Luiz Cláudio Caffagni é Engenheiro Agrônomo e Gerente de Serviços em Commodities da BM&FBovespa - Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros.

Clique no link abaixo e ouça a entrevistas na íntegra
Clique aqui e faça o download da entrevista.
Confira os destaques da entrevista:
"O mercado futuro é caracterizado por preços negociados em uma data futura que servem para alguns agentes do mercado fazerem a relação desse preço com determinada estrutura dentro de seu negócio"
"Um cafeicultor que tem um custo de produção dado, levando em conta fertilizantes, tratos culturais, etc., pode olhar um preço futuro para setembro de 2010, por exemplo, conseguindo saber com antecedência se ele terá uma rentabilidade boa ou ruim."
"O torrefador e exportador também utilizam dessa informação antecipada para programarem suas atividades"
"A função primordial do mercado futuro é possibilitar o planejamento antecipado dos agentes do mercado."
"Os participantes do mercado futuro são os cafeicultores, exportadores, torrefadores, empresas de insumos e cooperativas, denominados de hedgers. Os hedgers são agentes que procuram proteção de preço. Outros agentes são os investidores, que entram no mercado futuro para investir sobre o risco de perder."
"Para que todos saibam o que está sendo negociado no mercado futuro, a Bolsa coloca tudo em um contrato, padronizando todas as características do café. O café hoje negociado na Bolsa é um café tipo 4/5, com até 36 defeitos, bebida dura, um café de exportação."
"A referência de preço é a cidade de São Paulo. Se o cliente quiser entregar ele tem que depositar seu café em um armazém que a Bolsa cadastra. No momento da liquidação, a Bolsa calculará um diferencial de frete entre São Paulo e a dada região."
"Outra função importante da padronização, é que o contrato pode ser trocado de mão."
"Supondo que um produtor vendeu café para dezembro/10 a US$ 167,00, e o preço sofreu uma alteração para baixo ou para cima. Com isso, ele decide revender esse contrato de café no mercado, repassando-o para outro vendedor. Para tanto, ele precisa ir ao mercado e arrumar um vendededor desse contrato para entrar no lugar dele. Sendo assim, ele vai no mercado e compra um contrato futuro para o mesmo mês de vencimento, e conforme faz a compra há um vendedor do outro lado que entra no lugar dele."
"É por isso que a BM&FBovespa negocia a safra brasileira duas vezes e meia. Há essa troca de mãos."
"O mínimo para se negociar café na Bolsa é um (1) contrato. O contrato tem 100 sacas, então se negocia de 100 em 100. Não pode negociar menos de 100 sacas."
"Para poder entrar nesse mercado primeiro o agente vai gastar um pouco de tempo para estudar como funciona, ler alguns informativos publicados pela BM&FBovespa, ler o contrato de café, entre outros. O segundo passo é contactar um corretor. A Bolsa tem vários corretores de referência, os quais se encontram na página do site Bolsa (clique aqui para acessar a página). O terceiro passo é fazer uma operação piloto, ou seja, vende ou compra um (1) contrato só, carrega ele por uma semana e reverte a posição."
"Operar no mercado futuro é uma mudança de comportamento. Quando a pessoa passa a operar, todo dia exigirá uma dedicação de olhar o mercado, os preços de diversos vencimentos, saber como estão as entregas, entre outros."
"Para negociar na Bolsa o agente vai pagar primeiramente dois tipos de custo: o custo para o corretor, referente a 0,3% da compra e venda; e o emolumento, que para cada 100 sacas de café comprado ou vendido o cliente pagará US$ 0,66."
"Outro custo é a Margem de Garantia, valor esse equivalente a algo em torno de 8%. A Garantia serve para que o sistema esteja assegurado de que os agentes pagarão os ajustes diários. Após o cliente encerrar sua posição no mercado futuro a Margem de Garantia é devolvida em sua conta."
"O preço futuro é determinado por fundamentos de oferta e demanda. Obviamente existem outros fatores que influenciam o mercado como por exemplo, a taxa de câmbio do dólar em relação ao euro. Isso significa que se o dólar enfraquece os agentes acabam comprando commodities, mas se acham que há algum problema na economia global eles compram dólar e vendem commoditie. Então, como o café é uma commoditie, ele é influenciado pelo movimento do câmbio."
"O mercado futuro é um instrumento de fixação de preço. Se um cliente vai fazer o mercado futuro, ele vende um contrato futuro para setembro/10 a US$ 164,00. Com isso, ele não vai receber esse valor hoje, está somente fixando o preço que ele quer para o café dele em semprebro/10."
"A CPR também é um instrumento de fixação de preço, só que ela pressupõe um financiamento. Se o cliente escolhe vender uma CPR, ele vai dar garantias para um banco que avaliará essa CPR. Depois disso o produtor vende sua CPR no mercado e o banco que decide comprar adianta o dinheiro dessa saca de café."
"A dica fundamental para quem quer entrar no mercado futuro é começar a obter mais informações sobre mercado futuro."
"Mesmo que não se opere no mercado futuro, os agentes têm que saber do que se trata, principalmente o produtor, pois quando vai negociar com uma cooperativa ou comprador tem que saber o que está por trás de todas as operações e dos preços que o comprador está oferecendo."
Veja abaixo o contrato futuro de café arábica da BM&FBovespa
