamos de ter saído, ou seja, o de comando.
Estamos cansados de sermos abandonados a um segundo plano. É lógico que devemos respeitar a indústria, mas temos que ter conciência de que a indústria e o mercado não se regem por sentimentos e são cruéis nas suas relacões comercias, do que o Senhor é testemunha.
Portanto, primeiramente precisamos organizar a casa e depois então partirmos para as negocicões e aí sim, se estivermos fortalecidos, saberemos estabelecer os novos rumos da cafeicultura Brasileira.
Saudacões Cafelistas.

JACAREZINHO - PARANÁ - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 04/11/2009
GUAXUPÉ - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 04/11/2009
Prreço baixo somente por si só significa o desrepeito ao produtor nacional.